Terça, 23 de Abril de 2019 - 11:30

Síndrome Dolorosa Miofascial pode estar associada a estilo de vida não saudável

por Marco Delazzo

Síndrome Dolorosa Miofascial pode estar associada a estilo de vida não saudável
Foto: Divulgação

A Síndrome Dolorosa Miofascial (SDM) é uma dor muscular, causada por uma excessiva contratura e inflamação do músculo. No local acometido, desenvolvem-se os famosos pontos de gatilho, que são nódulos no tecido muscular, formados em decorrência de fatores como má postura no trabalho, excesso de exercício, movimentos repetitivos ou traumas. É uma síndrome que pode ser acompanhada, como em outras situações de dor crônica, por transtornos de humor, frequente ansiedade e depressão.

 

A boa notícia é que, embora provoque dor intensa, a SDM não representa risco de morte e tem tratamento. Com o diagnóstico preciso e o tratamento especializado em dor, o paciente consegue voltar às suas atividades normais, tendo uma melhor qualidade de vida. Importante ressaltar que, por vezes, a dor miofascial é confundida com a fibromialgia e nem sempre é identificada pelos médicos, o que dificulta seu tratamento.

 

Para ter precisão no diagnóstico da SDM, deve-se fazer uma consulta com um médico especialista em dor, profissional apto a realizar um exame clínico, que inclui a palpação de bandas musculares tensas nos músculos afetados. Pode-se, também, solicitar exames clínicos e de imagem para a confirmação do diagnóstico e exclusão de outras enfermidades.

 

Entre os sintomas, estão a rigidez muscular, a diminuição da capacidade de movimento, a presença de pontos de gatilho e alívio da dor ao realizar alongamento do músculo e terapia com medicamentos miorelaxantes. Pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas é mais comum nas costas, pescoço e ombros. Outra característica importante são as dores que geralmente se intensificam em período de estresse e durante a realização de atividade física.

 

O tratamento – prescrito pelo médico da dor, com base na avaliação do quadro de cada paciente e seu estilo de vida – é multidisciplinar, podendo envolver outros profissionais de saúde, como médico acupunturista, massoterapeuta e fisioterapeuta. Dessa forma, além da terapia medicamentosa, o paciente terá assistência para a prática de exercícios físicos que contribuam a estirar ou alongar os músculos afetados, associados a terapias como a acupuntura e massagens. Há algumas técnicas para o tratamento como a infiltração, que consiste na injeção de anestésico local nos pontos de gatilho, e o agulhamento seco. Outra técnica que pode ser utilizada é a estimulação elétrica transcutânea (aplicação de uma pequena corrente elétrica nos pontos de gatilho), que alivia a dor e a tensão.

 

Uma boa dica de prevenção e combate à doença é a adoção de um estilo de vida saudável, sem fumar, com a prática regular de atividade física, consumo moderado de cafeína e bebida alcoólica. Algumas práticas, como ioga, meditação e alongamento, podem ajudar no alívio do estresse emocional e também na correção da postura. Em muitos casos, são indicados o acompanhamento psicológico e o apoio odontológico para situações, por exemplo, de bruxismo. Durante os períodos de crise, deve ser feito repouso até que a dor esteja controlada. E não esqueça: dor tem cura, desde que você siga ao pé-da-letra a terapia prescrita pelo seu médico da dor. 

 

* Marco Delazzo (CRM 23577) é anestesiologista e médico da dor, sócio da Clínica Baiana de Controle da Dor - CBCDor

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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