Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Saúde
Você está em:
/
/

Artigo

O glúten e as doenças celíacas

Por Adagmar Andriolo

O glúten e as doenças celíacas
Foto: Divulgação
O glúten é uma proteína presente em cereais, como o trigo, centeio e a cevada. Algumas pessoas desenvolvem intolerância ao glúten, que, como consequência, geram as doenças celíacas, que são autoimunes bem definidas, nas quais o sistema imunológico do organismo passa a produzir anticorpos que agridem algumas estruturas do próprio indivíduo, como parte da reação inadequada à presença do glúten na alimentação. Essa agressão resulta, principalmente, em lesão das paredes do intestino e a pessoa passa a não absorver adequadamente vários nutrientes importantes para uma alimentação saudável.
 
O fator desencadeante da doença é a reação imunológica do organismo contra uma substância chamada gliadina, uma proteína de glúten encontrada no trigo, na cevada, no centeio e na aveia. A doença celíaca pode afetar pessoas de todas as idades, mas, na maioria das vezes, suas manifestações começam na infância. Como o intestino delgado é o órgão mais atingido, os principais sintomas incluem diarreia crônica, perda de peso e fraqueza. Mesmo em indivíduos geneticamente predispostos, a doença pode não apresentar nenhuma manifestação em determinadas fases da vida.
 
No entendimento atual, a doença celíaca não tem cura, sendo que, até o momento, o único tratamento eficaz é a adoção de uma dieta totalmente isenta de glúten.
 
Sinais e Sintomas
 
Os sinais e sintomas de doença celíaca podem variar, desde manifestações leves até situações graves. Muitos indivíduos adultos são portadores de uma forma bastante branda da doença, apresentando apenas fraqueza e anemia ou eventuais desconfortos abdominais, como flatulência e distensão abdominal. Em geral, os sinais e sintomas são devidos à má absorção e à desnutrição decorrentes da doença.
 
Existem diferentes sinais e sintomas da doença celíaca, incluindo: dores de estômago, gastrite, cólicas abdominais, flatulência, diarreia, presença de sangue e de gordura nas fezes, fezes com odor fétido, dores ósseas e nas articulações, retardo no crescimento em crianças, edema, anemia ferropriva (por deficiência de ferro), desnutrição, câimbras musculares, perda de massa muscular e deficiência de nutrientes específicos como as vitaminas B12, D e Potássio.
 
Uma manifestação dermatológica associada à doença celíaca é a queratose pilar, também conhecida como “pele de galinha”. É uma condição na qual aparecem elevações duras da pele, principalmente em torno das coxas, braços e bochechas. Eles se parecem com a pele arrepiada, mas são permanentes.
 
Pacientes com sensibilidade ao glúten também podem apresentar instabilidade emocional e mental, chegando à depressão, ansiedade e mudanças drásticas e bruscas de humor. Dentre outras manifestações, o paciente pode ter dor de cabeça persistente e crises de enxaqueca.
 
Diagnóstico da doença celíaca
 
O diagnóstico clínico da doença celíaca é difícil, uma vez que existem outras doenças que podem se manifestar com os mesmos sinais e sintomas, como insuficiência pancreática, doença de Crohn do intestino delgado, síndrome do intestino irritável, o pequeno crescimento excessivo de bactérias intestinais, entre outras. Por essa razão, o diagnóstico é realizado por exames de sangue e confirmado por biopsia do intestino.
 
Os exames de sangue que são específicos para o diagnóstico a doença celíaca incluem a pesquisa de anticorpos antigliadina, antiendomísio e anti-transglutaminase. A biópsia do intestino delgado, que consiste na coleta de alguns fragmentos da mucosa intestinal por endoscopia é considerada o teste mais adequado para a doença celíaca. Os fragmentos são examinados com diferentes técnicas de microscopia. 
 
*Dr. Adagmar Andriolo é médico patologista clínico, doutorado em Patologia, professor associado da disciplina de medicina laboratorial na UNIFESP (Escola Paulista de Medicina), editor chefe do Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, ex-presidente da SBPC/ML - Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial. Escreve sobre seus exames no Mundo dos Exames (www.mundodosexames.com.br), plataforma que auxilia pacientes a entender com detalhes seus pedidos de exames e encontrar o melhor laboratório para realizá-los.