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O sonho da maternidade não acaba com um diagnóstico de câncer de mama

Por Juliana Orrico

O sonho da maternidade não acaba com um diagnóstico de câncer de mama

Receber o diagnóstico de câncer de mama costuma provocar uma avalanche de sentimentos. Entre as preocupações com o tratamento e a recuperação, muitas mulheres, especialmente as mais jovens, também enfrentam um medo profundo e silencioso: o de perder a possibilidade de ser mãe.

 

Durante muito tempo, o câncer foi visto como um ponto final para diversos projetos de vida, inclusive a maternidade. Felizmente, a medicina evoluiu e hoje sabemos que esse sonho pode continuar sendo possível em muitos casos.

 

Cada vez mais, o cuidado com a fertilidade faz parte da abordagem inicial do tratamento oncológico. Isso significa que, logo após o diagnóstico, muitas pacientes já podem ser encaminhadas para avaliação especializada com foco na preservação da fertilidade, antes mesmo do início da quimioterapia.

 

Esse planejamento precoce é fundamental. Alguns tratamentos podem impactar a função ovariana, mas atualmente existem estratégias seguras e eficazes, como o congelamento de óvulos ou embriões, que permitem preservar a possibilidade de uma gestação futura.

 

Mais do que combater a doença, nosso papel enquanto médicos é olhar para a mulher de forma integral. Estamos falando de pacientes que continuam tendo sonhos, planos, desejos e projetos de vida que merecem ser respeitados e acolhidos durante todo o processo de tratamento.

 

Os avanços científicos também trouxeram mais segurança em relação à gestação após o câncer de mama. Hoje, já sabemos que, em muitos casos, engravidar após o tratamento pode ser seguro, desde que exista acompanhamento multidisciplinar e uma avaliação individualizada de cada paciente.

 

É importante reforçar que não existe uma fórmula única. Cada caso precisa ser analisado de maneira cuidadosa, considerando o tipo do tumor, o estágio da doença, a idade da paciente, o tratamento realizado e o momento ideal para uma possível gestação.

 

Nesse contexto, a atuação integrada entre mastologista, oncologista e especialista em reprodução humana se torna essencial. O objetivo é equilibrar segurança oncológica e qualidade de vida, sem que a mulher precise abrir mão de sonhar.

 

Receber um diagnóstico de câncer de mama é, sem dúvida, um dos momentos mais difíceis na vida de qualquer mulher. Mas é importante que elas saibam que esse diagnóstico não precisa significar o fim da maternidade.

 

Hoje, mais do que tratar tumores, tratamos histórias. E preservar a possibilidade de ser mãe também faz parte desse cuidado.

 

*Juliana Orrico é mastologia (RQE 12346) e especialista reconstrução mamária.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias