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Saúde digestiva: um olhar para a alimentação, os hábitos e a naturopatia

Por Aureo Augusto

Saúde digestiva: um olhar para a alimentação, os hábitos e a naturopatia
Foto: Mariane Riani

Neste 29 de maio, quando celebramos o Dia Mundial da Saúde Digestiva, somos convidados a refletir sobre a relação entre alimentação, digestão e qualidade de vida.

 

Nas últimas décadas, o Brasil vem passando por uma mudança importante nos hábitos alimentares. Alimentos tradicionais da nossa cultura, como aipim, inhame, couve e arroz vermelho, vêm sendo substituídos por produtos ultraprocessados, impulsionados pela publicidade e pela praticidade do consumo.

 

Essa mudança tem impacto direto na saúde digestiva. A alimentação tradicional brasileira sempre foi rica em fibras, vitaminas e minerais. As fibras presentes em frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais ajudam no equilíbrio da microbiota intestinal, contribuem para o bom funcionamento do intestino e auxiliam na prevenção da prisão de ventre e de processos inflamatórios digestivos.

 

Por outro lado, uma dieta baseada em produtos ultraprocessados favorece inflamações, alterações intestinais e dificuldades digestivas. O excesso de açúcar, conservantes e aditivos químicos também aumenta os riscos de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial.

 

Outro aspecto preocupante é a introdução precoce desses alimentos na rotina infantil. É cada vez mais comum crianças consumirem biscoitos recheados, refrigerantes e bebidas artificiais desde cedo. Essa exposição contínua a sabores intensos e artificiais dificulta, posteriormente, a aceitação de alimentos naturais.

 

Por isso, a mudança precisa começar dentro de casa. O exemplo dos adultos é fundamental na formação dos hábitos alimentares das crianças. Ter frutas da estação disponíveis, substituir refrigerantes por sucos naturais preparados na hora e valorizar alimentos tradicionais são atitudes simples, mas importantes para a saúde.

 

A naturopatia defende justamente uma alimentação mais natural, baseada em frutas, legumes, verduras, feijões, cereais integrais, ovos e laticínios, preferencialmente frescos e minimamente processados. Além disso, utiliza recursos terapêuticos complementares, como hidroterapia, geoterapia e chás digestivos preparados com plantas conhecidas popularmente, como erva-cidreira, erva-doce, alumã e orégano.

 

Também é importante compreender que saúde digestiva não depende apenas da alimentação. Emoções, pensamentos e estilo de vida influenciam diretamente o funcionamento do organismo.

 

A antiga frase “somos aquilo que comemos” continua extremamente atual. Cuidar da alimentação é cuidar da saúde e da qualidade de vida.

 

*Aureo Augusto é Médico e Naturopata

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias