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Prevenção vai além do check-up: o desafio do diagnóstico precoce no Brasil

Por Rafael Catramby

Prevenção vai além do check-up: o desafio do diagnóstico precoce no Brasil
Foto: Divulgação

Mesmo com mais acesso à informação e aos serviços de saúde, a maioria dos brasileiros ainda procura atendimento médico apenas quando surgem sintomas. Dados do IBGE mostram que 70,6% da população não realiza check-ups regularmente, um comportamento que dificulta o diagnóstico precoce de doenças silenciosas e potencialmente graves.

 

Na prática, o chamado “check-up” faz parte de uma estratégia mais ampla de rastreamento de doenças e, para ser eficaz, precisa ser feito com critério. Nem toda doença pode ser detectada precocemente, e nem todo exame contribui para isso. Para que o rastreamento funcione, é necessário que a condição tenha um tempo de evolução que permita diagnóstico antecipado e que existam métodos acessíveis e eficazes.

 

Doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado evoluem, na maioria das vezes, sem sintomas. Ainda assim, aumentam significativamente o risco de infarto e AVC. Estima-se que cerca de metade dos hipertensos e até 40% das pessoas com diabetes não saibam que convivem com a doença.

 

O mesmo ocorre com alguns tipos de câncer com potencial de rastreamento, como os de mama, próstata, pulmão, colo do útero e intestino, que também podem se desenvolver de forma silenciosa. Nesses casos, o diagnóstico precoce faz toda a diferença, reduzindo a necessidade de tratamentos mais agressivos e aumentando as chances de controle ou cura.

 

Por isso, prevenção não significa fazer muitos exames, mas sim fazer os exames certos, no momento adequado e de acordo com o perfil de risco de cada paciente.

 

Entre as avaliações básicas estão a aferição da pressão arterial, exames de glicemia, colesterol e função renal, além de uma boa consulta clínica. Já exames como mamografia, Papanicolau e colonoscopia devem seguir critérios específicos, como idade, histórico familiar e fatores de risco.

 

A frequência das avaliações também deve ser individualizada. Embora a consulta anual possa servir como referência, ela não deve ser automática nem baseada na repetição indiscriminada de exames. Cada paciente deve ser avaliado de forma única, considerando histórico, hábitos de vida e possíveis mudanças no seu perfil de risco.

 

Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de sucesso no tratamento aumentam significativamente. Em muitos casos, especialmente nas doenças cardiometabólicas, é possível controlar ou até reverter o quadro com mudanças no estilo de vida.

 

Por isso, o cuidado com a saúde deve começar antes do surgimento de qualquer sintoma. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, atenção à saúde mental e acompanhamento médico contínuo são pilares fundamentais da prevenção.

 

Mais do que reagir à doença, é preciso antecipá-la. Diagnóstico precoce não começa com sintomas, começa com cuidado contínuo.

 

*Rafael Catramby é clínico geral da Hapvida

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias