Ainda estou aqui: um alerta para a saúde dos seus rins
Apesar de silenciosos, os rins desempenham funções importantes, filtrando o sangue, regulando a pressão arterial e eliminando toxinas. No entanto, quando começam a falhar, os sinais podem demorar a aparecer. Mas não se engane: seus rins ainda estão aí, e precisam de atenção!
No Brasil, mais de 20 milhões de pessoas vivem com doença renal crônica - muitas sem saber. Isso acontece porque, nos estágios iniciais, a doença pode evoluir sem quaisquer sintomas. Quando os sinais da insuficiência renal surgem – como redução do volume urinário, inchaço, fadiga, falta de ar, sonolência e confusão mental – o tratamento pode já não ser eficiente para impedir a progressão da doença. Nos estágios mais avançados, a única alternativa para sobreviver é a terapia renal substitutiva, que inclui hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante. Atualmente, mais de 155 mil brasileiros dependem da diálise, sendo 76% tratados pelo SUS. O país, porém, enfrenta uma grave crise no setor, causada pelo subfinanciamento crônico da terapia renal substitutiva. A falta de recursos compromete a oferta de vagas e ameaça o acesso ao tratamento. Com o aumento da demanda e clínicas de diálise operando no limite, milhares de vidas estão em risco se medidas não forem adotadas.
Apesar da alta prevalência e do caráter silencioso da doença, há esperança. Exames simples, e disponíveis no SUS, permitem identificar a doença renal antes do surgimento dos sintomas. A creatinina no sangue e o exame de urina são ferramentas importantes para o diagnóstico; no entanto, poucos sabem sobre esses exames. A creatinina – que não deve ser confundida com a creatina - é um marcador da função renal e o aumento em seus níveis pode indicar doença renal. Indivíduos com hipertensão, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, história familiar de doença renal, além de idosos e tabagistas, fazem parte do grupo de risco e devem realizar exames regulares.
Na segunda quinta-feira de março, nos unimos para celebrar o Dia Mundial do Rim. Em 2025, a data é 13 de março, e o Brasil se destaca com cerca de 1.200 ações em todo o país, levando conscientização, diagnóstico e prevenção a milhares de pessoas. Seus rins estão OK? Esse é o slogan da campanha. Além do alerta individual, a campanha traz um chamado coletivo: precisamos olhar para a saúde dos rins. Em todos os níveis. Precisamos discutir a crise da diálise no Brasil, que compromete princípios fundamentais do SUS, como universalidade e integralidade. A revisão do financiamento da terapia renal substitutiva no SUS é urgente para garantir recursos adequados e expandir a assistência. É necessária uma linha de cuidado integral e efetiva para pacientes adultos e pediátricos com doença renal crônica. A prevenção e o rastreamento da doença renal crônica são estratégias fundamentais para mudar essa realidade. A saúde dos rins não pode ser negligenciada – nem por indivíduos, nem pelos gestores públicos. Esse será o grande Oscar na saúde pública em 2025. Nossos rins ainda estão aqui, e precisam de atenção.
*José A. Moura Neto é presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia
*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
