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O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato do partido à Presidência da República, encaminhou nesta terça-feira (2) um ofício ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando que o governo americano não aplique novas barreiras comerciais ao Brasil.
A carta, redigida originalmente em inglês, foi obtida pelo G1 e ocorre após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propor a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre as importações brasileiras, com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Momento do encontro em Washington | Foto: Reprodução / Redes Sociais
Nos bastidores políticos, a movimentação é interpretada como um reflexo direto da preocupação do grupo bolsonarista com o desgaste de imagem que um novo "tarifaço" poderia acarretar para a campanha presidencial de Flávio. Confira abaixo a tradução oficial do ofício encaminhado a Marco Rubio:
"Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. Os contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes.
O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente, Flávio Bolsonaro", termina a carta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou diretamente, nesta terça-feira (2), a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela elaboração de um relatório governamental dos Estados Unidos que propõe uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A proposta americana alega a existência de práticas restritivas ao comércio por parte do Brasil.
Veja o momento:
Durante discurso em um evento no município de Catalão, no sul de Goiás, o petista subiu o tom contra os filhos do ex-mandatário, classificando-os como "traidores" e "vendilhões da pátria".
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele, e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores”, dispara Lula.
O presidente ainda relembrou o passado brasileiro, com o herói símbolo da República nacional: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, pontua.
Em nota oficial, o governo brasileiro manifestou "indignação" com o relatório apresentado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). No comunicado, o Executivo federal argumentou que o documento foi produzido sob "provocação da família Bolsonaro" e criticou o que considerou uma tentativa de ingerência em assuntos internos do país.
O próprio Trump fez uma postagem agradecendo a reunião com Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro no Salão Oval. "Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu o presidente norte-americano.
Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, reagiu às declarações e articulações do Partido dos Trabalhadores que o associam a essa nova onda de tarifas. Negando que tenha pedido mais tarifas ao Brasil.
"Eu pedi expressamente: 'não taxem as empresas brasileiras'. Em 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa", relata Flávio em entrevista à Rádio Itatiaia.
Relembre em postagem do senador:
(Nota atualizada às 19h07 para incluir hiperlinks e postagens)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar publicamente o encontro que teve com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado na Casa Branca na semana passada. Em publicação feita nesta terça-feira (2) na rede social Truth Social, Trump elogiou o parlamentar brasileiro e destacou a reunião ocorrida no Salão Oval.
"Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu o presidente norte-americano.
A postagem foi divulgada no mesmo dia em que o governo dos Estados Unidos apresentou uma proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de supostas práticas consideradas restritivas ao comércio americano.
Após a repercussão, Flávio afirmou que pediu diretamente ao vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, que evitassem medidas que prejudicassem empresas brasileiras.
CONFIRA:
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tarifa global de 10%, com efeito imediato, nesta sexta-feira (20). A medida veio após a Suprema Corte do país derrubar o tarifaço imposto pelo republicano em diversos países.
O anúncio foi realizado em coletiva de imprensa nesta terça, ao mesmo tempo que ele fazia uma publicação com a medida na rede social “Truth Social”.
Em declaração a jornalistas, Trump afirmou que há "métodos ainda mais fortes" à sua disposição para impor novas tarifas comerciais. "Outras saídas serão usadas", disse, acrescentando que os EUA podem arrecadar "ainda mais dinheiro".
Ele anunciou, então, que recorrerá à Seção 122, dispositivo da legislação comercial dos EUA que permite ao presidente impor tarifas temporárias, para estabelecer uma nova tarifa global de 10%.
Segundo publicação do G1, Trump também afirmou que recorrerá à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais desleais, o que pode resultar em tarifas adicionais. Além disso, classificou a decisão da Suprema Corte como "vergonhosa" e "terrível", e disparou contra os ministros do tribunal americano.
"Os ministros que votaram contra as tarifas são uma vergonha para a nossa nação. Nossa Suprema Corte está sendo pressionada por interesses estrangeiros", afirmou o republicano.
A decisão desta sexta atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo.
A balança comercial brasileira bateu um recorde histórico no mês de dezembro de 2025, ao alcançar um superávit de US$ 9,6 bilhões. Apesar do bom resultado de dezembro, entretanto, o saldo final do comércio exterior registrou um recuo de 7,9% em relação ao resultado observado em 2024, e o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos tem relação direta com a queda.
Segundo dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil registrou superávit de US$ 9,6 bilhões em dezembro de 2025.
O resultado apresentado pelo Mdic representa um avanço de 107,8% na comparação com o mesmo mês de 2024, quando o saldo positivo foi de US$ 4,6 bilhões. O patamar atingido no último mês de 2025 também é recorde para o mês na série histórica iniciada em 1997.
No cálculo dos 12 meses de 2025, a balança comercial teve um superávit de US$ 68,3 bilhões, um recuo foi de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo positivo foi de US$ 74,2 bilhões. O saldo é formado pela diferença entre as exportações, que foram de 348,7 bilhões, e as importações, que chegaram a US$ 280,4 bilhões.
Em relação a 2024, houve um aumento de 3,5% no volume total das exportações. Entretanto, as importações acabaram subindo mais, em 6,7%, e por isso o saldo final foi menor na comparação entre os dois anos.
Um outro bom resultado foi apurado na corrente de comércio, que também bateu recorde, totalizando US$ 629,1 bilhões. A alta da corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, foi de 4,9% no ano de 2025 em relação a 2024.
O saldo observado em 2025 foi o terceiro maior da série histórica, atrás apenas de 2023 e 2024 — ano que fechou com superávit de US$ 74,177. O recorde registrado foi em 2023, que fechou em US$ 98,9 bilhões.
O superávit poderia ter sido maior neste ano se não fosse a imposição do tarifaço aos produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. As tarifas de até 50% impostas pelos EUA entraram em vigor em 6 de agosto.
A medida deixou as exportações do Brasil aos Estados Unidos mais caras. Somente em 14 de novembro o presidente norte-americano anunciou a redução em 40% das tarifas de importação sobre diversos produtos brasileiros, como carne bovina, café, tomate e banana, entre tantos outros.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Luiz Inácio Lula da Silva
"Eu fiquei triste, porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque ele é um dos melhores advogados desse país, ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer? Eu vou mandar o Messias outra vez. Por respeito à função presidencial, sou eu que indico".
Disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao confirmar que vai enviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF). O AGU teve sua primeira indicação rejeitada no Senado no último dia 29 de abril.