Balança comercial tem recorde histórico em dezembro, mas ano fecha menor do que em 2024 por conta do tarifaço
Por Edu Mota, de Brasília
A balança comercial brasileira bateu um recorde histórico no mês de dezembro de 2025, ao alcançar um superávit de US$ 9,6 bilhões. Apesar do bom resultado de dezembro, entretanto, o saldo final do comércio exterior registrou um recuo de 7,9% em relação ao resultado observado em 2024, e o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos tem relação direta com a queda.
Segundo dados divulgados nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil registrou superávit de US$ 9,6 bilhões em dezembro de 2025.
O resultado apresentado pelo Mdic representa um avanço de 107,8% na comparação com o mesmo mês de 2024, quando o saldo positivo foi de US$ 4,6 bilhões. O patamar atingido no último mês de 2025 também é recorde para o mês na série histórica iniciada em 1997.
No cálculo dos 12 meses de 2025, a balança comercial teve um superávit de US$ 68,3 bilhões, um recuo foi de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo positivo foi de US$ 74,2 bilhões. O saldo é formado pela diferença entre as exportações, que foram de 348,7 bilhões, e as importações, que chegaram a US$ 280,4 bilhões.
Em relação a 2024, houve um aumento de 3,5% no volume total das exportações. Entretanto, as importações acabaram subindo mais, em 6,7%, e por isso o saldo final foi menor na comparação entre os dois anos.
Um outro bom resultado foi apurado na corrente de comércio, que também bateu recorde, totalizando US$ 629,1 bilhões. A alta da corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, foi de 4,9% no ano de 2025 em relação a 2024.
O saldo observado em 2025 foi o terceiro maior da série histórica, atrás apenas de 2023 e 2024 — ano que fechou com superávit de US$ 74,177. O recorde registrado foi em 2023, que fechou em US$ 98,9 bilhões.
O superávit poderia ter sido maior neste ano se não fosse a imposição do tarifaço aos produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump, dos Estados Unidos. As tarifas de até 50% impostas pelos EUA entraram em vigor em 6 de agosto.
A medida deixou as exportações do Brasil aos Estados Unidos mais caras. Somente em 14 de novembro o presidente norte-americano anunciou a redução em 40% das tarifas de importação sobre diversos produtos brasileiros, como carne bovina, café, tomate e banana, entre tantos outros.
