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Adriano Sampaio
E se o maior erro das previsões eleitorais não estiver nas pesquisas, mas na forma como interpretamos o eleitor indeciso?

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Modelo proprietário desenvolvido pela Duplamente Inteligência de Mercado desafia a distribuição proporcional dos votos e propõe uma nova leitura das trajetórias eleitorais brasileiras

Multimídia

Mansur diz que candidatura feminina no PSOL deve ser decidida pelas mulheres

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O candidato ao Governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, afirmou que a legenda tem ampliado a participação feminina nas disputas majoritárias, mas é necessário que "as mulheres decidam" disputar um lugar na majoritária. A declaração ocorreu durante entrevista à série especial “Vota BN”, do Projeto Prisma, do Bahia Notícias, com Fernando Duarte. Para ele, a escolha precisa partir das próprias integrantes do partido.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

Pesquisa: setembro amarelo

No Voz Própria, André Gordilho analisa Setembro Amarelo: “Apenas falar sobre não vai salvar vidas”
Foto: Bahia Notícias

“Apenas falar sobre não vai salvar vidas”. A afirmação é do psiquiatra André Gordilho, convidado do novo episódio do Voz Própria, podcast do Bahia Notícias apresentado por Keila Xavier e Jordan Dafner. O episódio vai ao ar nesta quarta-feira (16), às 19h, no canal do Bahia Notícias no YouTube, e traz uma conversa sobre saúde mental, prevenção ao suicídio, transformações da psiquiatria e a trajetória pessoal e profissional do médico.


Durante o episódio, Gordilho faz uma análise crítica sobre a efetividade das campanhas midiáticas realizadas durante o Setembro Amarelo. Segundo o psiquiatra, embora falar sobre suicídio e saúde mental seja importante para conscientizar a população e combater estigmas, os indicadores mostram a necessidade de avançar para ações concretas e permanentes de prevenção, tratamento e acolhimento.


Criado no Brasil em 2015, o Setembro Amarelo se consolidou como a principal campanha nacional de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Apesar da maior visibilidade dada ao tema, os números continuam preocupantes. Estudo do Cidacs/Fiocruz Bahia, em parceria com pesquisadores de Harvard e publicado na The Lancet Regional Health - Americas, apontou crescimento médio anual de 6% na taxa de suicídio entre jovens brasileiros entre 2011 e 2022.

 

Dados mais recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) apontam 16.751 mortes por suicídio em 2024, diante de 10.653 registros em 2014, crescimento de aproximadamente 57% no número absoluto de mortes em uma década. Os dados, isoladamente, não permitem atribuir o aumento à efetividade ou não do Setembro Amarelo, mas reforçam o argumento apresentado por Gordilho sobre a necessidade de ampliar as estratégias de enfrentamento.

 

Para o psiquiatra, a conscientização precisa caminhar junto com medidas capazes de identificar pessoas em risco e garantir acesso efetivo à assistência em saúde mental. Formado em Medicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública em 1996, André Gordilho realizou residência médica no Hospital Juliano Moreira, é especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, mestre em Medicina e Saúde Humana pela Bahiana e possui especialização em Psicogeriatria.

 

Também é International Fellow da American Psychiatric Association e atua na área de Psiquiatria Intervencionista. No Grupo Bom Viver, é diretor técnico-médico e coordenador do Serviço de Psiquiatria Intervencionista. No Voz Própria, Gordilho também relembra sua história pessoal e conta como surgiu o interesse pela psiquiatria. A conversa aborda ainda a evolução dos tratamentos psiquiátricos ao longo da história, os avanços da especialidade e as perspectivas do médico sobre desafios e contradições relacionados à luta antimanicomial.

 

Foto: Bahia Notícias

 

Apresentado por Keila Xavier e Jordan Dafner, o Voz Própria é um projeto do Bahia Notícias que parte das histórias e experiências de seus convidados para promover conversas sobre temas relevantes da sociedade, reunindo personalidades de diferentes áreas em entrevistas que transitam entre trajetória pessoal, carreira e questões contemporânea.

Setembro Amarelo: Entenda como a psicologia atua no acolhimento a vítimas de crimes violentos na Justiça
Foto: Marcos Santos / USP

A dimensão psicológica da dor é uma área cinzenta e ainda pouco explorada nos estudos das ciências sociais aplicadas. Na área do Direito e Justiça, o olhar estritamente factual afasta os processos judiciais do seu próprio sujeito, a vítima que sofre e/ou denuncia crimes violentos. No mês do Setembro Amarelo, em que às temáticas relacionadas a garantia da saúde mental e acolhimento psicológico são destacadas nas campanhas de saúde, o Bahia Notícias investigou os usos da psicologia jurídica e os mecanismos de acolhimento às vítimas de crimes violentos no âmbito da Justiça. 

 

A reportagem conversou com profissionais que atuam nessas instâncias diariamente para compreender de que forma as pessoas mais vulneráveis, vítimas de crimes com grande impacto psicológico, são tratadas e amparadas no judiciário baiano.

 

ACOLHIMENTO INICIAL 
Em conexão direta com a sociedade civil, o psicólogo Tadeu Ferreet, da Coordenadoria da Mulher, relata o trabalho realizado pela Casa da Mulher Brasileira no acolhimento primário das vítimas. 

 

A Casa da Mulher Brasileira é fruto de um projeto nacional, vinculado ao “Programa Mulher Viver Sem Violência” do governo Dilma Rousseff, que funciona como um centro de acolhimento às mulheres vítimas de violência, onde elas podem encontrar a Delegacia Especializada, o Juizado Especial, o Núcleo da Promotoria e da Defensoria Pública em um só lugar. Em Salvador, a Casa fica localizada na Avenida Tancredo Neves, no bairro do Caminho das Árvores. 

 

Em entrevista, Tadeu conta que a maioria das mulheres chega à Casa da Mulher já possuem conhecimento sobre o funcionamento dela, e todas passam por um núcleo de atendimento psicossocial. “Elas entram na casa através do psicossocial. A primeira vez que a mulher chega na Casa da Mulher Brasileira, ela obrigatoriamente passa pelo serviço do psicossocial e através do psicossocial, que faz uma triagem, ele encaminha essa mulher para a DEAM [Delegacia Especial de Atendimento a Mulher], ou para o Tribunal de Justiça, ou para o Ministério [Público] ou para a Defensoria [Pública]”, explica. 

 

O atendimento do Tribunal de Justiça na Casa acolhe as mulheres que já possuem processos relacionados a medidas protetivas ou violências diversas, assim como fornece informações aquelas que desejam acionar a Justiça. “A gente faz esse trabalho para o acompanhamento dos processos que elas já tenham ou para dar as informações necessárias, caso elas procurem a Casa da Mulher Brasileira através do Tribunal de Justiça para dar entrada ou solicitar uma medida protetiva”, sucinta. 

 

Ferreet conta que “o perfil da mulher que chega para a unidade do Tribunal de Justiça que funciona dentro da Casa é de mulheres pretas, com a faixa etária de 20 a 40 anos, muitas vezes mães solos, desempregadas, num nível de vulnerabilidade social, econômico e cultural muito grande”. 

 

O psicólogo, professor e palestrante detalha que o acolhimento psicológico no âmbito da Coordenadoria na Casa da Mulher funciona como um processo inicial de escuta e “estabilização” da vítima, para que ela possa dar seguimento os processos burocráticos. 

 

“Quando eu estou lá eu recebo essa mulher, faço a escuta em um ambiente seguro, seguindo as normas do nosso Conselho de Ética. Então, a gente faz a escuta, faz o acolhimento e  caso necessário, mesmo que essa mulher já esteja mais tranquila, mais calma e tenha a resposta daquilo que ela precisava, a gente faz o encaminhamento dela para uma sequência de inserções terapêuticas através do Centro de Referência Loreta Valadares, que funciona também dentro da Casa da Mulher Brasileira”, esclarece Ferreet.

 

“Mas o nosso atendimento ele é pontual, para que a gente entenda, compreenda e encaminhe. Se for necessário, a gente faz relatório”. Ele relata que os relatórios são padronizados e utilizados como registros em casos de adesão ou suspensão de medidas protetivas, por exemplo. 

 

Responsável pelo atendimento inicial e “pontual” de acolhimento, Tadeu reforça a necessidade da continuidade dos atendimentos, especialmente para vítimas de crimes violentos. “Dentro desse processo, essa mulher tem a possibilidade de voltar para o mercado de trabalho, de fazer curso de qualificação, de fazer cadastro de vagas de emprego, ela tem possibilidade de participar de rodas de conversa, de grupos de mulheres que passaram pela mesma situação. Então, aos poucos, essa dignidade, esse empoderamento, ele vai sendo apresentado a essas mulheres”, conclui. 

 

ASSISTÊNCIA SOCIAL E PSICOLÓGICA
O atendimento psicológico continuado pode ser realizado pelo Centro de Acolhimento Loreta Valadares, dentro da própria Casa da Mulher Brasileira, mas, para aquelas vítimas que já possuem um processo judicial em andamento, o Centro Especializado de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAV), também vinculado ao Tribunal de Justiça da Bahia, realiza um atendimento contínuo a essas vítimas.

 

O Bahia Notícias entrevistou a psicóloga Cristina Goulart, responsável pela equipe de atendimento psicológico, e a juíza Maria Fausta Cajahyba, titular da 5ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Salvador e coordenadora do CEAV. Na gestão do Centro, Fausta ressalta que parte das varas do Tribunal possuem, em si mesmas, centros de acolhimento às vítimas. A atuação do CEAV é um canal especializado de atendimento, acolhimento e orientação às vítimas diretas e indiretas de crimes e atos infracionais.

 

“Ele é específico para qualquer tipo de vítima, seja vítima de crime e de ato infracional. A diferença é que ato infracional é quando o ato análogo a crime é praticado por adolescente. Mas para o atendimento podem ser as vítimas diretas, que são atendidas, e as vítimas indiretas, as pessoas impactadas pelo ato, como mãe, pai da vítima, pessoas que estão próximas. No caso de vítimas de homicídio, [a vítima atendida] é a família, vítima de desaparecimento também é a família. Então são as vítimas indiretas, além das vítimas propriamente ditas”, explica a magistrada. 

 

Inaugurado oficialmente em 2023, o Centro Especializado de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (CEAV) funciona na Travessa Marcelino, no bairro da Liberdade. O Centro pode acessado por qualquer pessoa vítima de um processo ou procedimento, seja na delegacia ou na esfera judicial. 

 

A juíza Fausta Cajahyba explica ainda que o trabalho do CEAV também possui um viés social, e não apenas terapêutico. Para o atendimento dessas vítimas, a coordenadora explica que “os casos podem ser encaminhados pelo juiz, ou a pedido das partes, a pedido do Ministério Público, mas o processo continua tramitando na vara.”

 

“É encaminhada a situação da vítima, porque isso não é um atendimento processual, é um atendimento de assistência e apoio. Quando o juiz encaminha uma vítima para lá, ela vai, se apresenta, diz que responde ao processo tal, com ofício e ela vai dizer a situação dela e a depender, ela pode ser encaminhada”, diz. Fausta cita um caso de agressão física, por exemplo. Neste caso, o CEAV aciona uma rede de apoio envolvendo hospital públicos, oferece informações sobre os direitos da vítima e a encaminha para o apoio psicológico. O mesmo vale para acesso a programas assistenciais, a exemplo dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), ou previdenciários. 

 

ACOLHIMENTO CONTINUADO
Já no que diz respeito ao atendimento psicológico e terapêutico, o CEAV realiza o direcionamento das vítimas ao Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc), onde atua a psicóloga Cristina Goulart, que coordena um grupo de profissionais da psicologia na unidade. 

 

“Somos um grupo de psicólogas que atendemos as pessoas que passam por pela Justiça Restaurativa, que são usuários da Justiça, que procuram a Justiça e estão em situação então de e buscando métodos compositivos da Justiça Restaurativa”, contextualiza. 

 

Ela explica que os atendimentos no Cejusc funcionam como um atendimento mais próximo e contínuo com a vítima. “O atendimento que a gente faz é para dar um suporte para esse novo momento que ela tá vivendo, crítico, de estar sendo vítima de uma situação de violência, e geralmente ela precisa de suporte para passar por esse momento, refletir e decidir o que ela vai querer da vida dela, o que ela busca e o que ela precisa fazer”, detalha Cristina. 

 

A coordenadora da equipe explica que o atendimento funciona como um acompanhamento terapêutico convencional, com sessões semanais, quinzenais ou mensais, sempre garantindo um acompanhamento contínuo que pode ser individualizado ou com atividades em grupo. 

 

A especialista explica que além do atendimento no Centro, a equipe pode dar suporte as vítimas no momento dos processos judiciais. “A gente dá um suporte também, muitas vezes, a mulheres que vão para a audiência, mas ela não querem ver o ex-companheiro. Então, hoje a maioria das juízas tem a sensibilidade de colocá-la numa outra sala, enquanto faz audiência com o suspeito e depois faz com ela, e muitas vezes [a juíza] pede para que a gente esteja presente para dar o suporte para ela, porque ela fica muito nervosa, com muito medo”, relata. 

 

Ao BN, a psicóloga do Cejusc indica que, atualmente, cerca de 20 profissionais atuam na rede multidisciplinar da unidade. Segundo ela, considerando o formato dos atendimentos, os pacientes acolhidos podem dar continuidade ao acompanhamento psicológico mesmo após o final do processo judicial, assim como também possuem a liberdade para abandonar o projeto quando quiserem. 

 

“A gente respeita muito a demanda da pessoa, a demanda da vítima”, afirma Cristina. Ela conta que existem diferentes perfis de pacientes. “Tem umas [vítimas] que entram, mas só querem é um acolhimento mesmo, ficamos um tempo lá, se está se sentindo mais segura, e bem, está retomando a vida e para ela já finalizou o processo. Tem outras que chegam a ficar às vezes 2 anos em atendimento”, relata. 

 

Além dos trabalhos com as vítimas, o Cejusc ainda realiza atendimentos educativos aos suspeitos, a exemplo de homens acusados ou condenados por crimes contra a mulher. O  Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas funciona no mesmo prédio que o CEAV, na Travessa Marcelino, em Salvador. 

 

ANÁLISE VERSUS ACOLHIMENTO 
Diferentemente dos profissionais que realizam acolhimento a vítimas de violência no âmbito do judiciário, outros profissionais da psicologia atuam na dimensão técnica e analítica dos processos judiciais. Para conversar sobre isso, o Bahia Notícias conversou com a psicóloga perita judicial e especialista em Análise Funcional do Comportamento, Normanda Vidal. 

 

A profissional, que atua em uma clínica especializada, é uma das psicólogas habilitadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). “Eu trabalho com a psicologia forense. Esse trabalho ele é feito por meio de perícia, quando nomeada pelo juiz, a gente faz experiências psicológicas e entrega laudos e estudos psicossociais para o juiz a pedido”, explica. “A depender da demanda e fora do sistema judicial, eu trabalho como psicóloga, assistente técnica jurídica, contratada por uma das partes para fazer produção de quesitos, pareceres técnicos, laudos psicológicos, relatórios, no enfoque judicial”, conclui.

 

A especialista ressalta a complexidade e a sensibilidade do tema no âmbito do judiciário: “A própria Justiça ainda está tateando, engatinhando nessa questão da percepção, análise e julgamento da violência psicológica. O que eu vejo na realidade é que tem medidas protetivas lançadas para proteger a mulher dessas violências psicológicas, porém, nas varas de violência, especificamente, a gente encontra uma adesão ao processo psicológico”, indica. 

 

“Mas na hora de prestar uma avaliação, no âmbito do processo, que configure esse estudo de nexo causal, ou seja, como esse trauma, esse foi causado ou foi piorado por uma violência psicológica entre parceiros, no caso, a gente não percebe que tem esse estudo muito bem estruturado, sendo utilizado da maneira como deveria”, completa Normanda. 

 

No caso dos processos judicias, a psicóloga detalha o funcionamento das suas frentes de atuação: “O juiz pode solicitar um estudo social, em caráter oficial e nesse caso eu agirei como uma psicóloga perita do juízo. Só psicólogos cadastrados no sistema do TJ-BA, estão aptos para serem nomeados pelos magistrados. Também pode ocorrer de uma das partes solicitar essa assistência técnica psicológica jurídica”. 

 

Especialista em “casos de difícil manejo”, ou seja, casos clínicos de difícil diagnóstico ou acompanhamento como transtornos de personalidade e entre outros, a profissional destaca que a lisura do processo, quando contratados em regime particular por uma das partes de um processo, é garantida por meio das cláusulas de contrato. 

 

A psicóloga cita, como exemplo, uma disputa judicial entre duas partes com relação a uma acusação de abuso sexual infantil. Em uma situação sensível como esta, Normanda defende a clareza no processo. Ela conta que já levou mais de dez meses investigando certos casos. “O que as pessoas precisam entender é que o psicólogo, assistente técnico, ele não é advogado do cliente. O advogado, o cliente já tem. O assistente técnico psicólogo não está ali para defender o cliente, para ser torcida organizada do cliente, para ser amigo do cliente. A gente está fazendo ali um processo avaliativo técnico, criterioso, sistemático, que precisa invariavelmente estar pautado pelo Código de Ética do psicólogo que nos garante autonomia e nos obriga a imparcialidade dos resultados”, destaca. 

 

Realizando um trabalho diferente dos colegas citados anteriormente, Normanda ressalta a importância de um processo cuidadoso de análise técnica psicológica: “Eu tenho um protocolo que foi se refinando nos últimos anos. São protocolos muito criteriosos, muito aprofundados, que tem várias etapas para entregar vários tipos de documentos para esse cliente posteriormente. A gente faz um processo longo porque chegam muito processos sensíveis para mim. Tem casos que eu levo 10 meses investigando a vida das pessoas, virando a vida delas do avesso para saber se aquela denúncia ela se confia, firma ou ela se refuta”, conclui. 

 

A inserção da psicologia no processo judicial é, para a juíza Fausta Cajahyba, uma tentativa da Justiça de se aproximar das vítimas dos processos. “Hoje em dia, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é o órgão administrativo máximo do judiciário, tem se preocupado com essa atenção à vítima, coisa que não existia”, contextualiza. 

 

“Existia uma política pública para atenção e apoio às vítimas de crime de ato infracional, mas agora existem equipamentos para isso, porque hoje está-se dando mais voz à vítima, mais atenção à vítima. O sistema de justiça era muito preocupado em apenas punir o culpado, a vítima era ouvida somente para dar informação, para descobrir quem era o autor [do crime ou ato infracional]. Hoje a vítima está tendo voz, seja pelos movimentos da Justiça Restaurativa, seja pela própria preocupação do dos tribunais e do Poder Judiciário, mas principalmente, porque isso é uma obrigação ética, uma obrigação humana”, completa. (A reportagem foi atualizada às 14h para retificação de um dos cargos da psicóloga Cristina Goulart)

Setembro Amarelo: Bahia promove noite de conversa sobre saúde mental com atletas e colaboradores da Associação
Foto: Bernardo Fontes/Nós Produzimos

“A gente nunca joga sozinho.” Foi com essa mensagem que o Esporte Clube Bahia — Associação reuniu atletas, comissão técnica e colaboradores na noite da última quarta-feira (17), em um encontro voltado para a saúde mental. O evento, realizado na sede tricolor, na Avenida Tancredo Neves, integra o conjunto de ações promovidas pelo clube dentro da campanha Setembro Amarelo.

 

Foto: Bernardo Fontes/Nós Produzimos

 

O bate-papo foi conduzido pelo psicólogo Rafael Ramos, especialista em Psicologia do Esporte e Análise do Comportamento. Com linguagem acessível e adaptada ao ambiente esportivo, ele buscou quebrar tabus, trazer informações sobre o tema e estimular reflexões por meio de atividades interativas.

 

“Cuidar da vida é o primeiro passo. Falar sobre Setembro Amarelo não é só sobre suicídio; é também falar sobre saúde mental”, destacou Rafael.

 

“No caso de atletas de alto rendimento, trata-se de entender como isso pode contribuir para o desempenho esportivo.”

 

A iniciativa contou com a presença de toda a Diretoria do clube. O presidente Emerson Ferretti ressaltou a importância do espaço.

 

“Ao longo de quase 30 anos como atleta, eu nunca tive a oportunidade de falar sobre saúde mental. Ficamos muito felizes em realizar esse evento e mostrar aos nossos atletas que eles não estão sozinhos: têm um clube que se preocupa e cuida deles.”

 

Acompanhamento contínuo

Durante o encontro, os atletas responderam anonimamente a um questionário sobre humor, autoconfiança e relacionamento. A partir das respostas, o clube implementará acompanhamento psicológico contínuo. Para o jogador de basquete Luiz Cruz, de 22 anos, o primeiro contato foi marcante:

 

“Nós, como atletas, somos muito cobrados pelo alto rendimento, que exige físico, técnica, tática e, também, o mental. A maior lição da noite foi entender como conciliar esses quatro pilares com nossa vida pessoal.”

 

O Bahia finalizou reforçando que, mesmo sendo de Aço, ninguém joga sozinho. O clube lembra que o Centro de Valorização da Vida (CVV) está disponível 24 horas pelo telefone 188 e no site cvv.org.br. O Bahia Notícias lembra que o atendimento é gratuito e sigiloso.

Em meio ao Setembro Amarelo, vereador sugere criação de “CAPS Móvel” em Salvador
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em meio a campanha nacional do Setembro Amarelo, em prol da saúde mental e combate ao suicídio, o vereador de Salvador, Everaldo Lopes, o Beca (Republicanos), propôs a criação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) Móvel na capital baiana. O projeto n° 387/2025, visa a capilarização do atendimento psicológico em comunidades soteropolitanas. 

 

“Os CAPS Móveis atuarão em articulação com os CAPS fixos, Unidades Básicas de Saúde (UBS), CRAS [Centro de Referência de Assistência Social], CREAS [Centro de Referência Especializado de Assistência Social] e outros serviços da rede de atenção psicossocial”, escreveu o legislador no texto, que atualmente está em processo de encaminhamento às comissões. 

 

Na justificativa do projeto, o vereador republicano indica que “as unidades móveis levarão o cuidado às ruas, comunidades e territórios invisibilizados, fortalecendo a política de atenção psicossocial, promovendo a inclusão e reduzindo internações desnecessárias”, destaca.

 

O projeto ainda define que os CAPS Móveis devem seguir os seguintes critérios: 

 

  • Espaço para atendimento individual e em grupo;
  • Equipamentos básicos para triagem, acolhimento e medicação;
  • Uma equipe multiprofissional (psicólogo, psiquiatra, assistente social, enfermeiro e técnico de enfermagem);
  • Sistema de registro digital integrado à rede municipal de saúde.

 

O projeto foi submetido no dia 11 de setembro, um dia depois da data oficial da prevenção ao suicídio. 
 

Setembro Amarelo: SEI divulga dados atualizados para prevenção ao suicídio no estado
Foto: Divulgação/Ascom/SEI

A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) apresentou a atualização do painel de dados sobre suicídios na Bahia. A iniciativa é realizada anualmente pela SEI de modo a contribuir com o Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização e prevenção ao suicídio, oferecendo informações sobre esse grave problema de saúde pública. 

 

Os principais resultados apontam que na Bahia, em 2023, foram registrados 902 casos de suicídios. O número representa um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior (2022). A taxa de vitimização por 100 mil baianos saiu de 5,7 para 6,0 no ano de 2023, ou seja, seis baianos a cada 100 mil foram vítimas de suicídios em 2023.

 

No decorrer dos últimos 23 anos, é possível observar que os suicídios são um fenômeno em expansão no estado e que se intensificaram a partir de 2019.

 

A análise do perfil da vítima de suicídio aponta para algumas observações importantes. A primeira delas é de que os homens têm um maior risco de vitimização. Em 2023, em termos proporcionais, 83,3% das vítimas eram homens, enquanto as mulheres representavam 16,7%. Quando analisada a idade da vítima, os adultos (de 30 a 59 anos) eram a maior parte dos casos (54,3%), seguidos de jovens (25,6%), idosos (19,2%) e crianças (0,9%). Outro padrão observado é a concentração de casos entre as vítimas solteiras (66,6%). Já os casados eram 20,7%.

 

O trabalho aponta que um terço das vítimas era trabalhador agrícola. Essa última observação não é um padrão exclusivo da Bahia, considerando que existem estudos internacionais apontando o alto número de suicídios em regiões intensivas em produtividade agrícola, a exemplo de países como Estados Unidos, África do Sul e China.

 

As informações do painel de dados sobre Suicídios na Bahia são extraídas dos microdados da base de registros da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), sistematizadas a analisados pela Diretoria de Indicadores e Estatística da SEI.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Do jeito que as coisas vão, não sei se o Soberano chega inteiro em outubro. Mas não foi o único que levou bola nas costas também. Tiveram que recorrer até ao passado pra lembrar da conexão entre o Pernambucano e o Capitão, por exemplo. Enquanto isso, o passado deixa outros tristes. Não é, Ferragamo? Mas o futuro também tira o sono de alguns. Alice no País das Maravilhas, por exemplo, já tem seu plano B. Saiba mais!

Pérolas do Dia

ACM Neto

ACM Neto
Foto: Maurício Leiro / Bahia Notícias

"Tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento". 

 

Disse o candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) ao se pronunciar sobre o pedido da Polícia Federal (PF) para realizar uma busca e apreensão relacionada a ele no âmbito da 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17). A medida, no entanto, foi negada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Podcast

Vota BN: Projeto Prisma entrevista o candidato ao governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) nesta segunda

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A sabatina faz parte da série especial "Vota BN", dedicada a sabatinar as principais lideranças políticas na disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado nas eleições de 2026. O programa é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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