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Tradicionais terreiros de candomblé de Salvador declaram apoio a Lula

Por Daniel Araújo

Tradicionais terreiros de candomblé de Salvador declaram apoio a Lula
Fotos: Reprodução / Redes Sociais

Tradicionais terreiros de candomblé de Salvador declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e convocaram suas comunidades e a sociedade a participar da disputa eleitoral. Em manifestações publicadas nas redes sociais, as instituições religiosas associaram o voto no petista à defesa da democracia, da liberdade religiosa, da justiça social e dos direitos dos povos de matriz africana.

 

Entre os espaços que se posicionaram estão os terreiros Casa Branca, do Cobre, Gantois, Ilê Asé Kalé Bokún, Bogum, Casa do Mensageiro e Casa de Oxumarê. As manifestações destacam a trajetória de resistência dessas comunidades diante do racismo, da intolerância religiosa e da repressão às práticas tradicionais de matriz africana.

 

CASA BRANCA E TERREIRO DO COBRE

No caso do Terreiro Casa Branca e do Terreiro do Cobre, a manifestação foi conjunta. Mãe Valnízia de Ayrá, ialorixá do Terreiro do Cobre e egbomi do Casa Branca, convocou integrantes das religiões de matriz africana, simpatizantes e pessoas de outras crenças a defender a democracia e votar em favor do futuro do Brasil.

 

O  Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Terreiro Casa Branca), foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 31 de maio de 1984 (com processo oficializado em 1986) Foi o primeiro terreiro e o primeiro monumento ligado à cultura negra a ser tombado como patrimônio histórico no Brasil.

 

TERREIRO DO GANTOIS

No Terreiro do Gantois, o posicionamento foi apresentado por Ângela Ferreira, Iyá Kekerê da casa, neta de Mãe Menininha do Gantois e filha de Mãe Carmen. Em publicação nas redes sociais, ela reafirmou o compromisso da comunidade com a democracia, a liberdade de crença e a preservação das tradições ancestrais. A manifestação também defendeu um Estado laico e a proteção dos direitos da população negra.

 

Ângela afirmou que, diante do cenário eleitoral, a comunidade enxerga no governo Lula a possibilidade de continuidade de um projeto comprometido com a justiça social, a igualdade, o respeito à diversidade e a liberdade religiosa. O posicionamento foi divulgado em um momento de luto e recolhimento da comunidade, com referência à responsabilidade de preservar os ritos e a ancestralidade para as próximas gerações.

 

Oficialmente denominado Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê, o Gantois está situado no bairro da Federação e é uma das principais referências do candomblé da nação Ketu. Sua história ficou especialmente ligada a Mãe Menininha do Gantois, uma das mais conhecidas lideranças religiosas do Brasil, que contribuiu para ampliar o reconhecimento público do candomblé. O terreiro foi tombado pelo Iphan em 2002.

 

 

ILÊ ASÉ KALÉ BOKUN

O Ilê Asé Kalé Bokún também declarou apoio explícito ao presidente. Em publicação de vídeo no Instagram, a Ialorixá Vânia de Oyá e membros da comunidade do terreiro, afirmaram que a instituição vota no petista, e associou a decisão à resistência histórica dos povos de matriz africana, à defesa da liberdade religiosa e à valorização de suas tradições. A casa ressaltou a importância de garantir que as comunidades de terreiro tenham voz na sociedade e que seus direitos sejam preservados.

 

Localizado no bairro de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário, é uma referência da tradição Ijexá e tem sua origem associada ao final do século XIX, com registros oficiais a partir de 1933. Fundado pelo babalorixá Severiano Santana Porto, preserva práticas rituais e tradições ancestrais, incluindo o culto às gueledés. O terreiro possui tombamento estadual e municipal pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) e recebeu, em julho de 2026, novo reconhecimento de proteção patrimonial pelo Governo da Bahia.

 

 

TERREIRO DO BOGUM

Já o Terreiro do Bogum divulgou uma manifestação com a afirmação de que a casa está com Lula. O texto recordou a perseguição enfrentada por homens e mulheres negros que mantiveram viva a tradição jeje e relacionou o apoio ao petista à defesa da democracia, dos direitos da população negra e da liberdade religiosa. A publicação também alertou para os riscos de retrocessos e para a permanência do racismo religioso.

 

Conhecido como Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó, fica no Engenho Velho da Federação e é uma referência da tradição Jeje-Mahi, ligada ao culto dos voduns. Sua história remonta ao século XVIII. Em 2026, o terreiro passou a integrar o conjunto de bens tombados pelo Governo da Bahia, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

 

CASA DE OXUMARÊ

A Casa de Oxumarê também anunciou voto em Lula, em nome de seu Babalorixá, Babá Pecê. A publicação recordou episódios históricos de perseguição, criminalização dos cultos e invasão de terreiros, além de destacar que o racismo religioso continua ameaçando comunidades e territórios. O texto defendeu a democracia e o direito de os praticantes do candomblé viverem sua fé e preservarem suas tradições.

 

Também conhecida como Ilê Oxumarê Araká Ogodô, está situada na região da Federação e é uma das tradicionais casas de candomblé de Salvador, ligada à tradição Nagô-Vodum. O terreiro foi tombado pelo Iphan em 2014.

 

 

 

 

CASA DO MENSAGEIRO

A Casa do Mensageiro, por sua vez, reafirmou o compromisso com a democracia, a justiça social, a liberdade religiosa e o respeito às comunidades tradicionais de matriz africana. Ao apresentar seu apoio a Lula, o terreiro destacou a importância de assegurar dignidade, oportunidades e respeito às comunidades, em referência à memória de seus ancestrais.