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Safra, sabor e sanfona: Relação entre Forró e São João vive entre a resistência e o resgate da tradição desde os anos 50

Por Eduarda Pinto / Bianca Andrade

Safra, sabor e sanfona: Relação entre Forró e São João vive entre a resistência e o resgate da tradição desde os anos 50
Foto: Joá Souza / GOV-BA

Triângulo, zabumba e sanfona. Os três elementos são identitários de um ritmo. Ritmo este que dita o som do São João. Mas quando começou a história do Forró com a maior festa cultural do Nordeste?

 

Para o São João de 2026, o Bahia Notícias preparou a série de reportagens “Safra, sabor e sanfona”, que exibe de forma especial as nuances que tornam o festejo junino uma das maiores manifestações culturais da Bahia, com destaque para as mudanças na dinâmica da agricultura, na comida que chega à mesa e nas celebrações embaladas pela música tradicional (ou não) da temporada.


Em entrevista ao Bahia Notícias, a educadora Sálua Chequer, que é mestra em Arte, Educação e Gestão Cultural pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo (Espanha), destaca que, para além da agricultura e das contribuições dos povos que constituem a nação brasileira – como demonstramos na última reportagem –, a religiosidade dos festejos é a raiz de diversos simbolismos.

 

São João, o santo católico que dá nome à festa, é João Batista, o último profeta do Antigo Testamento. Na história, as comemorações pagãs da Europa celebravam a colheita anual com fogueiras e rituais. Já a Igreja Católica adaptou as festas e associou a fogueira à história de nascimento do santo.

 

“Dentro da religiosidade, João tem uma importância muito grande”, diz a pesquisadora, que também se identifica como católica. “A tradição da fogueira remete à história de que Isabel (mãe de João) usou o fogo para anunciar a Maria que o filho havia nascido, e é ele que pronuncia o nascimento de Jesus. Então, João é importantíssimo, é o padroeiro da família”, conta Sálua.

 

É sabido que, no Brasil, a festividade foi trazida pelos jesuítas e colonos portugueses como a "Festa Joanina", que se misturou aos costumes indígenas e africanos. E uma das contribuições culturais que nascem nas regiões Norte e Nordeste é a dança e a musicalidade. Para Sálua Chequer, “além de manter viva a tradição, o que funciona na festa também é a música”.

 


Foto: Agência Brasil 

 

Ela explica que o “forró é tão importante que, em muitos lugares, recebe o nome do evento". "as pessoas falam: ‘Onde é que vai ser o forró?’, ‘vai ter o forró de tal lugar’, ‘quando é o forró da escola?’. Existe o forró como evento, mas também como gênero musical”.

 

Para a pesquisadora, que já se debruçou a estudar sobre produção cultural, “a música tem um papel muito grande, tem um papel social de, nas próprias letras, cantar, representar-se dentro da poesia, da composição, a história do milho, da reza, da devoção, da vida”. “Então, as letras da música também passam essa mensagem que representa, de uma forma grandiosa, o significado da festa para a gente”, ressalta.

 

Ao BN, Sálua narra que é justamente neste aspecto simbólico que as mudanças hoje observadas na festa causam maior impacto. Segundo ela, a festa, a partir do formato de mega-shows, perdeu parte do apelo à coletividade.

 

“Hoje [a festividade] tem um outro caráter. Eu acho bacana, inclusive, que Salvador, como uma capital nordestina tão importante, faça esse movimento de se ter essa festa no Pelourinho, porque tem tudo a ver, até pela arquitetura, a história; lembra e remete às cidades do interior. O que me incomoda é a invasão de um repertório que não pertence e o caráter de mega-show”, explica.

 

Sálua destaca ainda que não é só a musicalidade que sai perdendo, mas outras manifestações culturais também vão sendo retiradas dos grandes eventos. “O que mantém vivas, por exemplo, as quadrilhas em Salvador é a periferia. Eu fui jurada por muito tempo do Arraiá da Capital, e era um show à parte, das roupas, da pesquisa, dos temas. Hoje está praticamente desaparecendo. Então, eu acho que precisa ter um zelo, um cuidado por tudo isso, é uma tradição”, defende.

 

Ela sustenta que um dos principais vetores para essa mudança é, justamente, o interesse do mercado de turismo, que supera a preservação cultural. “O interesse, a coisa do turismo vem e, assim, se você estivesse mostrando ao turista que aqui chega alguma coisa de verdadeira, bacana, bonita, mas não é. Não me bote uma banda de pagode, de axé ou de sertanejo tocando e diga que isso é São João, porque não é”, afirma a mestra em Arte, Educação e Cultura.

 

E é a partir desta crítica que artistas, produtores e gestores culturais se mobilizam para promover o ativismo em torno da valorização dos ritmos internacionais na festa junina. Entre as entidades que trabalham ativamente neste tema está o Fórum do Forró Raiz.

 


Foto: Fernado Vivas / GOV-BA

 

APELO À SANFONA
Não há aquele que não pense em dançar um "dois para lá, dois para cá" quando junho bate à porta. Por anos, o forró tem sido associado ao São João como o estilo que dá o tom da festa, ainda que tentem descaracterizar o festejo com a inserção de novos estilos. Mas a história do forró — gênero candidato ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco — com o São João é antiga: coloque na conta mais de meio século de duração.

 

“Essa relação do forró como elemento identificador do São João começa na década de 50. Porque começam a surgir os grandes sucessos de Luiz Gonzaga ali no final dos anos 50. Há a identificação do forró como uma força muito grande no Brasil, especialmente no Nordeste, e começam a acontecer festas em palhoças [com paredes de pau a pique e cobertura de sapê], em arraiais…”, conta o cantor Del Feliz.

 

O cantor, um dos principais nomes do gênero na Bahia e embaixador da campanha para que o Forró de Raiz seja reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, conversou com o Bahia Notícias sobre a ligação do gênero com a festa.

 

 

Segundo Del, a cidade de Entre Rios, a aproximadamente 140 km de Salvador, teve um papel fundamental na intensificação dos festejos juninos no formato que o público conhece atualmente.

 

“Aqui na Bahia tem um marco muito importante em Entre Rios, num evento que era realizado por seu Manoelito Argolo para o povão naquela época. Era uma festa feita para o povo, de graça, onde você tinha ali Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino, que eram considerados grandes símbolos da música nos anos 60. Dali originou, inclusive, a ideia das festas de prefeituras, porque isso não começou, obviamente, com as grandes festas de prefeituras; foi um caminho primeiro percorrendo essa via da festa particular.”

 

A associação do forró com o São João na Bahia, de acordo com Del, ainda teve a pressão do consumo do público. “A música escolhida, com a qual as pessoas se identificavam, era essa música feita por Trio Nordestino, Luiz Gonzaga, Marinês. Aí você vai ter aqui na Bahia uma pressão muito forte também do Negrão dos Oito Baixos e tantos outros fazedores do forró. O de duplo sentido ganhou uma força num determinado momento, como Genival Lacerda, Zé Nilton, Sandro Becker. É toda uma história que já está beirando aí bem mais de meio século”.

 

TRANSFORMAÇÃO DO FORRÓ
Desde o surgimento do gênero, o forró passou por diversas transformações. Para se ter uma ideia, em 2021, as Matrizes Tradicionais do Forró receberam o título de Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan, e o plano de salvaguarda inclui expressões como o baião, o xote, o xaxado, o chamego, o miudinho, a quadrilha e o arrasta-pé.

 

O surgimento de novos estilos não necessariamente implicou a descaracterização do gênero; no entanto, o interesse mercadológico no forró fez com que o estilo se afastasse de suas raízes, tirando o espaço de estrelas da música.

 

Ao BN, Del reforça: “A cultura não é estática; assim sendo, ela foi sendo moldada e se transformando, recebendo elementos”. Porém, o distanciamento de sua essência dificultou o caminho para que as matrizes tradicionais do forró prosperassem na festa na qual, até então, elas eram tidas como rainhas.

 

“Óbvio que o próprio forró de Luiz Gonzaga começou de uma outra forma. Ali no início tinha muita coisa de violão, de viola de sete cordas, de pandeiro, cavaquinho... A própria zabumba veio depois e o triângulo também, mas só que, com o passar do tempo, esses elementos se transformaram em símbolos. O próprio Gonzaga já tinha uma banda que o acompanhava, Alcymar Monteiro colocou logo um trio de metais, muita coisa agregando. O que eu acho que é natural, que essas coisas venham agregando, venham se amplificando, se moldando, mas sem retirar essa essência.”

 

Foto: Governo da Bahia

 

Para o músico e estudioso da área, é importante entender o contexto, analisar as mudanças e o impacto delas, e não demonizar a transformação. Del afirma que, mesmo com as transformações, o forró conseguiu prosperar e dar bons frutos em meio às novidades.

 

“A evolução traz para a gente uma série de outras coisas a partir dos anos 90. Você tem Mastruz com Leite, que já trazia uma batida bem diferente, Magníficos e dezenas e dezenas de outras bandas, a Calcinha Preta, Aviões do Forró, com batidas totalmente diferentes. Agora, se você me perguntar se esses novos artistas que fizeram outros estilos contribuíram [para o forró], eu acho que boa parte deles contribuiu muito. No meio dessas modinhas que foram surgindo, nós tivemos bandas, por exemplo, que fizeram sucesso nacional tocando a música essencialmente tradicional.”

 

Uma das bandas citadas pelo cantor foi o grupo paulistano Falamansa, que estourou nos anos 2000 fazendo o forró tradicional do Nordeste: “O forró que o Falamansa fazia nos anos 2000, que estourou nacionalmente, é o mesmo forró do Luiz Gonzaga. Eles contribuíram muito porque trouxeram, inclusive, uma linguagem da praia, da modernidade, de outros ambientes para a música, mas sempre com muito respeito, com muita poesia, com muita qualidade.”

 

FORRÓ DA RESISTÊNCIA
Para além da evolução do gênero musical, uma cadeia de produtores e gestores culturais busca avanços e garantias para o crescimento desse movimento enquanto manifestação cultural. O Fórum do Forró de Raiz é um movimento nacional que reúne músicos, pesquisadores e representantes do setor para debater políticas públicas e preservar a tradição. O movimento nacional, que nasceu em 2011, é focado em promover o reconhecimento e a valorização das matrizes rítmicas do forró.

 

Foi esse grupo que deu entrada no processo de reconhecimento das Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil.

 

O Bahia Notícias conversou com Fábio Barros, representante do movimento na Bahia. Ao destacar que o Fórum já possui adesão em mais de 17 estados do país, Barros conta que a conquista do registro de patrimônio imaterial ocorreu após anos de luta e, “ele fortalece os nossos argumentos, inclusive junto aos gestores públicos, e amplia a compreensão de que o forró não é apenas um entretenimento, é mais um patrimônio que precisa ser protegido e transmitido às futuras gerações”, diz Fábio.

 

Na definição da manifestação cultural que foi inscrita no Livro de Registro das Formas de Expressão, o Iphan também elegeu o forró como um supergênero musical, por reunir ritmos nordestinos, entre eles o xote, o xaxado, o baião, o chamego, a quadrilha, o arrasta-pé e o pé-de-serra.

 

Segundo o produtor cultural, que liderar o Fórum na região de Salvador e região metropolitana, após esse reconhecimento nacional, “a nossa principal bandeira hoje é garantir que o forró seja reconhecido não apenas como um ritmo musical, não apenas como um patrimônio cultural imaterial — que já é, na verdade —, mas como uma expressão cultural fundamental da identidade nordestina e brasileira”.

 

Foto: Andréa Rêgo Barros/Prefeitura de Recife 

 

Ele conta que o Fórum, na Bahia, tem expressividade em diversas regiões e municípios, mas vem buscando uma institucionalização que garanta uma cadeia de diálogo nos 27 territórios de identidade.  Ao BN, ele descreveu que o Fórum realiza mobilizações em diversos campos, mas principalmente no diálogo com a cadeia produtiva e no monitoramento das políticas públicas voltadas ao forró e suas manifestações “afiliadas”, como é o caso das quadrilhas juninas.

 

Para Fábio Barros, uma das principais bandeiras do grupo é pelo reconhecimento do forró como narrador oral da identidade nordestina. “O forró, na verdade, conta a história do nosso povo por meio das canções de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês e tantos outros mestres e mestras que registraram e registram as memórias do sertão, das migrações, das secas, das festas, dos amores, da fé e da resistência do nosso povo nordestino”, explica.

 

“O forró, então, acaba sendo uma ferramenta poderosa de educação, memória e pertencimento cultural”, destaca.

 


Foto: Acervo / Luiz Lua Gonzaga 

 

“O Fórum defende [o protagonismo do forró] porque os festejos juninos, logicamente aqueles financiados com recursos públicos, têm um compromisso com a preservação da identidade cultural de São João”, descreve. Esse compromisso com a tradição, no entanto, não significa a rejeição total à diversidade rítmica e cultural do próprio Nordeste.

 

“Quero deixar claro, em nome de todo o Fórum, que nós não somos contrários à diversidade musical, mas nós entendemos que ele deve ocupar uma posição central nas programações juninas. Ele precisa ser o protagonista na programação junina, o que não ocorre e não ocorreu, inclusive, nos últimos anos aqui no estado da Bahia", exemplifica Barros.

 

Para além do número de atrações musicais divididas por gênero, artistas de outros ritmos também acabam sendo privilegiados nos pagamentos de cachês juninos. Como divulgado anteriormente pelo próprio Bahia Notícias, o pagode, por exemplo, também chega com forte apelo no São João. Segundo o produtor, uma das formas de garantir mecanismos para chegar a um equilíbrio é a legislação.

 

Ele cita a tramitação, no Congresso Nacional, do PL Luiz Gonzaga (PL 3083/2023), que regulamenta um percentual mínimo de 80% para destinação de recursos públicos para artistas de forró em todas as festividades de São João no território nacional; e a Lei da Zabumba (Lei Estadual nº 13.368/2015), que determina que as contratações públicas devem obedecer a um percentual mínimo de 60% de profissionais que expressam e valorizam a cultura baiana.

 

Acontece que, no Congresso Nacional, o PL Luiz Gonzaga foi engavetado no Senado após aprovação na Câmara dos Deputados e, na Bahia, a Lei da Zabumba não obteve o resultado esperado pela categoria. Para Fábio, ela deu certo apenas na teoria. “Então foi uma lei, inclusive, que ficou morta, mas que é uma lei que pode ser, logicamente, repensada, reavaliada para que a gente possa usá-la de uma forma positiva. Talvez tenha algumas questões a corrigir nessa lei”, afirma. Ele explica, por exemplo, que falta uma especificação para a manifestação do forró.

 

Nessa luta pelo protagonismo dessas manifestações, o produtor cultural admite que os ritmos tradicionais saem perdendo frente aos demais ritmos que são incorporados no São João da Bahia. "O nosso entendimento é que a política pública deva equilibrar esse entretenimento, o desenvolvimento econômico e a preservação cultural do Brasil. Preservar o protagonismo, como eu falei, do forró, significa preservar a própria essência dessa festa”, ressalta Fábio.

 


Foto: Fernando Vivas / GOV-BA

 

DEPOIS QUE PASSA O SÃO JOÃO O VOLUME ABAIXA?
O tratamento dado ao forró por quem não consome o gênero é o de que o estilo é algo sazonal, ou seja, acabou junho, o forró pode sair de cena. Para Del Feliz, a história é outra e a cena prova que o forró resiste ao longo dos 11 meses do ano, ainda que junho tenha passado.

 

“Há uma discussão muito grande sobre sazonalidade porque, no São João, é o momento em que esses fazedores do forró teriam, em tese, a oportunidade de se apresentar nos palcos maiores, já que a festa foi espetacularizada e saiu dessas palhoças e ganhou os grandes palcos. Mas o forró dá para se fazer em qualquer momento, porque o forró é a música símbolo do Nordeste. O projeto Dominguinho agora é a prova do que a gente sempre defende: o povo ama o forró. De vez em quando tem uma desculpa diferente, como foi com o Falamansa, que naquela época batizaram de forró universitário porque as pessoas tinham vergonha de dizer que gostavam de forró, de música de nordestino. Mas as músicas que eles, Rastapé, Bicho de Pé e todas as bandas que eram do Sudeste faziam eram as mesmas que tocavam aqui.”

 

O cantor ainda fez questão de frisar o tamanho do forró para além do São João, com a propagação do estilo musical em todo o mundo fora de junho.

 

“O forró é perene, é um símbolo do Nordeste e da brasilidade também. Quando se decidiu que o samba, por exemplo, há décadas representaria a música brasileira, havia uma disputa muito dividida entre o samba e o baião de Luiz Gonzaga, que era o maior sucesso nacional. O forró nos representa o tempo inteiro, não é só o Nordeste, o forró representa a música brasileira. Eu vi, viajando pelo mundo, japoneses, chineses, portugueses, noruegueses dando aula de forró, tocando a nossa música. É realmente algo muito exuberante.”

 

E O FUTURO DO FORRÓ NO SÃO JOÃO?
Em 2026, uma grande polêmica tomou conta do debate sobre o estilo predominante no São João. O cantor e sanfoneiro Flávio José cancelou todas as apresentações que faria na Bahia após a sugestão de redução do cachê cobrado por ele para tocar nas cidades baianas.

 

Na ocasião, Flávio José fez um forte desabafo falando sobre o desrespeito à tradição e a descaracterização do São João pelo baixo investimento em atrações tradicionalmente juninas.

 

 

Ao ser questionado sobre a situação, Del afirmou entender o trabalho feito pelo Ministério Público de pontuar o alto gasto das prefeituras nos shows durante os festejos juninos, mas alertou para uma situação: a necessidade do resgate da tradição.

 

“Ninguém sai de outro país nem de outro estado para vir para cá curtir um festival de qualquer coisa. A festa precisa ser recuperada do ponto de vista de sua identidade, da sua originalidade, para continuar sendo viável economicamente, porque os cachês dos forrozeiros estão longe de ser o problema. Está comprovado que a festa autêntica dá lucro, atrai turista, e atrai aquele turista que interessa: que vai lá, gasta e consome.”