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RDD revela 'receita' do tempero baiano na música e anuncia parceria com Karol Conká e Rincon Sapiência em projeto solo

Por Bianca Andrade

RDD revela 'receita' do tempero baiano na música e anuncia parceria com Karol Conká e Rincon Sapiência em projeto solo
Foto: @matheusl8

Açúcar, tempero e tudo que há de bom. Para quem gosta de cultura pop é fácil saber qual receita vai sair dessa lista de ingredientes, As Meninas Super Poderosas. O mesmo vale para "dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim". Não precisa falar o nome, mas todo mundo já sabe no que essa mistura vai dar. E ainda leu enquanto cantava.

 

Se você chegar em uma casa de temperos, com absoluta certeza, você encontrará com facilidade o mix chamado "tempero baiano", que é um dos mais populares da culinária brasileira, junto com o 'Edu Guedes' e o 'Ana Maria'.

 

Mas qual o segredo para ele ser um dos favoritos? Para o cantor e produtor musical RDD, integrante do ÀTTØØXXÁ, entender o que compõe essa mistura única é uma missão que necessita de aprofundamento, mas, muitas vezes, o segredo está justamente em não ter apenas fórmula fechada. Na música, o diferencial está justamente na singularidade de cada produto.

 

Foto: @tscampelo

 

O artista, que inicia uma nova fase da carreira, sem precisar deixar a banda que o tornou conhecido em todo o país, decidiu que 2026 seria o ano ideal para apresentar ao público o tempero de sua música solo, provando que a música baiana não é uma trava e sim uma mola, impulsionando o artista e possibilitando misturas interessantes.

 

Após lançar, a faixa 'Energy', que compõe a lista de músicas do seu primeiro álbum solo, o artista bateu um papo com o Bahia Notícias sobre o futuro e a cena baiana. Ao site, RDD explicou o motivo de ter esperado alguns anos até conseguir trabalhar na própria carreira.

 

"Eu estava querendo muito trazer uma nova visão para o meu 'trampo', para ir além. Eu amo minha identidade e gosto muito de fazer música baiana, mas também queria me explorar de outras formas. Por isso, esse disco foi gestado por anos. A galera me conhece muito pelas misturas de pagodão, arrocha e samba-reggae, que são minhas tradições. Neste disco, estou me aventurando além disso, aproveitando viagens que fiz mundo afora para ver como minha música se encaixava em outros espaços. Tenho produções de 2017 que sairão agora."

 

 

O intercâmbio musical já deu certo no primeiro lançamento. 'Energy', que conta com participações de Anik Khan e Maui, desafiou RDD a misturar melodias inspiradas no R&B, com o afrobeats e o funk brasileiro.

 

"Eu estava no Rio de Janeiro para gravar com Thiaguinho para o disco do ÀTTØØXXÁ quando o Raoni veio com os acordes dessa música. 'Energy' descreve um estado máximo de paixão; ela surgiu de forma natural enquanto fazíamos as harmonizações", revela o produtor.

 

A música integra o álbum 'Hot Sauce', em tradução literal para o português, molho de pimenta, algo característico da Bahia. Além dessa faixa, o projeto conta com um feat. especial com Karol Conká e Rincon Sapiência, spoiler adiantado por RDD ao BN.

 

"A produção, para mim, é algo que não desconecta nunca da minha vida. Eu não consigo realmente desvencilhar uma produção vai pra cá [ATTOOXXA ou outros projetos] e outra para lá. Eu acho que naturalmente elas vão ganhar no seu caminho. O single do lançamento do disco, vai ser uma música na pegada do afrobeat, é um beat meu que, meio daquele período ali de 2015, 2017. Tem música com Karol Conká e Rincon Sapiência."

 

Ao ser questionado sobre conseguir separar as personas RDD solo e RDD no ATTOOXXA, o artista foi direto. Para Rafa, não existe uma confusão entre os "dois artistas".

 

"O ÀTTØØXXÁ não descreve completamente nenhum dos integrantes. Nós somos além da banda. O RDD surgiu de uma necessidade minha de criar de forma mais descompromissada, produzir faixas com pessoas que eu admirava, como Yan Cloud, Gibi. No grupo, tudo é muito programado e pensado. Na carreira solo, tenho liberdade para fazer a música do jeito que eu quero, além de potencializar a cena dos artistas locais que admiro."

 

 

O músico ainda avalia a carreira solo como uma forma de potencializar a arte criada no estado. Para RDD, o diferencial está justamente no olhar único de cada integrante do ATTOOXXA, por exemplo, e na forma transgressora que a nova geração se apresenta.

 

"Eu apresentei uma visão muito específica de uma música baiana que eu acredito ainda está sendo entendida. Eu acho que a música da Bahia, por ter uma raiz bem fincada na percussão, ela ainda estranha a tecnologia, e eu acho isso realmente muito f*da. Apesar de que eu sou, talvez, um transgressor dessa lei natural da Bahia, eu acredito ter conseguido o respeito de todo mundo porque eu sempre fui muito respeitoso com eles e com a música da Bahia. Acho que meu papel na música da Bahia é simplesmente e somar, e eu considero o Carlinhos Brown um exemplo, ele é esse cara que trouxe essa transgressão toda pra música da Bahia de uma forma genial. Eu acho que a gente [nova geração] trouxe realmente um olhar muito diferenciado das coisas que aconteciam aqui na Bahia."

 

Na brincadeira do açúcar, tempero e tudo que há de bom, o caldeirão baiano fez surgir diversas Meninas e Meninos Super Poderosos. Considerado um estado exportador de talentos, para RDD, a alcunha, apesar de ser boa, por mostrar que aqui tem qualidade, traduz também, um mercado frágil, já que a exportação consiste na saída de mercadorias do território.

 

"Em termos de inventividade, eu acho que a Bahia ainda está tentando se desvencilhar de certa forma de um mercado que foi muito forte do Axé. E as pessoas sempre confundiram quando a gente fazia as críticas pro Axé e falava, ‘Pô, esse formato não existe’. Parece que a gente está falando da música, mas não é da música, entendeu? A música do Axé marcou todas as pessoas que nasceram na Bahia. Mas eu acho que em termos de mercado de indústria, a gente ainda tem resquícios desse pensamento, sabe? Porque a gente vê que os grandes potenciais da Bahia que tem saído, sei lá, desde 2010 por aí, poucos ficam aqui na Bahia. A gente tem o Baiana System que ainda mora aqui, mas você olha para Luedji Luna, Xênia França, Giovanni Cidreira, vários artistas que tiveram que se mudar para São Paulo, muitas pessoas que tem que fazer um êxodo para acontecer."

 

Foto: @tscampelo

 

A carreira solo vem com a preocupação e uma tentativa de mudar o cenário. RDD garante que investir na própria arte como cantor não irá o afastar da produção, nem fazer com que ele se dedique ao que acredita, o apoio a novos artistas. Mas, para o cantor e produtor, é necessário que a força seja coletiva, para que o cenário melhore para a cultura baiana.

 

"Eu acho que isso tem muito de uma falta de carinho no olhar, sabe, para essas pessoas, porque essas pessoas são gênios aqui, desde que nasceram aqui. Ao mesmo tempo que a gente tem um caldeirão de ritmos, de possibilidades aqui criadas a partir do ritmo da percussão, por exemplo, do arrocha e de outros estilos, você vai começando a entender que falta um pouquinho de investimento para quebrar esse ranço da felicidade, porque eu acho que para que a Bahia as coisas tem que ser sempre feliz existem milhão de sentimentos aí pelo mundo lá fora, para gente se explorar. É muito angustiante para mim, ver essa galera não ter como exercer a arte."

 

Para quem ficou em dúvida, o tempero baiano é um mix de especiarias desidratadas, cominho, pimenta-do-reino, coentro, cúrcuma (ou açafrão) e orégano. Isso, na culinária. Na música, o nosso tempero continua sendo um segredo, sem pretensão de ser desvendado, porque, em muitos casos, a delícia está no mistério que faz a arte ser o que é.