Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Entretenimento

Notícia

Em balanço do Carnaval, presidente do Comcar aponta superlotação de trios independentes e pede prova sobre venda de espaço na avenida

Por Bianca Andrade

Em balanço do Carnaval, presidente do Comcar aponta superlotação de trios independentes e pede prova sobre venda de espaço na avenida
Foto: Prefeitura de Salvador/ Instagram

Um Carnaval começa quando o outro termina. É neste modelo que o Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar) de Salvador e todos os outros agentes envolvidos na maior festa de rua do planeta trabalham para conseguir realizar a folia.

 

Mas, depois de um Carnaval com diversos pontos de atenção, em especial sobre os espaços ocupados pelos blocos na avenida, como funciona a preparação para a folia de 2027? Ela promete ser a maior dos últimos anos, tendo um dia a mais de duração com a antecipação do Pipoco, desfile gratuito de Léo Santana que antecede o início oficial da folia no Circuito Dodô (Barra-Ondina).

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do Comcar, Washington Paganelli, explicou uma das situações mais polêmicas do Carnaval de Salvador em 2026 e que gerou movimentação na Justiça por parte da cantora Daniela Mercury: a ordem do desfile dos blocos.

 


Foto: Mateus Pereira/GOVBA

 

DISPUTAS E FILA
Segundo o empresário, que também é responsável pelo bloco As Muquiranas, o Comcar não pode impedir que os artistas procurem a Justiça para tentar reivindicar um espaço na rua.

 

“O Comcar não pode tomar uma decisão de impedir que os artistas tentem, da maneira deles, na Justiça, conseguir um lugar na fila. Mas todos sabem como funciona: é pela questão da data de fundação do bloco que se define a fila do desfile. Todos os blocos participam de assembleia, das reuniões, e esse acordo tem mais de 40 anos. O Conselho vem sempre trabalhando com toda a transparência, com toda a lealdade, seguindo sempre o que vem acontecendo.”

 

Na ocasião, Daniela reivindicou a vaga que era ocupada pelo bloco Camaleão no domingo e na segunda-feira de Carnaval, e chegou a conseguir uma liminar para passar na frente do Olodum, Camaleão e Coruja. No entanto, uma decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) suspendeu a liminar após um recurso apresentado pelos blocos.

 

Foto: Célia Santos

 

SUPOSTA VENDA DE VAGAS
Diante de toda a situação, uma especulação sobre venda de vaga na fila de blocos no desfile da Barra passou a ser ventilada nas redes sociais, algo que Paganelli garante não existir no Carnaval de Salvador.

 

“Quando se fala venda, é muito subjetivo. É o que as pessoas falam, certo? Mas até hoje não apareceu nenhuma prova. Eu acho que, a todos que acusam, cabe a eles mostrar a prova. Se eu vou acusar alguém de fazer algo ilícito, se a polícia chega ali para uma pessoa e diz ‘Você é traficante’, ela vai ter que provar e mostrar a droga na mão daquela pessoa. Então, se tem alguém que está acusando, que apresentem as provas e aí nós tomaremos as medidas possíveis desde quando haja a prova. Estou doido para isso, para que apareçam as provas”, desafiou.

 

Vale lembrar que em 2013, o assunto chegou a ser pauta para o Ministério Público. Na época, a promotora Rita Tourinho afirmou que a questão seria investigada após uma denúncia de que o bloco Bróder, que pertencia ao pentacampeão e ex-BBB Edilson Capetinha, teria vendido o espaço na fila de desfile para o bloco Largadinho. Na época, o Comcar decidiu pela suspensão temporária do bloco pela confusão.

 

Já em 2017, o mesmo bloco foi alvo de uma nova investigação, desta vez pela troca de atração para o desfile no Circuito Barra-Ondina na segunda-feira de Carnaval, quando o grupo Oz Bambaz foi substituido pela banda La Fúria sem aviso prévio.

 

GARGALO DE TRIOS
Outra queixa feita pelos artistas durante a folia foi o intervalo entre um trio elétrico e outro na rua. A cantora Anitta, por exemplo, cobrou o prefeito Bruno Reis para tomar um posicionamento sobre a situação:

 

“Queridos, todo meu respeito e gratidão por ser sempre tão bem recebida, acolhida e respeitada na Bahia. Sei que cheguei ‘ontem’ aqui neste Carnaval, mas se pudesse, com toda a humildade do mundo, dar uma sugestão, diria que acredito que, se espaçar um pouco mais o tempo entre a saída dos trios, ajudaria demais nesse problema. Porque quando temos mais espaço entre os trios da frente e de trás, conseguimos controlar melhor o andamento, e o público consegue se espaçar um pouco mais. Peço desculpas por estar me intrometendo em algo que já funciona há tantos anos com tanta alegria. Mas digo com toda humildade, sabendo que nem baiana sou (embora gostaria muito de ser) e estou fazendo isso há poucos anos”, escreveu a cantora.

 

Foto: Josemar Pereira/ Bahia Notícias

 

Para Paganelli, aumentar o intervalo é uma missão quase impossível. O presidente do Comcar cita a quantidade de trios na rua e afirma que, aumentando o intervalo entre os equipamentos, o Carnaval se tornaria uma festa ininterrupta, não dando tempo nem mesmo para que os agentes da festa conseguissem organizar um evento coeso.

 

“Nós já temos uma dificuldade para colocar todos os artistas com 15 minutos. Se eu for botar para 20 minutos, eu vou perder, em uma hora, o espaço de mais um artista, e aí eu vou estar com o Carnaval ininterrupto. Eu trabalho das sete da manhã às sete da noite, canso os artistas, o público, não consigo organizar os circuitos. Seria uma grande confusão.”

 

O empresário ainda citou que uma das maiores dores de cabeça nessa organização dos desfiles é a presença de muitos trios independentes sem artistas de grande relevância.

 

“O que tem que acabar é estar se colocando artistas ou se colocando supostas atrações que não têm nenhum apelo, apenas para satisfazer um grupo, que não acrescentam em nada para o Carnaval. Quando um bloco desfila, ele está gerando emprego, está gerando renda, está gerando imposto para o município e dando emprego a milhares de pessoas. Já um trio independente desfilando está dando emprego a 20 pessoas; então, eu acho que tem que repensar isso.”

 

Para se ter uma ideia da quantidade de trios independentes que desfilaram no circuito Dodô (Barra-Ondina), apenas no primeiro dia de festa, dos 28 equipamentos na rua, 25 não eram blocos. E desses 28 equipamentos que desfilaram, 19 foram de iniciativa pública, ou seja, apresentações promovidas pela Prefeitura ou Governo.

 

No segundo dia de festa, dos 20 trios, apenas 7 eram blocos na fila do desfile. O dia com mais blocos na rua, isto é, com corda e abadá, foi a segunda-feira de Carnaval, quando 9 blocos desfilaram.

 

Foto: Divulgação

 

Em 2026, o investimento do Governo e da Prefeitura na folia para a contratação de atrações ultrapassou R$ 90 milhões, dando um retorno em movimentação econômica superior a R$ 3 bilhões, valor indicado pela vice-prefeita Ana Paula Matos.

 

O presidente do Comcar ainda sugeriu que as iniciativas privadas começassem a bancar as atrações dos trios independentes, tirando o custo da Prefeitura e do Governo. “Eu acho que, quando o artista se diz independente, que não tem esse dinheiro do bloco, que ele procure uma empresa para pagar o desfile dele e que ele venha para um local onde tenha espaço ali para ele tocar, não ocupar o espaço de banco que já existe”.

 

O Carnaval volta a ser discutido em abril com a realização do Fórum do Carnaval, que acontecerá nos dias 14 e 15 de abril com um debate sobre a festa para implementar melhorias na folia. O evento contará com a participação de entidades carnavalescas, empresários do setor do entretenimento, jornalistas e agentes do Carnaval.