Oh Polêmico comenta sobre valorização do pagodão e luta contra racismo: “Respeito não é um favor”
Por Laiane Apresentação
Em 11 anos muita coisa pode acontecer em uma carreira. Em um meio tão oscilante quanto o campo artístico, onde novos nomes vem e vão em uma velocidade surpreendente, alcançar essa marca já é uma conquista que Oh Polêmico pode chamar de sua.
Nessa década vivida em cima dos palcos e com suas músicas nos paredões, muitas mudanças ocorreram. O artista, que costumava fazer jus ao codinome artístico com brigas públicas e frases problemáticas, vem se tornando uma voz ativa na luta contra o racismo e a valorização da favela.
É com isso em mente, que o dono de hits como “Pitbull Enraivado”, “Samba do Polly” e “Deixa eu botar meu boneco” chega para mais um Carnaval de Salvador.
Com um trio pipoca no circuito Barra/Ondina, na quinta-feira (12), o cantor levará em suas roupas e no repertório o foco para a periferia, local de origem do pagodão baiano. “Favela no topo, favela no mundo” será o tema de seu Carnaval em 2026.
“A gente que veio da comunidade sabe nossas lutas. Muita gente que critica, que quer desfazer, às vezes quer até humilhar… Então quanto mais a gente se unir, mais a gente fica mais forte. Nosso pagodão é resistência. Respeito não é um favor, respeito é um direito”, explicou Polly, em entrevista ao Bahia Notícias.
Um dos motivos de se tornar uma voz mais ativa contra o preconceito foi uma situação vivida pelo cantor, em janeiro, quando presenciou um caso de racismo em um salão de beleza em Salvador.
“Fiz até uma música, que pretendo lançar agora depois do Carnaval, que é uma música referente a isso. Vai ter clipe também. E eu tenho certeza que a galera vai se identificar bastante. Vai ser nosso momento de fala”, revelou ao BN.
Além da mudança de atitude, os onze anos de trajetória são acompanhados por mudanças em suas músicas que saíram do pagode de paredão para o “pagode limpo”, ou seja, aquele sem censura e mais leve.
“Quando a gente quer furar a bolha, quer alcançar outras prateleiras, a gente tem que se moldar um pouquinho, começar a trabalhar as mudanças de letras… eu já venho fazendo isso aí há muito tempo, já tem uns quatro anos eu fazendo esse tipo de repertório”, explicou.
Polly explicou que a estratégia atual é focar em um repertório mais dançante e alegre, que possa ser utilizado de forma tranquila nas redes sociais, como foi o caso de canções como “Na ondinha” e “Fritadeira”.
“O pagodão proibidão é o pagodão que me colocou no meio da música. Todo artista que está começando, o repertório sempre é o pagodão proibidão, porque a gente fala da realidade, do que acontece, é o que a galera da comunidade, da favela, abraça”, completou Polly.
Apesar da mudança, o cantor mantém suas músicas desse estilo em seu repertório, adequando com base no espaço onde a apresentação é realizada. “Tem lugares e lugares”, declarou. O motivo, no entanto, para não abandonar o estilo é o respeito. “Foi a música que me colocou… eu digo que faz parte da minha história”, adiciona.
O artista vem passando por grandes fases na carreira com lançamento de audiovisual, estreia de seu primeiro ensaio de verão e até música tocando no reality show “Big Brother Brasil” e promete “fazer história nesse Carnaval”.
“Eu tenho muitas metas para poder concluir esse ano. Quero fazer uma turnê fora também, levar o nosso pagodão para tudo… colocar na prateleira que nunca deveria ter saído”, defende.
