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Ex-Globo, Matheus Ribeiro sofre críticas na Record: 'Única relevância é orientação sexual'

Ex-Globo, Matheus Ribeiro sofre críticas na Record: 'Única relevância é orientação sexual'
Foto: Monumental Foto / Instagram / Reprodução

O jornalista Matheus Ribeiro, ex-apresentador da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás (relembre aqui), foi alvo de críticas em uma carta aberta feita por profissionais da Record Brasília. O texto, direcionado para a diretoria da emissora, repudiava a demissão do jornalista Luiz Carlos Braga e questionava a contratação e o profissionalismo do ex-global. 

 

De acordo com o Notícias da TV, os jornalistas da Record Brasília, ao afirmarem apoio a Braga, destacaram que o profissional com “carreira de três décadas e ilibada reputação” foi trocado por Ribeiro, “cuja única relevância curricular é a sua orientação sexual”. 

 

No mesmo texto, que não chegou a diretoria por medo de represálias, eles também declararam que a emissora perdeu ao “trocar o certo pelo duvidoso”. Em outro trecho, colocaram a orientação sexual de Matheus Ribeiro como uma forma de obter “atenção midiática para ter relevância” e “benefício próprio”.

 

Matheus, ainda na TV Anhanguera, assumiu sua sexualidade e relacionamento com o militar Yuri Piazzarollo um mês antes de assumir pela primeira vez a bancada do “Jornal Nacional”. O jornalista foi o primeiro profissional assumidamente gay a apresentar o noticiário (relembre aqui). 

 

Apesar das críticas diretas a Ribeiro, ao final da carta, os jornalistas da Record Brasília declararam que nada têm “contra o novo apresentador do DF Record” e que as reclamações são diante da “maneira inadequada da qual um dos profissionais mais prestigiados da história do telejornalismo do Distrito Federal foi desligado”. Luiz Carlos Braga trabalhou no canal por 12 anos. 

 

CASO DE RACISMO
Na mesma emissora, em março, o grupo de repórteres chegou a escrever uma carta em repúdio a demissão do diretor de Jornalismo da Record Brasília, João Beltrão. O profissional, que trabalhou por 14 anos na filial, foi dispensado por proteger jornalistas acusados de trocar mensagens racistas no WhatsApp. 

 

A mensagens, em questão, foram escritas em referência a profissionais negros que fazem parte da emissora. Ao tomarem conhecimento do desligamento de Beltrão, subordinados ao diretor manifestaram descontentamento e uma jornalista chegou a ser demitida após repudiar a saída do diretor. A carta feita pelos repórteres também não chegou a direção diante das possíveis consequências. 

 

Confira na íntegra a carta que cita Luiz Carlos Braga e Matheus Ribeiro:  

 

"Carta aberta para a diretoria da Record

 

Nós, da Redação da Record Brasília, viemos por meio desta carta manifestar irrestrito apoio ao jornalista Luiz Carlos Braga, arbitrariamente desligado da emissora por ordens superiores. A diretoria desta casa optou por escantear uma carreira de três décadas e ilibada reputação, além de incontáveis prêmios, em prol de uma contratação cuja única relevância curricular é a sua orientação sexual.

 

Antes de ser desligado, Braga havia sido convidado para o posto de analista do Jornal da Record. E, sem nenhum motivo justificável, o convite virou uma demissão unilateral. O motivo? Suposta redução de custos. Algo que, claramente, não condiz com a realidade, tendo em vista as mudanças que se avizinham.

 

Essa Redação, em grande parte, teve o privilégio de conviver com Luiz Carlos Braga por doze maravilhosos anos. Perde a emissora, ao trocar o certo pelo duvidoso, e perdemos nós. Perdemos o convívio de alguém respeitoso, atencioso, leal e de caráter e reputação ilibadas. Braga nunca precisou de atenção midiática para ter relevância e nunca usou de sua orientação sexual para benefício próprio.

 

Nada temos contra o novo apresentador do DF Record. Mas temos, e muito, a reclamar da maneira inadequada da qual um dos profissionais mais prestigiados da história do telejornalismo do Distrito Federal foi desligado".