Se não sabe atirar, largue a pedra

Nesta semana que passou, um acontecimento mexeu com o mercado da música baiana. "Mexeu" é forma de falar. A queixa do cantor Robyssão publicada no Twitter, dizendo que o evento Exaltamaníacos o tinha preterido, e mudado a grade porque era festa de branco, na versão dele, se transformou em uma polêmica que, ao se tornar pública, suscitou discussões diversas a respeito do fato. Acontece que, se não fossem os desdobramentos do acontecido e por se tratar de uma questão que, por si só, leva a diversas outras, teria o assunto passado desapercebido pela mídia, mas, como sempre tem o “mas”, a coisa acabou tomando outro rumo que não o esperado e a lenha foi colocada na fogueira (risos!).
E aí, amigo, foi um tal de apagar fogo ladeira acima e jogar água ladeira abaixo que me deixe, viu. O mais engraçado disso é que tudo foi feito sem ao menos se perguntar se o fato era verídico ou não. Só para deixar claro e partindo para o lado jurídico da coisa, e trocando em miúdos, o principio da responsabilidade civil diz que "a quem acusa, cabe o ônus da prova", daí que se dizer que a festa é para pessoas brancas, apenas pela mudança de grade, e se provar isso de forma concreta é meio complicado.
Imagine você, se dentro deste ridículo universo do politicamente correto, formos viver nos preocupando com tudo o que fazemos, com medo ou receio das interpretações dos então preteridos, ficando à mercê de termos que nos explicar, sob a ótica da opinião pública, em uma inaceitável inversão de valores, a ponto de que se ao mudar de opinião, ou repensar fatos ou condições que venham a ferir interesses particulares, ou o ego, formos julgados e condenados sem direito a defesa.
Infelizmente vivemos um momento em que primeiro se atira a pedra, para depois perguntar: quem era o alvo mesmo? Lógico que todos nós, por sermos seres imperfeitos, estamos sujeitos a fazer julgamentos prévios, ou cometer erros. Os anos de experiência nesse negócio de música e festa, me fizeram aprender que a velha frase do "não julgais para não seres julgado" é perfeita, acreditem.
Bom, eu posso dizer que fui ao Exaltamaniacos. E independentemente da festa ser para brancos, negros, magros ou gordos, ou para qualquer classe social, o que vi foi a mais perfeita junção entre raças e credos sem a mínima desarmonia.
Assisti a todos os shows, a todos mesmo, e ficou perceptível que as queixas e acusações não abalaram nem um pouco o evento. Da banda Rapina, de Falcão, ao Madeira de Lei; de Léo Santana e seu Parangolé, passando por um sensacional e energético show de Tomate – provando que o bom axé sempre tem espaço com o povo –, e culminando com um Exaltasamba, cantado e vibrado em uníssonas vozes, posso afirmar que, quem não foi perdeu de ver um evento muito legal.
Irmão, se liga, porque Chacrinha já dizia: quem não se comunica, se trumbica, viu!
Luis Ganem
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