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Travelling

Davidson pelo Mundo: O guia ainda importa – o valor de quem ainda conta a história!

Por Davidson Botelho

Davidson pelo Mundo: O guia ainda importa – o valor de quem ainda conta a história!
Fotos: Acervo pessoal

Viajar sempre foi, para mim, muito mais do que conhecer lugares. Viajar é entender histórias, culturas, hábitos, sentimentos e, principalmente, pessoas.

 

E quanto mais eu viajo, mais percebo como a tecnologia vem mudando a forma como muitos turistas enxergam o mundo. Hoje, é comum ver pessoas utilizando aplicativos de tradução simultânea, inteligência artificial e plataformas digitais para montar roteiros, descobrir restaurantes ou até entender placas e monumentos históricos.

 

E eu reconheço: para o básico, tudo isso realmente funciona. A tecnologia ajuda, facilita, aproxima e resolve muitas situações práticas do dia a dia.

 

Mas existe algo que nenhuma inteligência artificial consegue substituir: a sensibilidade, o conhecimento e a narrativa de um bom guia de turismo.

 

Existem destinos que simplesmente precisam — e merecem — ser apresentados por alguém que conhece profundamente sua história, seus símbolos, seus detalhes e até seus silêncios.

 

 

Não existe visitar a Acrópole, na Grécia, sem compreender o peso histórico daquele lugar. E isso dificilmente será sentido apenas lendo um texto automático no celular.

 

Na própria Grécia, a profissão de guia é extremamente valorizada, regulamentada e respeitada. O guia turístico possui formação específica, reconhecimento profissional e remuneração compatível com a importância do seu trabalho.

 

O mesmo acontece em países como Israel, Japão e Itália, onde o turismo é tratado como patrimônio cultural e econômico.

 

Nesses lugares, o guia não é visto apenas como alguém que acompanha grupos. Ele é um intérprete cultural, alguém capaz de transformar pedras antigas em histórias vivas, ruas comuns em experiências inesquecíveis e monumentos em memórias permanentes.

 

No Brasil, infelizmente, ainda estamos longe dessa valorização. A profissão enfrenta problemas antigos, como a clandestinidade, a falta de fiscalização, o pouco reconhecimento e, principalmente, a dificuldade de parte dos próprios brasileiros em entender a importância real desse profissional.

 

Muitas vezes, o turista acredita que economizar com um guia é uma vantagem, sem perceber que acaba perdendo justamente a essência da viagem: o entendimento do lugar que está visitando.

 

A tecnologia continuará avançando, e isso é inevitável. A inteligência artificial será cada vez mais presente no turismo. Mas eu sinceramente acredito que ela deve servir como ferramenta de apoio, nunca como substituição completa da experiência humana.

 

Porque, no fim das contas, nenhum aplicativo consegue transmitir emoção, curiosidade, paixão e pertencimento da forma que um grande guia consegue.

 

E talvez seja exatamente isso que diferencia apenas visitar um lugar de verdadeiramente vivê-lo.