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Travelling

Davidson pelo Mundo: Mais importante que o destino é o caminho!

Por Davidson Botelho

Davidson pelo Mundo: Mais importante que o destino é o caminho!
Fotos: Acervo pessoal

Em 2020, eu escrevi e publiquei um livro justamente com esse título: MAIS IMPORTANTE QUE O DESTINO É O CAMINHO. Meu objetivo naquele momento era contar minhas experiências nas inúmeras viagens, levar o leitor para a garupa da minha moto, o assento do meu carro, trem ou para a cabine dos aviões com os quais rodei o mundo.

 

De fato, eu acho que uma viagem começa quando desperta o desejo de conhecer algum destino, com o planejamento, escolha da cidade, hotéis, restaurantes, atrações, rota etc. Isso já faz parte da viagem e já é o caminho para o destino, tão importante e interessante quanto a própria viagem.

 

 

Nas viagens rodoviárias, eu sempre traço rotas pelo conteúdo, distância e tempo do percurso, somente quando necessário e em casos extremos. De Salvador ao Rio de Janeiro, por exemplo, se viajarmos pela BR-101, abre-se uma imensidão de oportunidades que criam um tremendo conteúdo para a viagem. Tem a Mata Atlântica, praias sensacionais no vasto litoral baiano, história na Costa do Descobrimento, culinária na Bahia, Espírito Santo, Serras Capixabas, paraísos no norte do Rio de Janeiro, e por fim chegamos à Cidade Maravilhosa.

 

Percebam que o caminho é muito rico, traz muitas experiências e conteúdo. Isso acontece em quase todas as viagens rodoviárias bem planejadas. Viagens nos Estados Unidos, América Central, Europa e América do Sul são melhores quando são rodoviárias, conhecendo as pequenas cidades, paisagens, culinária e culturas locais que mudam a cada 100 km.

 

 

Mas por que não viajamos tanto pelas nossas rodovias no Brasil? Temos um país continental, e isso, que para muitos pode ser um problema, eu enxergo justamente como uma grande oportunidade: viajar em um continente que fala o mesmo idioma, tem a mesma legislação, e isso é de fato um ponto positivo.

 

Porém, não temos boas rodovias, exceto no Sul e Sudeste. Nossas estradas deixam muito a desejar, e assim as viagens acabam acontecendo somente no âmbito regional. Poucos se arriscam a cruzar o país para viagens de lazer. Aliado a tudo isso, tem a questão da insegurança e infraestrutura.

 

Bato muito na tecla do CONTEÚDO, e pequenos atrativos nas estradas, como bons postos de abastecimento com bons restaurantes, atraem sim turistas. Cidades bem sinalizadas, com pequenos comércios vendendo artigos locais, boa culinária e conteúdos históricos de cada região, são atrativos para uma viagem rodoviária.

 

 

As prefeituras das pequenas cidades precisam ser inseridas em um programa de turismo com esse fim, com linguagem padronizada e estratégia traçada para transformar uma viagem rodoviária em uma estrada prazerosa, cheia de conteúdo, movimentando o pequeno comércio e divulgando sua história. Cada povoado, cada cidade, independentemente do tamanho, tem uma história para contar, tem uma curiosidade que pode ser importante para um viajante, tem algum filho daquela cidade que pode ter sua relevância.

 

O que precisamos é ter boas estradas, seguras, e implementar um programa de turismo rodoviário contemplando, treinando e equipando as pequenas cidades com potencial turístico para se tornarem pontos de parada nas estradas.

 

Não temos malha ferroviária no Brasil, as passagens aéreas são caras e operam somente em grandes cidades. O governo federal precisa juntar os estados e criar um grande programa de incentivo às viagens rodoviárias, precisa melhorar a qualidade das nossas estradas e a segurança, e a privatização é um dos caminhos.

 

 

É muito bom viajar e parar para conversar com os locais, comer comidas regionais, conhecer realidades que somente temos conhecimento através de canais de comunicação. É importante que as crianças saibam que existe um Brasil que não é composto somente pelas grandes cidades, que existem dialetos, costumes e realidades bem diferentes.

 

Por isso, afirmo com convicção que: MAIS IMPORTANTE QUE O DESTINO É O CAMINHO!

 

Boa viagem!