Davidson Pelo Mundo: O agro é pop, o agro também é turismo!
Agroturismo é definido como a modalidade de turismo em um espaço rural dentro das propriedades, de modo que o turista entra, mesmo que por curto período de tempo, em contato com a atmosfera da vida na fazenda, integrando-se de alguma forma aos hábitos locais.
O turismo rural propriamente dito caracteriza-se pelo envolvimento dos turistas com a população local e com o ambiente onde é praticado, e o agroturismo, por sua vez, está relacionado à presença das atividades agropecuárias nos limites das propriedades.
Ar puro, paisagens bucólicas, cavalos, leite de vaca fresco, banho de rio, trilhas no mato, som dos pássaros, comida caseira. Nos últimos anos, o turismo rural, ou agroturismo, tem-se fortalecido como atividade econômica e alternativa de lazer; cada vez mais, sem perder suas características essenciais, vem acompanhado de requintes da receptividade profissional.
A gente alegre e de sangue festeiro encontrou no agroturismo uma maneira de guardar sua cultura e viver no campo. O agroturismo surgiu como forma de agregar valor ao trabalho do homem do campo e fixá-lo na sua terra. Dessa forma, os agricultores/proprietários objetivam transmitir seu modo de vida aos habitantes do meio urbano. Ao todo, no Espírito Santo, são 31 circuitos que envolvem o agroturismo. As propriedades são encontradas tanto na Grande Vitória como no interior e oferecem uma excelente oportunidade para se conhecer e vivenciar a rotina dos moradores do campo e as belezas naturais da geografia capixaba.
Hoje, o interesse não é apenas o de comprar o produto, mas de conhecer o processo de fabricação. Ver as vacas no curral, o leite sendo resfriado, o queijo curtindo na câmara fria, o moinho de pedra para fazer fubá, o café secando no terreiro. De repente, tudo virou atração; as portas e as porteiras estavam definitivamente abertas. De maneira espontânea, emana do cerne da comunidade essa nova modalidade de turismo, que se expandiu por várias regiões do Espírito Santo. A forma de trabalhar o agroturismo no Espírito Santo é única e específica no mundo das experiências de turismo rural.
O trabalho é familiar e voltado para a agricultura, faz da roça um atrativo e, além de produzir, transforma os produtos, agregando valores e comercializando-os, gerando maior renda e criando oportunidades de emprego no campo. Tudo isso, aliado às belezas naturais, à preservação do meio ambiente, aos costumes e à cultura que mantém a tradição herdada dos antepassados, torna o agroturismo do Espírito Santo uma grande variedade de produtos.
Venda Nova do Imigrante é referência em todo o País como o berço do agroturismo, modalidade de turismo rural que associa a vivência do cotidiano agrícola ao lazer, à visitação e à valorização do meio ambiente. O título de Capital Nacional do Agroturismo foi conferido ao município inicialmente pela Abratur (Associação Brasileira de Turismo Rural), pelo pioneirismo na exploração da atividade, que teve início em 1987, quando a atividade nem tinha nome no Brasil. A denominação usada vem do italiano “agriturismo” e foi na Itália que os primeiros empreendedores buscaram informações para a prática.
Em 2023, por meio da Lei Federal nº 14.636, de 25 de julho de 2023, o título de Capital Nacional do Agroturismo foi oficialmente conferido ao Município de Venda Nova do Imigrante, como forma de reconhecimento da consolidação do município como referência na exploração da atividade no Brasil, com envolvimento de 70 propriedades, 300 famílias e 1.500 pessoas diretamente atuantes.
Algumas iguarias encontradas durante as visitas às propriedades são o Socol (embutido bem condimentado) de carne de porco, o Limoncello (licor amarelo de limão siciliano), o queijo tipo Resteia (de textura macia e sabor adocicado), a Puína (ricota cremosa), a Grappa (destilado do bagaço de cana) e a Caponata (antepasto preparado à base de berinjela). Outros produtos são café Arábica, cachaça, doces (em compota, cristalizados e cremosos), geleias, biscoitos, vinho, fubá de moinho de pedra, artesanatos e flores.
Eu conheço essa cidade e toda a região e confesso que sou apaixonado por tudo ali. Conseguiram não só consolidar o turismo rural, como outros segmentos tão importantes quanto esse. Em 2023, estive na Itália, me hospedei na casa de uma família e tive a experiência de vivenciar a extração das olivas e a produção do autêntico azeite italiano, as plantações de limão siciliano, vinho e cursos de massas frescas locais.
Eu recomendo muito esse tipo de turismo; é um mergulho na essência local.
Boa viagem!
