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Davidson Pelo Mundo: Centros Históricos, um grande produto turístico!

Por Davidson Botelho

Davidson Pelo Mundo: Centros Históricos, um grande produto turístico!
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Durante os últimos anos houve uma evolução positiva no debate internacional e na atuação frente à proteção e discussão sobre o patrimônio cultural, que deixou para trás a abordagem focada exclusivamente no patrimônio construído. As gestões públicas avançam nos esforços para abordar os desafios dos centros históricos de maneira integral, buscando estratégias de revitalização e conservação para dinamizar os centros históricos das cidades.


Hoje, quando o mundo prepara uma nova agenda global para o desenvolvimento e a urbanização com os objetivos sustentáveis da habitação, as cidades e o patrimônio cultural são reconhecidos como uma prioridade para o desenvolvimento. Este reconhecimento ratifica a relevância e oportunidade que representam os centros históricos como instrumentos para impulsionar um desenvolvimento urbano sustentável e sensível da cultura, turismo e que contribua para combater problemas de urbanização contemporânea como a desigualdade, marginalização, deterioração ambiental e desumanização do espaço urbano.


Os centros históricos são a manifestação viva da história urbana e cultural de cada cidade e ainda que muitas delas enfrentam profundos processos de deterioração e abandono, seu potencial segue intacto. Os centros históricos não apenas abrigam grande parte do patrimônio tangível e intangível da nossa cultura, como também sua revitalização tem o potencial de deflagrar sinergias entre múltiplas dimensões cultural, social, econômica, urbana, num grande produto turístico vibrante na cidade.


A importância de se preservar o Patrimônio Histórico está associada à constituição de uma memória coletiva, considerando que é por meio da memória que nos orientamos para compreender o passado, o comportamento de um determinado grupo social, uma cidade ou mesmo uma nação. 


O turismo tem forte relação com o patrimônio cultural e ocorre com mais intensidade nos centros históricos das cidades, lugares onde a memória habita. Isso acontece porque a cidade em si própria se constitui um recurso turístico, não precisando que os visitantes entrem em museus ou em outros espaços de visitação. O turismo na cidade acontece simplesmente através de passeios por zonas urbanas em que a própria cena reforça os atrativos culturais.


O patrimônio histórico, principalmente as edificações e os monumentos, são bastante procurados pelos turistas. Mas, essa categoria do turismo deve ser muito mais que visitas a museu, a bibliotecas e a monumentos históricos. Ela deve proporcionar também um importante contato entre o turista e as pessoas do local, do seu cotidiano e da sua cultura, e tem função importante para conservação da memória e identidade local, colaborando para que a cidade reconstitua a sua história. Em alguns locais históricos, são criados espaços privilegiados para os turistas, favorecendo sua presença.


Um dos fatores que impulsionam a procura por esse tipo de turismo é a curiosidade em conhecer novos lugares e culturas diferentes. O turista busca imagens, percepções, conhecimentos, emoções onde ele pode interpretar a história e desvendar a cultura local. Ele não quer ver apenas lembranças do passado para serem guardadas, mas sim, o significado que a história teve para o lugar e as lembranças que possam ser perpetuadas com um uso ou utilidade.


Nesta relação entre turista e patrimônio cultural, o passado é revivido não apenas para ser legítimo, mas para servir como ponto de conexão entre saberes antigos e os que estão sendo construídos. Essa procura por cultura, de um lado leva ao crescimento do turismo urbano, e dentro dele uma procura por turismo histórico, artístico e nacional. Com essa forte tendência contemporânea do turismo, estamos assistindo ao crescimento e a criação de uma indústria mundial forte e o patrimônio cultural é um ator responsável nessa transformação.


Nesse contexto, a educação patrimonial e turística surge como um elemento importante porque através dela é que são construídos conhecimentos capazes de qualificar tal atividade. Entender o sentido de interpretar, preservar e valorizar o patrimônio pode ser uma alternativa para a conservação de elementos históricos e culturais de cada município. Quando esses conceitos são entendidos, o risco de ter a integridade do patrimônio alterada é menor. Se o turista entender o que é interpretar, ele irá auxiliar na conservação do atrativo.


A utilização turística dos bens culturais pressupõe sua valorização, promoção e a manutenção da memória. Valorizar e promover significa difundir o conhecimento sobre esses bens e facilitar seu acesso e usufruto. Significa também reconhecer a importância da cultura na relação turista e comunidade local, proporcionando que tal relação ocorra de forma harmônica. A valorização do patrimônio consiste também em uma forma de reforço das identidades locais, servindo de fonte de conhecimento e inspiração para formação e desenvolvimento cultural.


O poder público com essa percepção tem a obrigação de transformar os centros históricos de todos os sítios turístico em área aprazíveis, verdadeiros produtos turísticos recheados de conteúdo. Infelizmente no Brasil a grande maioria dos centros são mal cuidados, abrigam a marginalidade, comércios fracos e nossa história pouco conservada.


Precisa haver um alinhamento entre os 3 poderes (Municipal, estadual e Federal) afim de encontrarmos uma fórmula de resolver as deficiências dos centros históricos das nossas grandes cidades e assim oferecer um produto turístico de alto valor agregado e de conteúdo vasto, mas precisa ser seguro, atraente e habitado.


Boa Viagem!