Davidson pelo Mundo: Use a criatividade, saia do overturismo!
A pandemia trouxe mais um problema de efeito retardado. As viagens ficaram represadas e, sem sombra de dúvidas, um dos segmentos que mais tem crescido é o TURISMO. Mesmo esbarrando na alta dos preços também causada por uma oferta reduzida já que muitos hotéis fecharam, a malha aérea diminuiu, etc., as taxas de aproveitamento do setor só têm subido, principalmente nos destinos desejados por milhares de pessoas.
Parece que a pandemia acendeu uma luz na cabeça das pessoas e todos entenderam que literalmente somos passageiros nessa viagem chamada VIDA, e assim temos que viajar mesmo e descobrir novas experiências e locais.
Criou-se o fenômeno chamado OVERTURISMO. O overturismo às vezes é simplesmente um caso de números: há muitas pessoas em um determinado lugar em um determinado momento. Quando os preços dos aluguéis crescem e fazem com que os moradores locais mudem de bairro para abrir caminho para hotéis e casas de férias, isso é overturismo. Quando estradas estreitas ficam congestionadas com veículos turísticos, isso é overturismo. Quando a vida selvagem é espantada, quando os turistas não conseguem ver os monumentos por causa das multidões, quando os ambientes frágeis se degradam – todos esses são sinais de overturismo.
Navios de cruzeiro foram responsáveis por danos ambientais significativos às hidrovias e lagoas de Veneza. Faltou luz e água nas famosas ilhas gregas Mikonos e Santorini. A praia mais famosa da Tailândia, Maya Bay, foi fechada temporariamente por conta do desgaste do ecossistema. Alguns casos de overturismo se tornaram evidentes nos últimos anos, com a população e os governos desses locais agindo contra os turistas.

Quando um destino popular está constantemente cheio de turistas e torna a vida local insustentável. É esse o significado do termo overturismo, um fenômeno que ganhou a atenção do setor de viagens nos anos antes da pandemia. O problema não é viajar demais – nos colocar no mundo faz com que possamos aprender mais. A grande questão do overturismo é quando todo mundo vai para os mesmos lugares ao mesmo tempo. Essas tensões em destinos afetados pelo overturismo levam à necessidade de mudar o pensamento dos viajantes, intensificar a formulação de políticas e a atenção acadêmica em busca de maneiras mais sustentáveis de viajar.
Vários lugares não seriam tão impactados agora se não fossem o Instagram, Facebook, Twitter, TikTok ou Pinterest. Há poucas dúvidas de que a mídia social desempenha um papel essencial na promoção de vários destinos. Pode ser um canto tranquilo e pouco frequentado, mas quando cai nas redes, há grandes chances de que mais pessoas sigam aquele caminho.
Com posts e curtidas, é possível tornar locais em destinos de viagem – o que, quando feito sem planejamento e estrutura, compromete recursos significativos e traz impactos ambientais e sociais. A mídia social, como qualquer ferramenta ou tecnologia, pode ser uma força para o bem ou pode ter o efeito oposto.
Se você realmente deseja passear pelas cidades mais conhecidas e visadas, então você deve considerar períodos alternativos, fora da alta temporada. Isso é mais agradável para você, menos estressante para os residentes, coloca menos pressão em coisas como o transporte público e pode até ajudar a economizar um pouco de dinheiro também. E não necessariamente nas redes sociais. Converse com amigos que possuem interesses em comum, busque a consultoria de agências especializadas em viagens pelo mundo todo, veja filmes e leia livros sobre diferentes países. Dessa maneira, você estimulará seus próprios desejos de viagem – e não precisará seguir a lista dos destinos mais instagramáveis.
Planeje seu roteiro de acordo com o seu perfil de viajante, o momento da viagem e as possibilidades do local. É essencial para colocar em prática o conceito de turismo sustentável. Esse planejamento cuidadoso, personalizado e amplo é o que permite concretizar essa experiência transformadora, afinal, nada como ter as informações adequadas sobre hospedagem, passeios, povo, cultura, gastronomia – tudo o que influencia diretamente na vivência que você terá. O mundo é o um mundo, assim já dizia um filósofo amigo meu do STIEP. Sendo assim, não pense que só existem aqueles locais batidos nas redes sociais. Arrisque conhecer coisas e locais novos, inusitados, saia do trivial, busque novas experiências, não seja um 'especialista' em um destino. Afinal de contas, um especialista é aquele que conhece muito, porém de pouco.
Boas novas viagens e novos destinos!
