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Travelling

Davidson pelo Mundo: Você viaja para dormir?

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Davidson pelo Mundo: Você viaja para dormir?
Foto: Divulgação

Sair de férias pode parecer uma maneira pouco convencional de tentar melhorar seus hábitos de sono. Mas o turismo do sono vem crescendo em popularidade há vários anos, com uma quantidade crescente de estadias focadas no sono surgindo em hotéis e resorts em todo o mundo.

 

Embora, na teoria, viajar seja sinônimo de relaxar e recarregar as energias, na prática, cumprir itinerários sem deixar de visitar todos aqueles museus que você sempre quis conhecer pode se tornar uma missão árdua mesmo de férias, sem as obrigações do dia a dia.

 

O interesse disparou desde a pandemia, com vários estabelecimentos de alto perfil concentrando sua atenção naqueles que sofrem de privação de sono. Nos últimos 12 meses, o Park Hyatt New York inaugurou a Bryte Restorative Sleep Suite, uma suíte de 900 pés quadrados repleta de amenidades que melhoram o sono, enquanto o Rosewood Hotels & Resorts lançou recentemente uma coleção de retiros chamada Alchemy of Sleep, que são projetados para “promover o descanso”.

 

De camas que custam uma verdadeira fortuna a chás naturais e essências aromatizantes que embalam os sonhos dos turistas, as principais bandeiras hoteleiras do mundo estão começando a investir na qualidade do sono de seus hóspedes. O nicho vai muito além de camas macias e travesseiros alvos. A indústria do turismo do sono se vende como uma espécie de oásis para os exaustos, um retiro onde se aprende a dormir bem e entender a importância disso.

 

A Hästens, fabricante sueca de camas e colchões que é a queridinha dos super-ricos, inaugurou em Portugal o primeiro spa do sono do mundo no ano passado. São 15 suítes milimetricamente pensadas para que o hóspede alcance o sono perfeito. A estratégia para hipnotizar corpo e mente passa por isolamento acústico, jogo de luzes, cores e cheiros que induzem o sono.

 

Para fugir da agitação de Ibiza, por exemplo, os viajantes podem escolher um tratamento de sono de até 7 dias. O programa inclui uma consulta diária com um médico do sono residente da propriedade. Em Londres, o Cadogan, do Belmond Hotel, disponibiliza um "concierge do sono", incluindo um serviço de meditação guiada antes de dormir e um "menu de almofadas", além de cobertor pesado, seleção de chás e névoa perfumada no quarto antes das luzes se apagarem.

 

No Anantara Kihavah, nas Maldivas, o novo Programa de Enriquecimento do Sono começa com a avaliação de um “sleeping guru” que inclui teste epigenético, e segue com sessões de ioga e exercícios respiratórios, infusão intravenosa de suplementos, serviço de chás e banhos com aromas relaxantes. Six Senses, Hyatt, Mandarin Oriental e Belmond são outras redes que contam com programas do gênero.

 

 

A organização Quiet Parks International, que identifica potenciais lugares silenciosos em todo o mundo, aponta o Pantanal, o Parque Nacional do Jaú e o Atol das Rocas como redutos de silêncio no Brasil, onde é possível dormir escutando só o barulhinho bom da natureza.

 

Foi-se o tempo em que “dormir em dólar” era sinônimo de jogar dinheiro fora. Pra correr atrás do sono perdido com a pandemia e outras agruras dos últimos tempos, muita gente está disposta a investir uma grana em férias nas quais o tempo entre os lençóis é a grande atração. É o turismo do sono, isso é a inteligência empresarial, isso é a criação de conteúdo e renovação de produtos.

 

Tenho um amigo que sempre diz que do boi só não aproveitamos o berro. Eu digo que no turismo vendemos até o sono, basta uma cama bem feita.

 

 

Boa viagem, bom sono e bons sonhos!