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Davidson pelo Mundo: O turismo convivendo com o passado, presente e o futuro

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Davidson pelo Mundo: O turismo convivendo com o passado, presente e o futuro

Uma sociedade que não preserva o seu passado terá dificuldades com o seu futuro. Essa frase é muito bem aplicada em todas as sociedades e é verdadeira, apesar de não ser absoluta. Preservar a nossa história significa preservar a nossa memória, mas também adaptar a nossa cultura e hábitos aos novos tempos e às novas necessidades.

 

A evolução das sociedades acaba esbarrando em culturas que não cabem mais nos dias atuais, e se não forem modificadas, irão conflitar seriamente com aquilo que chamamos de ajustes culturais para um mundo melhor.

 

No Brasil, até a década de 30, as mulheres não votavam. Isso era cultural, e a evolução da sociedade acabou com isso através de decretos. Países do Oriente Médio até hoje não permitem que mulheres dirijam. Isso é cultural, mas isso não cabe mais nos dias atuais, e não podemos simplesmente atribuir essa questão somente ao "cultural".

 

O turismo sofre um pouco com essa leitura cultural, conflitando com os interesses públicos, econômicos e turísticos. O IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) precisa ter mais coerência em suas análises e abrir mais a mente para a evolução e necessidades de nossa sociedade, inclusive acompanhando como esse tema é tratado em outras nações que preservam suas histórias, suas culturas, seus patrimônios históricos, mas não deixam de evoluir e se adaptar às necessidades naturais da evolução.

 

Aqui na Bahia, observo que o entendimento é pessoal, e isso não deveria acontecer. A sede da prefeitura de Salvador é uma obra moderna e com traços que não estão alinhados com a arquitetura da região. Foi autorizada corretamente, em meu entendimento, mas seguramente hoje teria dificuldade em obter a licença do IPHAN. A pirâmide de vidro no museu do Louvre é mais um exemplo de convivência harmônica do passado com o moderno sem denegrir a cultura e a história, assim como a roda-gigante às margens do rio Tâmisa em Londres, em frente ao parlamento e outros monumentos seculares. Justamente em uma sociedade altamente conservadora, não houve oposição a essa modernização e entendeu-se perfeitamente a necessidade da instalação de novos equipamentos que contribuem para o turismo, até porque todos esses elementos turísticos se complementam.

 

 

Outro exemplo mais próximo a nós é o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, localizado no centro da cidade com inúmeros imóveis antigos e históricos ao seu redor, e hoje todo esse complexo vive em harmonia e se completa.

 

Recentemente, o IPHAN negou a licença para a instalação de uma grande roda-gigante e um oceanário na região do Comércio, local este que está recebendo outros investimentos e é muito importante para o desenvolvimento da cidade e consequentemente do turismo. Os técnicos do órgão vetam esses investimentos, mas ao mesmo tempo permitem que os imóveis antigos e com um valor histórico incomensurável fiquem em total estado de abandono, servindo de abrigo para animais ou delinquentes e colocando em risco nossa sociedade.

 

A indústria do turismo precisa desse entendimento para desenvolver mais essa atividade que tanto gera empregos e riquezas para nossa cidade e que é a nossa vocação, mas luta contra um conservadorismo inócuo e exagerado. Não prego a destruição nem tampouco ações sem critérios e análises colegiadas, mas precisamos trazer os novos tempos para conviver em harmonia com a nossa história e, se necessário, mudar sim algumas culturas para o bem da coletividade e da nossa sociedade. O turismo é capaz de promover essa relação sem prejuízo para as partes.