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Travelling

Davidson pelo Mundo: O turismo como ferramenta para a educação

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Davidson pelo Mundo: O turismo como ferramenta para a educação
Foto: Divulgação

O reconhecimento do potencial educativo do turismo remonta ao século XVIII, quando as viagens eram consideradas fontes de aprendizado para os jovens da aristocracia  inglesa que eram conduzidos a outros países europeus, principalmente França e Itália, nos denominados Petit e Grand Tour, a depender da abrangência dos locais visitados. 

 

Viajar consistia um complemento indispensável à formação por proporcionar observação direta dos usos e costumes, política, religião e arte de outras nações e  com isto  propiciar resultados pedagógicos superiores aos produzidos pelas escolas da época. Estas “viagens de estudo” assumiam o valor de um diploma que conferia a  seus detentores significativo status. No contexto atual, o turismo continua a apresentar grande potencial educativo tendo em vista seu caráter sociocultural, econômico, ambiental e político, suscitando discussões na academia há mais de 30 anos. Alguns autores utilizam a expressão “educação turística” para abordar as  inter-relações entre educação e turismo,  porém, empregam-na com diversas  conotações, englobando variados níveis de ensino da educação formal, bem como a educação informal.  

 

Quando o assunto é turismo, o que vem à cabeça de muitas pessoas é “viagem”. No entanto, o tema vai muito além e possibilita as mais diversas abordagens pedagógicas na escola.

 

“Reflexões relativas ao patrimônio, aos bens culturais, à memória coletiva e histórica, ao lazer e ao trabalho têm enorme potencial para o ensino básico. Pensar turismo é também pensar a alteridade, a relação com o outro, passar pela discussão sobre diversidade. E, claro, não dá para falar em turismo sem falar em sustentabilidade”, destaca Ana Carolina Mendonça Oliveira, turismóloga, professora do curso técnico em Guia de Turismo do Senac/RJ e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense.

 

Segundo ela, os conteúdos podem ser abordados de maneira transversal, por meio de projetos – o que já é realidade em algumas escolas. Uma prática comum é a aula passeio. “Muitas vezes essa aula é tratada como ‘folga’, um ‘extra’; é pouco valorizada. Não se discute, por exemplo, o próprio percurso. Mas pensar sobre o trajeto, sobre as características da cidade e pelo quê ela é marcada é tão importante quanto o destino final do passeio. A escola deve estar engajada no processo de pré-viagem, viagem e pós-viagem, fazer e propor uma pesquisa prévia, discutir questões relacionadas à hospitalidade. Para crianças que não estão acostumadas com o deslocamento na cidade, deslocar-se é um processo de cidadania, de conhecer e pensar a cidade. Provoca reflexões sobre lazer, trabalho e outros desdobramentos, com ganhos incríveis não só para a escola, mas para a sociedade”, sugere Ana Carolina.

 

Para além da aula-passeio, a possibilidade de revisitar lugares, afetos e histórias constitui um grande potencial pedagógico do turismo, de acordo com a especialista. “Não se trata apenas de visitar lugares reconhecidamente turísticos. É importante pensar nisso: os lugares não são naturalmente turísticos, trata-se de uma construção. Então, o ideal é pensar a partir do cotidiano das crianças, dos professores, da região, propondo exercícios afetivos das histórias dos alunos, da escola, do bairro”.

 

A sinergia entre o Turismo e a Educação traz reciprocidade espontânea, visto que a partir de uma atividade, automaticamente a outra adentra na consciência das pessoas principalmente quando essa prática é introduzida na rotina dos estudantes desde o ensino infantil.

 

Conhecer a história do seu bairro, da sua cidade, do seu estado, do seu país e das suas origens, transforma os cidadãos não somente em potenciais promotores de um destino, isso traz cultura que é a base da educação e consequentemente uma sociedade mais igual e apropriada para se visitar, para fazer turismo, para gerar riquezas, empregos e assim se constrói um destino turístico.

 

Eu sempre acreditei no turismo como ferramenta para formação do indivíduo, sempre disse que a universidade ensina e o “viajar” forma e pós gradua, e assim estimulei ao máximo meus filhos a viajarem o quanto pudessem, conhecerem o mundo com a proposta e a ótica plural, enxergar além dos monumentos, buscar explicação para tudo que nos cerca e assim se tornarem cidadãos do mundo.

 

Pessoas que viajam são mais tolerantes, compreensivas, cultas, racionais, menos preconceituosas e com certeza muito mais educadas, é dever sim do poder público promover o turismo educacional nas escolas públicas e inserir esta matéria na grade curricular do ensino infantil e médio também das escolas particulares.

 

Ao invés de presentear nossos filhos apenas com bens materiais, comece a enxergar a possibilidade deste presente ser uma viagem, será mais que um presente, será o melhor investimento para nossos filhos!