Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Hall

Travelling

Davidson Pelo Mundo: Temos um produto turístico?

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Davidson Pelo Mundo: Temos um produto turístico?
Foto: Moment Photograph/Divulgação

Tradicionalmente, a designação de produto era destinada aos bens físicos, mas se ampliou e generalizou-se a todos os setores de atividade econômica, inclusive nas áreas de produção intangível, como o caso, por exemplo, da atividade bancária ou do turismo. O produto turístico é uma mistura de tudo que uma pessoa pode consumir, utilizar, experimentar, observar e apreciar durante uma viagem. 

 

O produto turístico é uma combinação de elementos materiais e imateriais de um território direcionados para uma atividade própria e isso engloba o património, as atrações, os equipamentos, a infraestrutura, a acessibilidade ao destino turístico dos quais o consumidor (turista) compra uma combinação de atividades, como por exemplo, o produto "Praia" é constituído por praias, hotéis, transporte, animação, restaurantes, informação e organização da viagem, estabelecimentos comerciais e serviços diversos.

 

A criação e promoção de um produto turístico corresponde ao reconhecimento da existência de grupos de consumidores com motivações próprias, que se deslocam por razões idênticas, possuindo desejos similares, ou seja, há o reconhecimento da existência de segmentos de mercado diferenciados, tendo o marketing contribuído para esta abordagem que acabou por promover a formação de produtos turísticos pela combinação das diversas componentes da oferta.


Para cada segmento de mercado corresponde um ou mais produtos turísticos definidos tendo em conta as condições específicas de cada território, ou seja, não existem produtos turísticos universais, porque cada território possui características diferentes que influenciam diretamente o mesmo. Existem produtos turísticos comuns em vários territórios, pois as condições de cada território introduzem diferenciações que podem satisfazer melhor ou pior as preferências dos consumidores (turistas).

 

E o que temos na Bahia? O Brasil nasceu aqui, temos história, religiosidade, praias, natureza, patrimônio cultural, arquitetura colonial, gastronomia rica, musicalidade, arte, Carnaval, São João, festejos tradicionais e mais uma série de atributos que podem e tem potencial suficiente para afirmarmos que somos um grande destino turístico e recheado de produtos.

 

Isso ninguém tem dúvidas, mas o que nos falta? Na minha leitura falta uma decisão política, falta o poder público entender que essa é uma das principais vocações que nosso estado tem e tratar essa atividade como prioritária, precisamos ultrapassar a barreira do turismo espontâneo e tratarmos essa atividade como uma usina geradora de milhares de empregos, recolhedora de impostos, geradora de riquezas e que se perpetua a medida que cresce sem o natural desgaste.

 

O tripé PPS- Produto, Promoção e Serviço, (Poderíamos acrescentar mais um S de Segurança, mas isso não reflete e não é inerente apenas ao turismo) precisa ser implantado desde o ensino básico e ser uma meta a ser perseguida pelos responsáveis públicos e pelo empresariado local. A matéria prima precisa ser lapidada e constantemente adaptada às novas tendências de consumo, atualizando-se sempre, mas mantendo a originalidade do produto. Promoção requer planejamento de longo prazo e foco total nas prioridades estabelecidas no planejamento, sem perder de vista o equilíbrio sócio econômico de cada destino turístico, não podemos ter uma oferta excessiva, por exemplo, de hotéis num destino com poucos produtos turísticos pois isso levará a uma oferta excessiva e desequilibrar toda a cadeia, assim como ocorre com a oferta menor do que a demanda.

 

A base para a construção e solidificação de um destino turístico é a valorização, conservação e desenvolvimento dos seus produtos ou características locais. Após a identificação dos potenciais vem a formatação do produto, estratégias, qualificação dos serviços ofertados em toda cadeia e em seguida a promoção, inverter essa ordem significa resultados menores e por pouco tempo, ou risco maior de não atingir os objetivos traçados. 

 

Reparem que toda cidade que é consolidada como destino turístico, também é uma cidade boa pra morar, se tem turismo consciente tem educação, emprego, serviços de qualidade, mentalidade ambiental, acessibilidade, respeito e muitos outros elementos que qualificam a convivência. 

 

Houve um período em que especialistas do turismo diziam que? "Cidade boa para o turista era aquela que era boa para o morador". Hoje eu me atrevo a inverter essa lógica e afirmar que cidade boa pra morar é aquele que se prepara para ser um bom destino turístico. É a diversidade dos turistas que traz a diversidade na oferta de produtos e qualificação dos serviços e assim os locais se beneficiam.


Toda cidade tem algo para ser visto, visitado e potencializado, umas mais e outras menos, isso só depende da natureza, da história e dos seres que nelas habitam entenderem que o turismo historicamente é a mola desenvolvedora das sociedades!