Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Hall
Você está em:
/
/
Social

Notícia

477 anos de Salvador: Com mais de cinco décadas de carreira, Bel Borba ajuda a contar a história da capital baiana por meio da arte

Por Nathalí Brasileiro

477 anos de Salvador: Com mais de cinco décadas de carreira, Bel Borba ajuda a contar a história da capital baiana por meio da arte
Foto: Divulgação

Salvador tem muitos filhos ilustres, mas Bel Borba é um daqueles que contam como poucos a história da primeira capital do Brasil. Por meio da arte, o artista plástico faz da cidade seu principal cenário e matéria-prima, com obras que atravessam o cotidiano e ajudam a narrar a identidade de Salvador, que celebra 477 anos neste domingo (29).

 

“Me sinto um soteropolitano típico, um baiano clássico. Eu amo a minha cidade. Salvador tem uma geografia, uma anatomia que dá muito charme. É uma cidade debruçada sobre uma baía imensa, com uma riqueza cultural inesgotável, na música, na culinária, na miscigenação. Quando viajo, já saio pensando na volta”, contou ao BN Hall. Segundo ele, essa relação com a cidade não é apenas afetiva, mas também estruturante em sua trajetória. “Tenho muita sorte de, ao vir para este mundo, nascer em Salvador, na Bahia. É um privilégio ser soteropolitano, viver essa cidade e tudo o que ela representa”, completou.

 

Filho de uma família de advogados, Bel chegou a iniciar o curso de Direito, em um período em que a arte ainda não era vista como profissão consolidada. O caminho, no entanto, já estava desenhado desde cedo. Ainda criança, por volta dos oito anos, produziu sua primeira xilogravura, marcando o início de uma relação contínua com a criação.

 

Hoje, com cerca de cinco décadas de produção ininterrupta, construiu uma obra que se espalha por diferentes suportes e materiais, como madeira, aço, concreto e plástico. Foi nos mosaicos e nas esculturas, porém, que encontrou uma forma mais direta de dialogar com a cidade, levando a arte para fora dos espaços tradicionais. “Eu crio há 50 anos, então dá para marcar uma época. De certa forma, eu estou na corrente sanguínea do soteropolitano”, disse.

 


Monumento em homenagem a Santa Dulce dos Pobres. Foto: Reprodução / Prefeitura de Salvador 

 

Essa ocupação acontece de forma orgânica, incorporada ao dia a dia. As obras não estão apenas em galerias, mas em muros, fachadas e espaços públicos, criando encontros inesperados com quem circula pela cidade. Esculturas como a baiana de acarajé, na orla de Amaralina, a imagem da Santa Dulce dos Pobres, no Largo de Roma, e os mosaicos espalhados por diferentes bairros ajudam a consolidar essa presença.

 


Escultura da baiana de acarajé em Amaralina. Foto: Jefferson Peixoto / Secom

 

“Quando você leva a arte para a rua, ela deixa de ser só sua e passa a ser da cidade. As pessoas convivem com aquilo no dia a dia, criam uma relação, reconhecem, se identificam. Isso é muito poderoso, porque a obra deixa de estar restrita a um espaço e passa a fazer parte da vida das pessoas”, explicou.

 

Entre os trabalhos mais marcantes, ele destaca a coleção de mosaicos desenvolvida ao longo dos anos em Salvador. Para o artista, essas peças formam um conjunto que ultrapassa obras isoladas e ganha sentido no todo. “Foi se construindo de forma orgânica, ao longo do tempo. Vejo tudo isso como uma obra só, talvez a mais importante da minha trajetória”, avaliou.

 

Mais do que estética, a produção também carrega uma visão sobre o papel da arte. Para Bel, criar está diretamente ligado à ideia de troca. “A arte é o milagre de você compartilhar”, resumiu, ao explicar que o processo envolve dividir ideias, percepções e experiências. “Isso vale para a música, para a pintura, para o teatro. Eu me recuso a me inscrever em um único caminho”, completou.

 


Foto: Divulgação

 

Mesmo com reconhecimento internacional, com obras e exposições em países como Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Suíça, Salvador permanece como ponto central de sua trajetória. Foi na cidade que construiu sua base e também de onde partiu para o mundo.

 

Nesse sentido, ele faz questão de reforçar a origem como parte inseparável do trabalho. “Salvador e a Bahia me projetaram para o mundo. Foi daqui que tudo começou”, afirmou. “Sempre tive, e sempre vou ter, a honra de levar a minha terra comigo”, acrescentou.

 

A cidade, aliás, segue sendo fonte constante de inspiração. Para Bel, o ambiente urbano, a diversidade cultural e a forma como as pessoas ocupam os espaços alimentam o processo criativo de forma permanente. “Salvador é um berço de criatividade. É uma cidade de muita exuberância, muita diversidade, com influência de povos do mundo inteiro. Isso chega até a gente de várias formas e amplia ainda mais esse olhar. É uma cidade muito musical, muito sensorial, cheia de cheiros, de cores, de ritmos. Tem o cheiro do acarajé na esquina, do mar, da maresia, das flores… tudo isso alimenta quem cria. É uma energia muito forte, muito especial. Qualquer artista precisa viver Salvador, precisa estar aqui, sentir isso de perto”, destacou.

 

Ao longo dos anos, essa troca entre artista e cidade se consolidou a ponto de se tornarem indissociáveis. A trajetória de Bel acompanha transformações urbanas, culturais e sociais, ao mesmo tempo em que contribui para construir a paisagem afetiva de Salvador.

 

Ao olhar para o próprio percurso, ele resume essa relação como algo que ultrapassa a carreira e se mistura à própria história de vida. “No dia em que eu estiver chegando ao meu último suspiro, tenho certeza de que vou encher o pulmão e lembrar da história de um menino que inventou um jeito de trabalhar, de ser artista, de conduzir a própria carreira, e que foi abraçado pela sua cidade. Me tornei indissociável de Salvador, da Bahia. Hoje, não dá para falar de mim sem falar daqui. Somos completamente complementares”, concluiu.

 

Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.