Dirigido por baiano, documentário narrado por Alice Pataxó vence três prêmios em festival de cinema na Itália
Por Redação
O curta-documentário “O Chamado do Mar”, dirigido pelo cineasta baiano Thiago Sampaio, conquistou três prêmios no Rome Prisma Film Awards, realizado em fevereiro, em Roma, na Itália. A produção foi reconhecida nas categorias Melhor Curta Documentário, Melhor Desenho de Som e Melhor Montagem.
Narrado pela liderança indígena Alice Pataxó, o filme propõe uma reflexão sensorial sobre território, memória e relação com o oceano. A ativista e comunicadora, reconhecida pela BBC como uma das 100 mulheres mais influentes do mundo, conduz a narrativa a partir de sua própria experiência de reconexão com o mar.
Na perspectiva do povo Pataxó, o oceano carrega significados que vão além da paisagem natural. Foi por essas águas que chegaram as primeiras embarcações portuguesas, marco inicial de um processo de invasão e deslocamento que atravessa gerações. Ao retornar à beira-mar, Alice revisita essa memória coletiva e transforma um espaço marcado pelo silêncio em território de escuta, pertencimento e reconciliação.
A estreia do documentário ocorreu durante a COP30, em Belém. Na véspera da exibição, o território do povo Pataxó foi oficialmente demarcado após mais de três décadas de mobilização, um contexto que aproximou ainda mais a obra de um momento simbólico de resistência e reparação histórica.
Depois da primeira exibição, o filme integrou uma mostra cultural em Lisboa e também foi selecionado como semifinalista do Sunday Shorts Film Festival. Com a recente premiação na Itália, a produção amplia sua circulação internacional e passa a alcançar novos públicos.
No Brasil, “O Chamado do Mar” também será exibido no TEDx Porto Seguro, marcado para o dia 19 de março, em Trancoso, no Teatro L’Occitane. Outras sessões em espaços culturais do país devem ser anunciadas nos próximos meses.
Com linguagem contemplativa e foco nos sons naturais, o curta constrói uma experiência imersiva que acompanha a jornada íntima de Alice Pataxó em direção ao oceano. Entre o movimento das marés, o silêncio e os gestos do corpo, o filme revela o mar como um espaço de memória viva, onde passado e presente se encontram.
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