Fotojornalista baiano é premiado em concurso internacional em Portugal
Por Maurício Reis / Nathalí Brasileiro
O fotógrafo e jornalista baiano Caíque Bouzas, de 32 anos, foi destaque no concurso “Retratos da Assistência Médica na Cidade do Porto”, promovido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal, como parte das comemorações do bicentenário da instituição. Na ocasião, ele conquistou a terceira colocação, sendo reconhecido com uma premiação de € 500.
Em entrevista ao BN Hall, Bouzas contou que a fotografia premiada integra uma série produzida na Associação NOMEIODONADA, ligada ao projeto O Kastelo, no país lusitano, onde vive há mais de dois anos. A instituição se dedica ao cuidado de crianças com doenças crônicas.
“Quando soube do concurso, como fotojornalista, tentei pensar numa boa história e descobri a associação, que cuida de crianças com doenças crônicas, com cuidados continuados e paliativos. E, a partir daí, fiz uma série de fotos. Dentre elas, escolhi três para enviar, como era o regulamento do concurso. Uma delas foi premiada”, relatou.
Segundo Bouzas, sua intenção foi ir além do registro documental. Ele buscou traduzir, em imagem, a sensibilidade envolvida na atuação dos trabalhadores da área médica. “Eu tentei passar a importância de ter esses profissionais de saúde cuidando de uma causa tão complicada como fazer os cuidados paliativos de crianças. Porque isso é muito pesado. E eu queria, de certa forma, tentar dar visibilidade para isso e tentar impactar através da estética fotográfica, como linhas, iluminação e enquadramento”, explicou.

Fotografia feita por baiano é premiada em Portugal. Foto: Caíque Bouzas
Formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), o fotógrafo recorda que seu envolvimento com a imagem começou ainda nos corredores da Faculdade de Comunicação da instituição, quando teve o primeiro contato prático com a fotografia. Incentivado por professores, passou a desenvolver seu olhar autoral desde então.
“Eu imagino a fotografia muito como uma parte de quem você é. Eu tento sempre dar um pouco da minha visão e mostrar para as pessoas o que elas não conseguem ver e o que eu consigo imaginar e mostrar através da câmera, com ângulos diferentes, luzes, enquadramentos, linhas e percepções diferentes. Um ponto de vista que não é, muitas vezes, perceptível ao olho nu ou à forma como a gente enxerga as coisas”, destacou.
Para ele, fotografar é também interpretar. “Então eu tento sempre mostrar o que está ali, mas que dá para ser interpretado de outra forma, ser visto com beleza, ser visto com cuidado, com atenção. A fotografia, para mim, é imaginar, é ver tudo dessa forma. O fotógrafo vai contar histórias, independentemente do que seja”, concluiu.
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