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Da engenharia ao mundo das artes, Gabriela Moreira se reinventa e investe em artesanato feito com madeira

Por Nathalí Brasileiro

Da engenharia ao mundo das artes, Gabriela Moreira se reinventa e investe em artesanato feito com madeira
Fotos: Acervo Pessoal

Entre o som suave da serra e o cheiro inconfundível da madeira, o Ateliê DiMadê, em Salvador, é um espaço onde a matéria-prima se transforma em mais do que simples objetos. Em peças de decoração, brinquedos e itens de cozinha, o trabalho manual ganha vida com o toque único da baiana Gabriela Moreira, engenheira civil que, movida pela insatisfação com sua antiga carreira, trocou os cálculos e a rigidez das obras por algo mais fluido e criativo: a marcenaria.

 

 

"Não sabia onde me encaixar no mundo da engenharia. Não era feliz e, muito menos, realizada. Quando, durante o mestrado, apareceu a oportunidade de cursar uma disciplina de Design de Produto, decidi me jogar nesse universo. E foi ali que tudo mudou", contou Gabriela em conversa com o BN Hall. Sem tradição familiar no ramo, ela decidiu investir nesse novo ofício, adquirindo suas primeiras máquinas e buscando conhecimentos sobre marcenaria. O DiMadê foi oficialmente lançado em 2018 e, desde 2022, ela se dedica exclusivamente ao ateliê.

 

Gabriela explica que cada peça produzida reflete a autenticidade da madeira e sua singularidade. "A madeira tem uma vida própria. Cada peça tem uma história, e nenhuma é igual à outra. Por isso, o tempo de produção varia; cada peça demanda seu tempo e atenção aos mínimos detalhes. Mesmo com alguma automação, a maioria dos processos são feitos à mão", explicou.

 

Para a engenheira e artesã, a interação com o produto final também é uma das preocupações. "Para os itens de decoração e cozinha, tento sempre me colocar no lugar do receptor. Pensar em como cada peça será utilizada, testando no dia a dia, me faz aprimorar as produções", comentou. Quanto aos brinquedos, um dos destaques do ateliê, ela conta que observa o uso com seus próprios filhos. "Produzir os brinquedos é até engraçado, porque a gente pode até sugerir uma forma de brincar, mas cada criança entende de sua maneira e brinca do jeito que preferir. Observar meus filhos experimentando os protótipos me dá certezas sobre a funcionalidade de cada brinquedo", contou.

 

Para Gabriela, o futuro do Ateliê DiMadê é impulsionado pela relação com o público. "Espero continuar no mercado, me fortalecer e aprender muito mais, trazendo novas técnicas e novas peças. Quero trazer mais emoção para o público, mais alegria, boa energia, porque é isso que me move. É o público, o cliente que compra comigo, que volta para comprar de novo e indica para outra pessoa", afirmou.

 

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