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IV Conferência Estadual da Mulher Advogada celebra a diversidade e impulsiona Afrocolab em Salvador

Por Manuela Meneses

Ângela Guimarães
Fotos: André Carvalho / BN Hall

A IV Conferência Estadual da Mulher Advogada, organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA), teve início nesta segunda-feira (22) no Centro de Convenções de Salvador, localizado na Boca do Rio. O evento, que se estende até esta terça-feira (23), apresenta mais de 20 painéis que discutem temas como "Igualdade de Gênero e Raça" e "Diversidade, Inclusão e Responsabilidade Social".

 

Coincidindo com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, a Conferência também integra parte da programação do evento “Julho das Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas”, agora em sua terceira edição. Com o objetivo de valorizar o empreendedorismo negro, o evento inclui um desfile de moda afro, realizado em parceria com a Rede de Lojas Colaborativas do Empreendedorismo Negro (Afrocolab), uma iniciativa da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi).

 

 

Em entrevista ao BN Hall, Ângela Guimarães, secretária de Promoção da Igualdade Racial, explicou que o objetivo do projeto é garantir visibilidade e espaço para comercialização dos empreendimentos liderados por pessoas negras. “É uma ação que é parte da nossa política estadual de fomento ao empreendedorismo negro de mulheres. Nós inauguramos essa rede de lojas ano passado no Salvador Shopping, já passamos pelo Shopping Barra e agora estamos no Shopping da Bahia e nos grandes eventos que Salvador acolhe, nós temos feito é essa experiência da Afrocolab Pocket, uma oportunidade de que talvez pessoas que ainda não tenham conhecimento, possam ter contato com as nossas empresárias”, afirmou.

 

Ângela também destacou os planos de expansão para a Afrocolab. Outros dez espaços estão previstos para serem abertos na Bahia, com três inaugurando ainda este ano. “Nós já estamos no processo de preparação para ocupar outras praças. Estamos em diálogo avançado, fazendo visitas técnicas para a instalação numa loja colaborativa no Aeroporto de Ilhéus, no Aeroporto de Vitória da Conquista, no município de Cachoeira, Castro Alves, no novo Terminal Rodoviário de Salvador. Vamos colocar também lojas nas estações de metrô daqui de Salvador, a partir de uma parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e também com a CCR Metrô. Alguns hotéis também nos demandam”, revelou.

 

A Bahia, estado com a maior população negra do Brasil (80,8%) de sua população é preta ou parda, segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia de 2022), vê no Afrocolab uma importante iniciativa de inclusão. Ana Márcia, educadora aposentada e bióloga de 60 anos, iniciou sua jornada empreendedora na aposentadoria, criando anéis de alumínio e peças com materiais emborrachados e eco malha. Ela destacou a importância do espaço fornecido pela Sepromi. “O espaço é super importante. Importante enquanto mulher negra empreendendo, que na realidade a mulher negra empreende desde lá atrás. Empreender hoje é diferente, principalmente diante de uma ação como essa Sepromi, na formação de uma loja, que é a Afrocolab, que hoje ocupa espaços que se não fosse essa ação seria bem mais difícil por toda questão racial”, disse ao Hall. 

 

 

No espaço montado no Centro de Convenções, acessível até esta terça-feira (23), podem ser encontrados itens como turbantes, acessórios, roupas de tecidos africanos e cosméticos. Ana Márcia ressaltou a crescente valorização da cultura negra, especialmente entre turistas. “Tem um lado que a gente fica um pouco preocupada com a questão do modismo. É interessante agora você se vestir de negro, esse é o lado preocupante. Mas tem um lado que é o lado positivo que é o nosso fortalecimento, reconhecimento de que nós somos pessoas importantes que podemos, que temos condições, que somos capazes de ocupar todos os espaços. Então, para mim é uma linha tênue”, opinou.
 

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