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Em Salvador, Gabriela Loran fala sobre carreira e personagens vividos na Globo

Por Alexandre Brochado

Em Salvador, Gabriela Loran fala sobre carreira e personagens vividos na Globo
Fotos: Arquivo Pessoal

A atriz fluminense Gabriela Loran, que vive 'Giovanna' na série “Arcanjo Renegado”, do Globoplay, e 'Luana' na novela “Cara e Coragem”, passou uma temporada em Salvador, desde a virada do ano até a semana passada. Ela, que considera a capital baiana como segundo lar e pretende ter uma casa na região, contou em entrevista ao BN Hall um pouco sobre sua carreira, novos projetos e personagens. 

 

 

“Essa é a minha quinta vez em Salvador. De 2017 para 2018, passei a virada do ano aqui e fiquei durante três meses, ou seja, praticamente morei. Tenho família aqui, mas não é família de sangue. É uma família que me adotou, então já tenho minhas raízes aqui na Cardeal da Silva, na Federação. Eu digo que o meu corpo nasceu no Rio, mas a minha alma nasceu em Salvador”, destacou. 

 

Ao BN, Gabriela disse que pretendia ficar mais tempo na Bahia, porém teve que viajar para o Rio de Janeiro devido a compromissos voltados à publicidade. Além disso, a atriz revelou que irá começar a gravar a terceira temporada de “Arcanjo Renegado”, no segundo semestre de 2023, e precisará de tempo para se reconectar com a sua personagem. Porém, a artista não descarta a possibilidade de passar o Carnaval em Salvador. 

 

A artista contou que "Malhação" foi uma grande oportunidade em sua carreira - novela em que atuou entre os anos de 2018 e 2019 -, pois foi a partir dali que ela se consagrou, sendo a primeira atriz trans a viver uma personagem trans na trama, e passou a adquirir papéis remunerados. “Eu fazia vários espetáculos teatrais, várias aparições em filmes, mas não era remunerado por conta de eu ser uma pessoa trans, coisas que já entendemos todo o preconceito que existe na sociedade, mas nunca desisti até que veio a oportunidade de fazer Malhação”, afirmou. 

 

 

Além da TV, Gabriela também produz conteúdos para as redes sociais. Foi na faculdade de Teatro que ela começou a ter noções de gênero e raça, tendo na época como forte inspiração a youtuber Nátaly Neri. “Estava começando meu processo de entendimento de gênero e passei a pesquisar referências, mas não achava no YouTube, e como ia começar meu processo de transição também pensei que precisava compartilhar isso para que eu pudesse ter uma troca, para que as pessoas me vissem no Youtube elas pudessem comentar e assim teria uma rede de apoio. Nunca foi uma pretensão ser a pioneira nas coisas, sempre tive uma necessidade muito grande de me expressar, e aí entrei para faculdade de artes cênicas, sou formada em artes cênicas, e foi quando efetivamente comecei a entender mais sobre mim”, apontou. 

 

Entretanto, no período da pandemia da Covid-19, a atriz viu na internet a oportunidade de conseguir se sustentar. Naquela época, Gabriela era casada e seu marido ajudava nas contas de casa com seu trabalho em um supermercado. Loran tinha alguns filmes confirmados, mas, como a doença era pouco conhecida, as gravações foram canceladas.

 

 

“A minha forma de me expressar é escrevendo texto, quando estou inquieta e tudo mais. Um dia estava tomando banho e comecei a falar um texto, que eu nomeei ‘Assim como você’ [...] e aí decidi gravar um vídeo com esse texto, postei despretensiosamente e o MidiaNinja repostou, o Quebrando Tabu compartilhou, as pessoas começaram a compartilhar e comentar, e vi que era uma opção, e assim comecei a fazer vídeos semanalmente. No começo da pandemia, eu tinha 10 mil seguidores e hoje tenho uns 325 mil. Fui crescendo muito nesse período e, por mais que tenha sido difícil, foi uma época em que eu realmente consegui trabalhar com internet, tirando lucro disso. As pessoas me conhecem muito mais pela internet do que pela minha verdadeira profissão que é atriz”, relatou. 

 

Em relação aos seus próximos trabalhos a serem lançados, a atriz informou que terminou, no ano passado, a gravação de um audiobook sobre a vida de Mariele Franco. “Eu tive a oportunidade junto com Zélia Duncan, Dira Paes e Verônica Bonfim, de dar vida a esse audiobook que conta história dessa mulher que eu também não sabia muita das coisas, e que tive a oportunidade de ter acesso com esse trabalho. Foi um dos trabalhos mais desafiadores da minha vida e um dos mais bonitos também”, descreveu. 

 

 

No final da entrevista, Gabriela deixou um recado: “A mensagem que eu deixo é: sonhe. A única certeza que temos é que vai ser difícil, porque nós somos quem nós somos. Infelizmente, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo e, ao mesmo tempo que mata, é o que mais objetifica. [...] Mas eu acho que é sobre entender que todas as possibilidades são possíveis para gente também, porque é importante ver essas pessoas [no lugar de representatividade]. Foi importante que eu visse a Nátaly lá atrás para que eu pensasse que podia. Hoje, quando recebo mensagens de meninas e meninos trans dizendo que querem atuar, eu falo: vá, estude, se capacite, porque sendo uma pessoa preta temos que nos esforçar três vezes mais, mas sendo uma pessoa trans é quase 10 vezes mais, porque as pessoas não dão credibilidade ao nosso corpo. E, assim como a Liniker disse, ‘é sobre excelência' e nós só precisamos de oportunidade, porque talento, disponibilidade e entrega nós vamos ter”.
 

 

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