Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.
Marca Bahia Notícias Hall
Você está em:
/
/
Social

Notícia

Hugo Canuto leva quadrinhos sobre os Orixás à China e anuncia novo livro em homenagem a Yemanjá

Por Melissa Carlos / Nathalí Brasileiro

Hugo Canuto leva quadrinhos sobre os Orixás à China e anuncia novo livro em homenagem a Yemanjá
Foto: Divulgação

As histórias dos Orixás, suas simbologias e a herança cultural africana que atravessa a Bahia vão ganhar espaço em um dos principais encontros internacionais do mercado editorial infantil. O artista baiano Hugo Canuto integra a comitiva brasileira que participa da Feira Internacional do Livro Infantil de Xangai, na China, entre os dias 13 e 15 de novembro. No evento, ele apresentará a edição internacional de “Contos dos Orixás”, publicada em inglês com o título “Tales of the Orishas” pela editora norte-americana Abrams ComicArts.

 

Em entrevista ao BN Hall durante o primeiro dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), nesta quinta-feira (5), Canuto revelou que, paralelamente à agenda internacional, prepara um novo volume da coleção “Contos dos Orixás”, desta vez dedicado a Yemanjá. Intitulado “Yemanjá, a Mãe das Águas”, o livro tem lançamento previsto para o início de 2027, pela editora Trem Fantasma.

 

“Estou há um ano trabalhando nesse quadrinho. É uma nova trajetória da coleção ‘Contos dos Orixás’, porque traz histórias de Yemanjá em seus diferentes aspectos, como rainha, mãe e divindade. É um livro que vai sair no começo do próximo ano”, contou. A publicação contará com ilustrações da artista paulistana Marília Marz, chargista da Folha de S.Paulo e autora de “Indivisível”, obra sobre a memória negra do bairro da Liberdade, em São Paulo.

 

Para Canuto, levar os Orixás para o formato também é uma forma de ampliar o reconhecimento da influência africana na formação cultural brasileira e de utilizar a arte como instrumento de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. “Se hoje comemos acarajé, nos vestimos de branco às sextas-feiras e temos uma música e um ritmo tão característicos, é por conta desse alicerce cultural africano. Trazer as histórias dos Orixás para os quadrinhos é mais uma manifestação dessa herança. Assim como Dorival Caymmi fez na música e Carybé nas artes plásticas, entre tantos artistas que construíram esse repertório em diferentes linguagens, eu levo essa contribuição para os quadrinhos. É uma linguagem inovadora e universal, conhecida da Argentina ao Japão. Com isso, transformo esse trabalho também em uma ferramenta contra o racismo e a intolerância e de promoção da cultura”, afirmou.

 

SOBRE O ARTISTA
Nascido em Salvador, Canuto é arquiteto e artista visual, criador das séries “Contos dos Orixás” e “A Canção de Mayrube”. Iniciado em 2016, o projeto “Contos dos Orixás” já soma cerca de 30 mil exemplares impressos, distribuídos entre três livros, três artbooks e a edição internacional. Publicada pela Abrams ComicArts, a versão em inglês ampliou a circulação da obra, que também integra o acervo do National Museum of African American History and Culture (NMAAHC), em Washington, nos Estados Unidos.

 

Nas páginas de seus livros, personagens e narrativas ligadas a divindades como Xangô, Oxum, Ogum e Yemanjá chegam a leitores de diferentes gerações. A produção também tem relação direta com a vivência de Canuto como adepto do Candomblé, experiência que atravessa sua pesquisa visual e a construção das histórias.

 

A trajetória do artista reúne reconhecimentos no Glyph Awards e no Troféu Angelo Agostini. Em 2026, ele recebeu o Troféu HQ Mix na categoria Relevância Internacional. Canuto também foi indicado ao Prêmio Jabuti e ao Dwayne McDuffie Award, dedicado à diversidade nos quadrinhos, sendo o primeiro brasileiro a participar da premiação.

 

 

Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.