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Projeto desenvolvido em Maragogipinho está entre vencedores de prêmio nacional

Por Redação

Projeto desenvolvido em Maragogipinho está entre vencedores de prêmio nacional
Foto: Divulgação Pontão de Cultura Aláfia

Em Maragogipinho, onde o fazer artesanal atravessa gerações e mantém vivos os saberes de um território, tradição e inovação passaram a dividir o mesmo espaço. É dessa combinação que nasceu o “Tecendo Horizontes e Saberes”, projeto que qualificou 32 mulheres artesãs e está entre as 18 iniciativas vencedoras da 39ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

Realizado em Maragogipinho, no Recôncavo Baiano, o projeto integra a iniciativa “Tradição, Ancestralidade e Renda” e teve como foco a qualificação de mulheres artesãs a partir dos conhecimentos, práticas e saberes presentes no território. A proposta combinou formação, criação e inovação com possibilidades de geração de renda, valorizando o artesanato como expressão cultural e instrumento de preservação da memória e das identidades locais.

 

Ao todo, 40 mulheres participaram inicialmente do processo formativo, sendo que 32 concluíram a qualificação em biojoias, o equivalente a 80% de conclusão. A formação contou com oficinas práticas, dinâmicas de criação, desenvolvimento de peças autorais, rodas de conversa e acompanhamento técnico.

 

Para Mateus Estrela, coordenador técnico do projeto, a iniciativa busca aproximar os conhecimentos tradicionais de processos contemporâneos de criação e inovação, reconhecendo os saberes produzidos pelas comunidades como formas de tecnologia social.

 

“A tecnologia social Tecendo Horizontes e Saberes representa uma forma de transformar conhecimento em prática, aproximando diferentes saberes e reconhecendo que os conhecimentos produzidos por artesãos, comunidades tradicionais e seus territórios também são formas de tecnologia e inovação”, afirma.

 

Segundo o coordenador, a metodologia foi construída a partir da escuta e da cocriação, com o objetivo de estabelecer conexões entre tradição, inovação e desenvolvimento sem desconsiderar os conhecimentos historicamente produzidos no território. “A proposta nasce da escuta, da troca e da cocriação, construindo caminhos para que tradição, inovação e desenvolvimento possam caminhar juntos”, acrescenta.

 

Além da dimensão econômica, o projeto também trabalha o artesanato como ferramenta de preservação cultural. As peças produzidas pelas participantes incorporam técnicas, referências e modos de fazer transmitidos entre gerações.

 

“O artesanato ocupa um papel fundamental, não apenas como atividade econômica e possibilidade de geração de renda, mas como expressão cultural, instrumento de preservação da memória e dos modos de fazer e elemento de fortalecimento das identidades e dos territórios”, destaca Mateus.

 

A produção desenvolvida durante o projeto também alcançou outros circuitos culturais e de moda. As biojoias produzidas pelas artesãs foram apresentadas na São Paulo Fashion Week, durante o desfile da marca Meninos Rei, e integraram uma exposição e um desfile realizado pelas próprias participantes no III Festival de Cerâmica de Maragogipinho.

 


Foto: Divulgação Pontão de Cultura Aláfia

 

Os resultados ampliaram a circulação das peças e aproximaram a produção artesanal de novos públicos, colocando em evidência a capacidade criativa das artesãs e a riqueza dos saberes preservados no território.

 

O reconhecimento pelo Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade amplia a visibilidade de uma experiência que articula patrimônio cultural e desenvolvimento social a partir do protagonismo comunitário. Em vez de compreender a preservação como uma prática estática, o projeto trabalha com a ideia de que os saberes tradicionais permanecem vivos quando encontram condições para serem praticados, compartilhados, recriados e valorizados.

 

Nesta edição, o prêmio reconheceu 18 iniciativas de diferentes estados brasileiros. Entre elas, “Tecendo Horizontes e Saberes” representa o Recôncavo Baiano em uma seleção nacional de projetos voltados à valorização do patrimônio cultural, destacando o papel de Maragogipinho na preservação de conhecimentos tradicionais e na criação de novas possibilidades de trabalho e geração de renda.

 

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