Preservando a memória e a autoria do design nacional, MS Home resgata móveis raros com trabalho de restauro em Salvador
Por Melissa Carlos
Em meio ao ritmo acelerado da produção em massa e das tendências efêmeras, um refúgio em Salvador propõe uma relação diferente com o mobiliário. Idealizada pela empresária e designer de interiores Lucy Bomfim, a Casa Viva reúne a curadoria da MS Home e a marcenaria da Dalmóbile em ambientes que combinam peças raras do design nacional, móveis antigos restaurados e elementos do mobiliário contemporâneo.
Localizado no Caminho das Árvores, o espaço funciona como showroom e traduz o conceito de “Novo Morar”, desenvolvido por Lucy. A proposta parte da ideia de que uma casa deve ser mais do que um cenário estético, mas um ambiente construído a partir de diferentes referências, memórias e formas de viver.

Foto: Divulgação
“O luxo contemporâneo está cada vez menos relacionado ao excesso e cada vez mais àquilo que possui significado, memória e capacidade de permanecer”, declarou em conversa com o BN Hall. “A proposta da MS Home é criar ambientes com identidade, onde o novo, a arte, a decoração, o design de acervo e aquilo que tem valor afetivo possam coexistir. Para mim, é justamente essa mistura que faz uma casa parecer verdadeiramente vivida e não simplesmente montada”, destacou.
Segundo Lucy, um dos diferenciais do projeto está na combinação entre a marcenaria contemporânea e peças históricas do design brasileiro. O acervo reúne móveis de nomes como Sergio Rodrigues, Oscar Niemeyer e Jorge Zalszupin, que aparecem nos ambientes ao lado de criações contemporâneas.
“Nosso acervo reúne nomes fundamentais do design brasileiro, que revelam maneiras diferentes de interpretar o Brasil. Temos Sergio Rodrigues, com peças como a Mole, a Tete, o sofá Parati e o banco Mocho; Oscar Niemeyer, com a Marquesa e a Chaise Rio; e temos também Jorge Zalszupin, representado pela Mesa Pétala, uma peça que mostra como o design pode ultrapassar a função e se aproximar da escultura”, explica.
A curadoria, no entanto, não se limita à raridade ou à assinatura dos móveis. A Casa Viva reúne peças de diferentes épocas e linguagens para criar ambientes que priorizam o conforto e a identidade. Nesse processo, o restauro também ganha espaço como forma de preservar as características e a história de cada objeto.

Foto: Divulgação
Realizado em parceria com um artesão de confiança da família Bomfim, o processo começa com uma análise das estruturas, materiais, desenhos, características construtivas e marcas da trajetória de cada peça. A partir desse diagnóstico, são definidos os procedimentos necessários para recuperar os móveis, mantendo seus elementos originais e permitindo que sejam incorporados a ambientes contemporâneos.
A convivência entre mobiliário histórico, peças contemporâneas, arquitetura e marcenaria é parte da proposta da Casa Viva. Para Lucy, a combinação de diferentes elementos permite criar espaços que ultrapassam a função decorativa e incorporam referências pessoais e afetivas.
“Quando esses elementos são reunidos, uma casa deixa de ser um endereço e passa a contar uma história. Ela se torna viva”, declara.
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