Nizan Guanaes prepara livro sobre marketing dos fundadores e leva conceito para palestra nos EUA
Por Redação
O publicitário baiano Nizan Guanaes está preparando um novo livro inspirado nas histórias de empreendedores que transformaram suas próprias personalidades em marcas. O projeto, ainda em fase inicial, reúne personagens que, segundo ele, souberam criar caminhos próprios para seus negócios, muitas vezes começando com poucos recursos. A ideia também será apresentada aos alunos da Babson College, em Massachusetts, onde Nizan sobe ao palco do Winn Auditorium nesta quarta-feira (9).
O profissional construiu uma carreira que o levou ao primeiro escalão da publicidade brasileira e internacional. Hoje, à frente da N Ideias, atua como consultor estratégico de grandes empresas. Na Babson, onde boa parte do público é formada por jovens empreendedores, ele pretende falar sobre criatividade, negócios e a construção de marcas a partir da identidade de seus fundadores.
O conceito, chamado por Nizan de “marketing dos fundadores”, parte da ideia de que empresários podem usar suas histórias, personalidades e visões como diferenciais para os negócios. “Uma das frases que vou falar é: só existe um jeito de ganhar de um campeão de xadrez, que é chamar ele para jogar cartas. Essa é uma pregação que eu tenho feito muito junto aos jovens empreendedores que me procuram. Você tem de buscar o seu próprio jogo”, afirmou ao NeoFeed.
Entre os personagens que devem aparecer no livro estão nomes como Amador Aguiar, fundador do Bradesco; Olavo Setúbal, que comandou o Itaú; Ralph Lauren; Steve Jobs; e Rolim Amaro, fundador da TAM. Para Nizan, todos encontraram maneiras particulares de associar suas personalidades às empresas que criaram ou lideraram.
A lista também inclui empresários de uma geração mais recente, como João Adibe, da Cimed. Para o publicitário, a exposição do executivo e de sua família nas redes sociais ajudou a construir uma identidade própria para a empresa. Nizan, no entanto, ressalta que não existe uma fórmula pronta para esse tipo de estratégia. “Você pode perfeitamente ser um influencer. Mas do seu jeito. Se o Carlos Sanchez, da EMS, tentasse ser o João Adibe, não ia ornar. Cada um tem o seu temperamento”, disse.
Outra referência para a palestra será o livro Becoming a Category of One, de Joe Calloway. A obra defende que, em vez de tentar apenas superar os concorrentes, as empresas devem buscar uma posição própria no mercado. “Ao invés de ficar disputando, crie a sua própria categoria”, resume Nizan.
A trajetória do próprio publicitário ajuda a explicar essa visão. Formado em Administração, começou a carreira na Bahia, fora do eixo Rio-São Paulo, antes de seguir para o mercado paulista. Foi sócio da DM9 e criou posteriormente o Grupo ABC, vendido para a americana Omnicom em uma operação estimada em R$ 1 bilhão. Entre suas referências está Washington Olivetto, que conheceu ainda na Bahia e com quem trabalhou posteriormente.
“Aquilo que podia ser uma dificuldade virou um ativo para mim”, afirmou Nizan sobre ter começado a carreira longe do principal centro publicitário do país. A relação com a cultura baiana também marcou sua forma de fazer publicidade. “A minha vida inteira é essa obsessão por beber na cultura e ficar olhando as sacadas que não são só propaganda. Então, é você juntar coisas nesse liquidificador que é a cabeça da gente.”
Em 2020, Nizan criou a N Ideias, consultoria que atende empresas como BYD, iFood, Sabesp, JHSF e Decolar. A empresa trabalha principalmente com estratégia e interlocução com executivos. “Publicidade é storytelling. Mas eu, que hoje cuido da estratégia de grandes empresas, ajudo no storydoing. Nós somos arquitetos, não somos construtores”, explicou.
Paralelamente ao livro e à atuação como consultor, Nizan prepara o lançamento da NIZAI, plataforma de inteligência artificial alimentada pelo repertório acumulado ao longo de sua carreira. A ferramenta foi desenvolvida para ampliar o acesso a esse conhecimento, especialmente para empreendedores e empresas que não dispõem de grandes estruturas de publicidade.
“Ela foi criada para que uma cadeia de lojas regionais ou alguém que está começando uma empresa e não tem recurso nem cultura de publicidade possa criar coisas com a minha cabeça”, afirmou. Para ele, a iniciativa acompanha uma transformação que já está em curso no mercado. “O futuro é muito falado, mas está sendo pouco praticado”, disse.
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