“Nem Só de Mãe Vive a Mulher”: Orjana Oliveira transforma experiências da maternidade em podcast sobre identidade feminina
Por Gustavo Assis
Quem é a mulher que existe por trás da mãe? Foi a partir dessa pergunta, vivida primeiro na própria história, que a educadora parental, psicoterapeuta corporal, comunicadora e atriz baiana Orjana Oliveira criou o podcast “Nem Só de Mãe Vive a Mulher”. O projeto, lançado em julho de 2025, reúne mulheres de diferentes trajetórias para conversar sobre maternidade, autonomia, desejo, trabalho, relacionamentos, corpo e os muitos papéis que atravessam a vida feminina.
Mãe de Alice, de 15 anos, e Romeo, de 11, Orjana conta que a ideia surgiu de uma dificuldade que também fazia parte da sua rotina: conciliar a maternidade com os desejos e projetos que existiam além dela.
“O projeto atravessa a minha própria história. Eu sou mãe de dois adolescentes e comecei a perceber, a partir da minha experiência, como era difícil existir como mulher para além do papel de mãe. Vivi a exaustão de tentar conciliar tudo e, ao mesmo tempo, querer sonhar, desejar, ser uma profissional e não me sentir culpada”, contou em entrevista ao BN Hall.
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Inicialmente gravado em casa e, posteriormente, com entrevistas realizadas on-line, o podcast ganhou novos formatos e passou a circular por outros espaços. Atualmente, o projeto também conta com experiências itinerantes, reunindo mulheres de diferentes gerações, classes sociais e trajetórias.
Uma das experiências mais recentes aconteceu durante a Flipelô, em Salvador, onde o projeto ganhou uma versão itinerante e reuniu mulheres de diferentes gerações, classes sociais e trajetórias. “Eu já estava com vontade de movimentar o podcast. A oportunidade de estar na Flipelô foi simplesmente enriquecedora, em um nível muito maior do que eu imaginava”, contou.
Durante a experiência, Orjana perguntou às convidadas qual livro havia marcado suas histórias e contribuído para que se aproximassem de quem eram para além dos papéis que ocupavam.
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Entre os encontros, ela destaca a conversa com Verônica Oliveira, do Faxina Boa, que trabalhou como faxineira antes de se tornar influenciadora e palestrante. “A história dela me emocionou muito porque mostra uma mulher que precisou se reinventar. Hoje ela é influenciadora e palestrante, vindo de um lugar profissional que muitas vezes é desvalorizado”, afirmou.
Atualmente, Orjana segue entrevistando mulheres on-line e pretende ampliar o projeto para outros espaços. Entre os próximos planos está a possibilidade de levar o podcast para uma feira literária no Rio de Janeiro. O formato itinerante também deve ganhar novos capítulos. “O que eu mais estou gostando de fazer é o itinerante. Ele trouxe uma possibilidade de mobilidade para essa conversa, de chegar a outros lugares, outros nichos e até à casa das pessoas”, destacou.
Com mais de 90% de audiência feminina, principalmente entre mulheres de 30 a 55 anos, o podcast também aborda temas como saúde mental, relacionamentos, autonomia e desenvolvimento humano. Para a profissional, parte do processo de existir para além da maternidade passa por reconhecer a culpa e estabelecer limites. “Eu posso viajar, posso deixar meus filhos com o pai. São essas pequenas mudanças que também permitem que a mulher exista”, ressaltou.
Na entrevista, ela destacou ainda que essa discussão atravessa sua trajetória de forma transversal. Desde 2016, ela trabalha com parentalidade e desenvolvimento humano e já acompanhou milhares de famílias. Nos atendimentos, percebeu que muitas mulheres chegavam exaustas, buscando maneiras de educar melhor os filhos e carregando grande parte das responsabilidades familiares.
A trajetória na área começou justamente pela maternidade. Ao se sentir insegura sobre como educar os próprios filhos, passou a estudar Disciplina Positiva e, posteriormente, participou da criação da Associação Brasileira de Disciplina Positiva. Também criou o curso “A Arte Gentil de Educar”, que já apoiou mais de 500 famílias, além de ministrar palestras e workshops no Brasil e em Portugal.
“Eu me vi muito perdida sobre como educar meus filhos e comecei a estudar Disciplina Positiva. Fazer parte da associação foi um lugar de validação, de entender que era possível fazer diferente e que havia respaldo científico”, afirmou.
Além das entrevistas e do trabalho com parentalidade, ela também conduz grupos terapêuticos, rodas de conversa, workshops e viagens para mulheres, trabalhando temas como culpa, limites e autocuidado. Essas diferentes experiências também ajudam a alimentar as discussões que surgem no podcast.
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No centro de “Nem Só de Mãe Vive a Mulher” está a ideia de que permitir que uma mulher tenha sonhos, desejos e uma vida que não se resume à maternidade também pode ser uma forma de cuidado com os filhos. “Acho que isso tem muito a ver com esse projeto: poder existir também como mulher para, de alguma forma, liberar nossos filhos para viverem as próprias vidas”, completou.
Os episódios são publicados às sextas-feiras no canal de Orjana Oliveira no YouTube e também estão disponíveis no Spotify.
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