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Lenine exalta a 'concretude' e reencontra o prazer da própria essência em show da turnê EITA na Concha Acústica

Por Rebeca Menezes

Lenine exalta a 'concretude' e reencontra o prazer da própria essência em show da turnê EITA na Concha Acústica
Fotos: Reprodução/Instagram lenine

Assistir ao show de Lenine é sempre um espetáculo à parte. Além da poesia, o pernambucano também leva para o público a alegria de executar uma canção pensada em cada detalhe, em cada verso e harmonia. E não foi diferente na sua apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves na noite desta sexta-feira (12). Em pleno dia dos namorados, ele exaltou o real e compartilhou como reencontrou na nova turnê, a EITA, o prazer por estar no palco.

 

O álbum que dá nome ao novo show, seu "filho novo", mistura suas raízes nordestinas com novas experimentações sonoras e poesia. "Cada show que a gente faz do Eita, a gente confirma a certeza de que a gente tem uma coisa muito bacana", comentou com o público. Além das 11 faixas do disco mais recente, também estão na setlist sucessos clássicos de sua carreira, como "Paciência", "Hoje eu quero sair só" e "Jack Soul Brasileiro". Lenine aproveitou para fazer uma menção especial a Maria Bethânia antes de entoar a parceria com a baiana, "Foto de Família".

 

No momento que apelidou de "ternurinha", Lenine e seu violão, sozinhos, tocam milhares de pessoas com o que o cantor tem de mais íntimo, como ele mesmo revela. Foi esse ponto que o pernambucano escolheu para falar do vinil feito do seu projeto EITA.

 

"Eu ainda sou daquela época que o trabalho que a gente faz precisa de uma concretude, alguma materialidade. Tudo agora é na nuvem", defendeu. O artista aproveitou para convidar o público a assistir o audiovisual gravado no mesmo projeto: "Na verdade o filme é um filme pra se ouvir, e o disco é um disco pra se ver".

 

Nem mesmo o problema no in-ear - fone de ouvido que dá o retorno do som à banda - tirou o brilho dos músicos. Foi o diretor da turnê, o baixista Bruno Giorgi, quem trouxe a solução: virar as caixas de som para permitir que a banda ouvisse o que tocava, e assim o público ouvisse o fim do show. Mas antes, espalhou alfazema pelo palco, como quem pede auxílio ao sagrado para encerrar uma noite mágica. A aura ecumênica permaneceu quando os aparelhos voltaram a funcionar, fazendo Lenine citar o espírita Alan Kardec e sugerir que se tratava quase de uma psicofonia.

 

Aliás, foi a Giorgi que Lenine atribuiu a "culpa" por ele se reencontrar no próprio trabalho: "Ele é o culpado por eu me redescobrir e voltar a sentir o mesmo prazer que eu sempre senti ao subir ao palco".

 

Em uma noite mística, o Leão do Norte mostrou que tem o coração do folclore nordestino. No seu discurso também político, provou que o país do swing é o país da contradição. Em um lugar como a Concha, que transporta parte da sua história, Lenine canta a todos nós, como num só ser. Nesse dia dos namorados, é o que me interessa.

 

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