Opará Saberes chega à 4ª edição com foco em educação antimachista e combate à violência de gênero
Por Redação
A 4ª edição do projeto Opará Saberes será realizada em maio de 2026, em Salvador, com uma programação voltada para debates sobre educação antimachista, enfrentamento à violência de gênero e prevenção ao feminicídio. A abertura acontece nesta quarta-feira (20), às 18h, no auditório do PAF da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Ondina, com palestra do sociólogo Deivison Mendes Faustino, conhecido como Deivison Nkosi.
Idealizado pela pesquisadora Carla Akotirene, doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismo pela UFBA, o projeto amplia, nesta edição, sua atuação para além do incentivo ao acesso de mulheres à pós-graduação. A proposta também inclui ações educativas voltadas a adolescentes e jovens expostos a discursos de ódio e à chamada “cultura redpill”, além da formação de profissionais do sistema de Justiça que atuam em casos de violência contra a mulher.
Segundo Carla, que este ano celebra os dez anos do projeto, o objetivo é promover uma discussão ampla sobre educação antimachista como ferramenta de transformação social. “O Opará reafirma o compromisso com o enfrentamento estrutural do machismo e com a construção de caminhos concretos para a redução da violência de gênero no Brasil”, afirmou.
A conferência de abertura será conduzida por Deivison Nkosi, doutor em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor de obras como Frantz Fanon: um revolucionário, particularmente negro (2018), Frantz Fanon e as encruzilhadas: teoria, política e subjetividade (2022) e O colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana (2023). As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas presencialmente no local do evento.
Além da palestra inaugural, o Opará Saberes promoverá um ciclo de aulas e debates até o dia 26 de maio, nas sedes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) e do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Entre os convidados estão o filósofo Renato Noguera, doutor em Filosofia pela UFRJ e autor de livros como ABC do Amor (2025), e o jurista Anderson Eduardo Carvalho de Oliveira, pesquisador da relação entre masculinidade e violência.
Para Anderson Eduardo, a proposta da iniciativa atua em duas frentes consideradas fundamentais: a prevenção da violência junto a adolescentes e jovens e a qualificação de operadores do Direito que lidam com a aplicação da Lei Maria da Penha. “Temos uma das legislações mais avançadas do mundo, mas os índices de feminicídio seguem crescendo. Isso mostra que não basta punir, é preciso intervir nas estruturas que produzem a violência”, pontuou.
O projeto também busca fortalecer trajetórias acadêmicas de mulheres negras, trans e quilombolas. A professora Márcia Tavares, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo da UFBA (PPGNEIM/UFBA), destaca que a formação funcionará como instrumento de inclusão universitária. “O Opará é também espaço de referência, acolhimento, troca e afeto”, afirmou.
Realizado em parceria com o PPGNEIM/UFBA, a OAB Bahia, o Ministério Público da Bahia e o Instituto de Juristas Negras, o projeto prevê atividades em diferentes unidades da UFBA, incluindo a Faculdade de Direito, a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e o Instituto de Psicologia e Serviço Social. As atividades são gratuitas e contam com emissão de certificado de participação.
Confira a programação completa:
20 de maio
Conferência com Deivison Nkosi, às 18h, no Auditório do PAF UFBA, em Ondina
23 de maio
Aula com Renato Noguera, às 10h, no Auditório do Ministério Público da Bahia
25 de maio
Aula com Anderson Eduardo, às 10h, no Auditório do Ministério Público da Bahia
26 de maio
Atividades com Renato Noguera e Anderson Eduardo, as 18h, no Auditório da OAB Bahia
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