“Flores Que Curam” reúne fotografias sobre tradição de Omolu em exposição no Museu de Arte da Bahia
O Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, em Salvador, recebe a partir desta quarta-feira (12) a exposição “Flores Que Curam”. Com entrada gratuita, a mostra reúne um acervo documental e fotográfico dedicado ao “Ritual Omolu: Saúde e Esperança de um Povo junto às Casas de Candomblé”, iniciativa realizada pela Associação Mesa de Ogans em parceria com terreiros baianos. A abertura acontece às 18h.
A exposição apresenta registros da carreata realizada em torno do ritual de Omolu e busca ampliar o debate sobre a preservação do patrimônio cultural imaterial, os saberes ancestrais e a importância das tradições de matriz africana. O projeto nasceu durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19 e permanece ativo como uma iniciativa de valorização das práticas de cura presentes nas comunidades de terreiro.
Entre os elementos centrais da mostra está o deburu, a pipoca sagrada utilizada em rituais ligados a Omolu, Obaluaê, Nsumbo e Ajunsu. A proposta é levar para o espaço museal elementos da tradição do Sabejé, ritual público de cura, aproximando o público da dimensão cultural e simbólica dessas práticas.
A exposição tem coordenação geral de Joseval do Espírito Santo Silva Junior, conhecido como Júnior Aficodé, especialista em Patrimônio Cultural, e curadoria do museólogo Antônio Marcos de Oliveira Passos. Segundo o curador, a presença do deburu na exposição representa uma forma de apresentar ao público os conhecimentos tradicionais relacionados à saúde, ao acolhimento e à preservação da vida.
“O deburu é a flor que Omolu nos oferece para extrair nossas dores e purificar nossos caminhos. Levar essa estética e essa filosofia para o ambiente museal é afirmar que os nossos saberes litúrgicos são alta tecnologia de acolhimento, saúde mental e preservação da vida”, afirma Antônio Marcos Passos.
Para Júnior Aficodé, a mostra também reforça o papel dos terreiros na preservação da memória e do patrimônio cultural da Bahia. “A exposição celebra a força dos terreiros e a medicina sagrada. É a nossa fé e patrimônio imaterial transformados em memória, cura e resistência ancestral”, destaca.
A narrativa visual de “Flores Que Curam” é assinada pelos fotógrafos Robson Maciel, Lucas Obá Izo e Cristian Dessa. A exposição conta ainda com a participação de comunidades tradicionais, entre elas o Ilê Axé Obá Afonjá Alafin Oyó, Unzó Mutalecí Raízes da Gomeia, Ilê Axé Oiá Dejí, Casa de Sultão e Ilê Axé Ogunja Tiluaê Orubaia.
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