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Coluna

Desafio Ambiental: Agro aposta em tecnologia para sustentabilidade no uso da água

Por Lenilde Pacheco

Desafio Ambiental: Agro aposta em tecnologia para sustentabilidade no uso da água
Foto: Divulgação/Lindsay

O desenvolvimento da agricultura irrigada no Brasil esbarra em obstáculos que desafiam a comunidade acadêmica. Se por um lado é maior a exigência pela preservação ambiental, é inegável o agravamento de eventos climáticos extremos e o aumento da demanda por alimentos de qualidade, preocupações que exigem solução.

 

Fatores agravantes são inúmeros, como a possibilidade de crise energética; conflitos pelo uso da água; limitação da expansão da capacidade de reserva de água; legislação ambiental restritiva e os custos crescentes de água, energia e demais insumos.

 

Pesquisadores persistem na busca de respostas ao desafio de integrar de forma estratégica as políticas de segurança hídrica e alimentar, a fim de obter estabilidade para a produção de alimentos. Essa integração é ainda mais importante levando-se em conta que cerca de metade da produção global de grãos poderá, em curto prazo, estar em risco devido à escassez hídrica.

 


Fotos: Wenderson Araújo/Trilux CNA

 

Análise da conexão existente entre água e alimento remete para avaliação do papel exercido pela agricultura irrigada. A complexidade dessa interação motiva acalorados debates entre os setores usuários. O aumento na produção de alimentos demanda mais água. Neste sentido, a pesquisa e a ciência têm papel fundamental: a inovação permite produzir mais sem aumento da demanda hídrica. Uma das ferramentas é a irrigação. 

 

O Brasil possui cerca de 8,2 milhões de hectares irrigados, o que corresponde a 13% da área total agrícola. Especialistas destacam que o Brasil tem potencial para atingir 55 milhões de hectares, apenas sobre áreas já em uso. O caminho mais seguro para expandir a operação é feito com emprego da tecnologia.

 


Foto: Divulgação/Lindsay

 

A água precisa ser utilizada no momento certo, na quantidade necessária e no local exato, evitando o uso excessivo e o desperdício. Nessa direção, a Lindsay América do Sul, multinacional especialista em tecnologias para sistemas de irrigação deu início a um projeto de intercâmbio de conhecimento. A subsidiária brasileira passou a atuar em todo o Continente, para aprender e ensinar com os vizinhos do Brasil, principalmente Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile. 

 

A tecnologia do sistema torna a operação eficiente: o produtor insere na máquina dados sobre a cultura, tipo de solo e data do plantio. O equipamento combina automaticamente com informações meteorológicas e dados históricos de irrigação. Em seguida, monitora o crescimento da cultura e a profundidade das raízes para verificar a quantidade de água disponível no solo e prever a necessidade de irrigação. 

 

“Esse mecanismo ajuda a consolidar a posição do Brasil no ranking dos produtores de alimentos, garantindo não só a produção necessária, como também mitigar os riscos climáticos”, diz Cristiano Trevizam, diretor para América Latina da Lindsay. Na Bahia, em parceria com a Pivot Máquinas Agrícolas e Sistemas de Irrigação, a empresa tem projetos mais concentrados na região Oeste. Com o uso de pivô central, os sistemas já produzem bons resultados com milho, soja, feijão e algodão, entre outras culturas. A companhia opera em cerca de 90 países, com sede global em Omaha, no estado norte-americano do Nebraska. 

 


Cristiano Trevizam. Foto: Divulgação/Lindsay

 

Setor que vive na berlinda em razão do impacto ambiental, a agricultura irrigada utiliza elevado volume de água, mas tem investido em avanços tecnológicos para sustentabilidade. Com planejamento e gestão, amplia a produtividade no campo, tornando-se aliada do desenvolvimento socioeconômico sustentável brasileiro.