Desafio Ambiental: Práticas sustentáveis ganham espaço com os “Edifícios Verdes”
Sucessivas crises mostraram que o avanço da construção civil estaria condicionado a modelos de resiliência organizacional que lhe dessem fôlego para suportar fases adversas e energia para se recuperar após os eventos negativos. Ela absorveu esse conceito. Se deparou, então, com a necessidade de inovar e criou um segmento que não para de crescer: as construções verdes.
Responsável por fatia considerável do PIB nacional e geradora de empregos, a indústria da construção vive um "boom", diretamente relacionado à necessidade de as edificações responderem aos múltiplos desafios diante dos custos crescentes de energia, escassez de água, geração de resíduos e o risco aumentado de condições meteorológicas extremas. Tudo levando ao conceito de sustentabilidade que agora orienta a maioria das decisões.
O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, organização civil sem fins lucrativos, exerce bem o seu papel, auxiliando na aceleração do desenvolvimento, articulando lideranças empresariais, pesquisadores, consultores e profissionais para a implementação de políticas, estratégias e práticas de uso sustentável dos recursos naturais. Esse trabalho está alinhado às iniciativas globais do programa ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU), visando a eficiência energética e a redução de emissões de CO2 dos edifícios. Não por acaso.


Fotos: Art Studio André Guimarães
Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostram que o setor imobiliário representa cerca de 10% do PIB mundial, 40% dos materiais consumidos, 30% da geração de lixo sólido, 20% do consumo de água e 35% de toda a energia consumida pela sociedade, sendo que 80% desse consumo é devido ao uso e operação dos edifícios, causando relevante impacto nas alterações do clima no planeta.
Há mais de uma década, o conselho prega uma agenda de desenvolvimento sustentável com metas e prioridades nacionais, bem como a elaboração das agendas setoriais da cadeia produtiva, em diferentes regiões do País. Gradualmente, as políticas públicas contribuem para estabelecer novos critérios ambientais, a exemplo do chamado IPTU Verde.

Foto: Valter Pontes / Secom-PMS

Foto: Jefferson Peixoto / Secom-PMS
Salvador, Belo Horizonte e Curitiba são municípios que adotaram o IPTU ecológico com alíquotas diferenciadas para imóveis que fazem o aproveitamento de água da chuva, reuso de água, telhado verde para conforto térmico, redução da impermeabilização do solo e sistemas alimentados por energia renovável, entre outros itens. Os percentuais de desconto no imposto costumam variar de 5% a 10%, a depender da categoria de certificação do imóvel. Pontua melhor quem atende à totalidade das exigências de sustentabilidade.
Novos empreendimentos em construção na capital baiana buscam o topo deste ranking. Com o residencial Art Studio Open Spaces, em construção na orla do Jardim Armação, por exemplo, o Grupo André Guimarães obteve certificado com selo ouro do programa IPTU Verde concedido pela Prefeitura de Salvador. No edifício de 10 andares, sistemas para economia de água e energia serão instalados, para reduzir o consumo, no conforto de uma piscina térmica. A estrutura horizontal do edifício permite que 75% dos apartamentos fiquem de frente para o mar, sem impactar as características dos imóveis da região, explica o CEO do Grupo André Guimarães, Daniel Sande.
As novas tecnologias ajudam a transformar residências e sedes de empresas em estruturas inteligentes e sustentáveis. Dados de 2020 divulgados pelo United States Green Building (USGBC), de classificação de “edifícios verdes”, mostram que o Brasil ocupa a 5ª posição entre 180 países no ranking mundial de sustentabilidade. São mais de 1.500 construções sustentáveis no país – mais de 650 registradas e milhões de metros quadrados em busca de certificação, um saudável movimento que reconhece quem valoriza o meio ambiente.
