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Coluna

Desafio Ambiental: Tripé da sustentabilidade ganha espaço nas empresas brasileiras

Por Lenilde Pacheco

Desafio Ambiental: Tripé da sustentabilidade ganha espaço nas empresas brasileiras

Os brasileiros mantêm grandes expectativas quanto ao avanço da agenda ESG (sigla em inglês para questões ambientais, sociais e de governança) no mundo corporativo, mostra o estudo da consultoria Walk The Talk by La Maison, especializada no desenvolvimento de marcas. De acordo com a pesquisa, de 2022, 94% dos 4.421 entrevistados em cinco regiões brasileiras, esperam que o setor privado promova ações eficazes relacionadas a essa temática.

 

 

É natural que seja assim diante dos inúmeros estudos produzidos nas universidades em todo o planeta, dos alertas feitos por especialistas, das evidentes mudanças climáticas e do empenho de instituições, como a  Organização das Nações Unidas (ONU), para o desenvolvimento sustentável.

 

Gradativamente, as empresas dos mais diversos setores respondem a essa demanda, aderindo ao pacto global. Procuram formas de inovar, trazendo a sustentabilidade para o dia a dia operacional, como também propõe o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em defesa de práticas que inspirem e impulsionem a transição para uma economia verde e próspera.

 

Os registros do CEBDS demonstram que a sustentabilidade está cada vez mais presente no setor corporativo com expansão das iniciativas que contribuem para reduzir cotas de emissão de poluentes na atmosfera. Integrante do conselho, a Braskem é uma das interessadas em inovar para responder aos desafios de alinhar seu sistema produtivo a  processos justos, economicamente viáveis e ambientalmente adequados. Para tanto, acaba de lançar o Wenew, um novo ecossistema de circularidade da companhia.

 

Para reinserir os resíduos plásticos na cadeia produtiva, a empresa definiu como pilares do Wenew o desenvolvimento de produtos (repensar o formato de produtos e embalagens), educação e tecnologia. Na prática, serão criados novos produtos com conteúdo reciclado, iniciativas para o descarte adequado e o consumo consciente, assim como o emprego de tecnologias que acelerem a transição para a economia circular. 

 

O projeto piloto está previsto para 2025 com tecnologia disponível em escala até 2030. A empresa estuda e atua em duas formas de reinserir os resíduos plásticos na cadeia produtiva: por meio da reciclagem mecânica, já bastante conhecida, e a reciclagem avançada (química) que utiliza calor para alterar as propriedade físico-químicas do material, obtendo matéria-prima circular para fabricação de outros produtos. A reciclagem avançada incorpora diferentes tipos de plástico dificilmente reaproveitados.

 

É importante reforçar, no entanto, que o tripé da sustentabilidade ganhou espaço no Brasil, em grande parte, por pressão da sociedade. O êxito desta equação seguramente estará relacionado ao equilíbrio de ações ambientais, sociais e de governança. De nada adiantaria, por exemplo, reduzir a circulação de resíduos plásticos, sem proporcionar a devida atenção às comunidades locais. Como diria o historiador e escritor israelense Yuval Harari, autor de “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, o  compromisso empresarial, nesse caso, depende de investimentos sustentáveis e socialmente responsáveis. Do contrário, não funciona.