Arquitetando: O urbanismo inteligente e sensível de Adriano Mascarenhas
Quem acompanha minimamente o desenvolvimento de Salvador pode concordar que, nos últimos anos, a cidade sofreu diversas intervenções urbanísticas que resultaram numa modificação do cenário e num melhor aproveitamento dos espaços públicos. Muito se deve à iniciativa pública, mas, principalmente, aos profissionais que assinam os projetos responsáveis por tantas transformações. Foram eles que precisaram ir além da criatividade para traduzir em suas obras o pacote que mistura sustentabilidade, urbanismo, beleza, funcionalidade e, claro, cidadania.
Um dos nomes que contribuem para a valorização urbana da cidade é Adriano Mascarenhas. O arquiteto e urbanista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) é sócio fundador do escritório Sotero Arquitetos e tem mais de vinte anos de atuação em diversos estados brasileiros. Além disso, Adriano acumula premiações e indicações no país e no exterior, sendo a última o Prêmio Mies Crown Hall Américas 2022, considerado o de maior reputação no continente.
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Projeto de requalificação da Praça Marechal Deodoro leva a assinatura do arquiteto e urbanista Adriano Mascarenhas. (Foto: Tarso Filgueira)
Somente com o projeto de requalificação da Colina Sagrada, no bairro do Bonfim, Adriano conquistou o Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Othake AkzoNobel, a Premiação Desafios do Patrimônio, promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/ MG, BA, PE) e a Premiação IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil), na categoria Desenho Urbano e Arquitetura da Paisagem-Projetos Executados. “É uma grande honra receber este reconhecimento, mas encaro como uma renovação do nosso entusiasmo em acreditar no engrandecimento da nossa civilidade urbana. Estas vitórias têm a capacidade de influenciar governantes e a população na direção de ver que é possível, sim, uma cidade digna e que não deva nada em qualidade de vida às melhores localidades dos países desenvolvidos”, explica o profissional.
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Adriano Mascarenhas também fez o projeto da Nova Orla de Pituaçu. (Foto: Sotero Arquitetos)
Para conseguir essa excelência, quando o assunto é urbanismo, Adriano Mascarenhas ressalta que tudo começa com o ato de desenhar, sendo este o grande desafio. O primeiro passo deve ser dialogar com todas as esferas envolvidas para, segundo ele, gerir as variáveis técnicas, estéticas, funcionais, de segurança, acessibilidade e sensoriais capazes de impactar a vida das pessoas por um horizonte de tempo relativamente grande: “Devemos ter senso de responsabilidade em um desenho que envolva a segurança das pessoas, a longevidade dos materiais, a inclusão e a acessibilidade e seja ambientalmente sadio, democrático, resiliente e flexível. É preciso atender ao mesmo tempo às necessidades e demandas das crianças e dos idosos, para que seja um excelente projeto”, conta.
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A nova Colina Sagrada, fruto do projeto de Adriano Mascarenhas, recebeu diversos prêmios relevantes do segmento de arquitetura e urbanismo. (Foto: Leonardo Finotte)
No caso do Bonfim, a obra é considerada uma bem-sucedida intervenção no patrimônio histórico e simbólico sensível, ambientalmente complexa e que traz em si, além do respeito ao sagrado do lugar, um design moderno e sagaz ao mesmo tempo. “O projeto foi de grande abrangência e complexidade, visto seu porte com 36.000,00m2, a topografia acidentada e, principalmente, por se tratar de um sítio tombado e de enorme simbolismo para a Bahia e o Brasil. A proposta considera o local como território da tolerância e sincretismo, de manifestações populares e convivência, dentro de um forte contexto de espiritualidade e religiosidade", diz o arquiteto.
A intervenção envolveu a redefinição do sistema viário e estacionamentos, valorizando a experiência do pedestre com a ampliação de áreas, antes dedicadas ao automóvel, a Reforma do Mercado Municipal do Bonfim, a adição de um parque infantil, ordenamento do comércio informal e sistema de transporte, acessibilidade, desenho de mobiliário urbano, inspirados na fitinha mais famosa do local: “Essa foi a dimensão padrão para todo o desenho de mobiliários, pisos, construções, agregando o caráter religioso ao construtivo. O grafismo do piso registra o aspecto sincrético do local, através da estilização de elementos presentes nas religiões mais populares da nossa cidade”, completa.
É com esse olhar que o também ex-professor da Faculdade de Arquitetura da UFBA e palestrante convidado na Graduate School of Design da Universidade de Harvard assina outros projetos de urbanização e requalificação na capital baiana, como o do Caminho da Fé (Av. Dendezeiros), Praça Marechal Deodoro, Gamboa de Baixo, Nova Orla de Pituaçu e a nova Avenida Sabino Silva.
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A Avenida Sabino Silva ganhou novo projeto de urbanização que leva a assinatura de Adriano Mascarenhas. (Foto: Tarso Filgueira)
Dessa forma, buscando transformar a cidade à sua maneira e com o seu talento, Adriano ressalta que não há limites, no que se refere à melhoria urbana e que é preciso ir sempre além: “É preciso também olhar para projetos de habitação social. Temos um horizonte que nos permite enxergar com clareza aonde queremos chegar, afinal bons exemplos foram dados e podemos aprimorá-los e multiplicá-los”, ele finaliza.
