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Coluna

Davidson pelo Mundo: Viajo, bebo, como e me divirto!

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Davidson pelo Mundo: Viajo, bebo, como e me divirto!
Vinícola Uvva | Fotos: Divulgação

Sendo bem objetivo, Enoturismo é um tipo de turismo gastronômico voltado para conhecer e apreciar o universo do vinho. É um segmento da atividade turística que se baseia na viagem motivada pela apreciação do sabor e aroma dos vinhos e das tradições e cultura das localidades que produzem esta bebida. O enoturismo envolve o visitante na cultura e nos detalhes da bebida.


Há quem diga que o Enoturismo teve sua origem em meados da década de 1980 no continente europeu, mas existem registros no Napa Valley (Califórnia), do final da década de 1950. Enquanto a maioria das bodegas continuava sendo unicamente de instalações destinadas à elaboração do vinho, um reduzido número de bodegas deu as boas-vindas ao público, ampliando suas instalações e serviços para além das áreas de produção, versão fácil de ser acreditada pelo histórico de empreendedorismo dos americanos no turismo.


Há quem viaje para conhecer novas culturas e praticar idiomas. Também há quem se aventure para admirar paisagens e… beber vinho! Essa é a proposta do enoturismo: permitir que o viajante faça uma verdadeira imersão na história, nos aromas e nos sabores da vitivinicultura.


De algumas décadas para cá, cada vez mais turistas pegam a estrada e embarcam em expedições rumo a regiões rurais para conhecer mais a fundo a cultura do vinho. A proposta é visitar vinícolas, fazer degustações de vinho, participar das colheitas e (literalmente) embarcar em uma viagem para o mundo dos vinhos.


A segmentação turística cresce a cada dia e, assim, cada região fomenta mais ainda os seus produtos principais afim de atrair admiradores ávidos ao consumo daquilo que lhes atrai, daquilo que é capaz de movimentá-los e fazer com que os turistas viajem milhares de quilômetros para ter novas experiências. A Copa do Mundo é um exemplo para os aficionados do futebol, mas o enoturismo não para de crescer e já representa um percentual considerável no faturamento das vinícolas.


As grandes vinícolas não se limitam ao cultivo e produção de bons vinhos, mas também buscam gerar uma experiência inusitada aos seus visitantes. Tudo é bem pensado, bem produzido, treinado, decorado e feito para realmente encantar. Obrigatoriamente as vinícolas mais modernas, e com esta visão, sempre disponibilizam um belo restaurante onde os clientes irão finalizar ou iniciar seu tour, já com uma grande experiência gastronômica, degustando seus produtos.


Tours e aulas sempre são ofertados e conduzidos por profissionais muito bem treinados e conhecedores não só dos produtos da sua vinícola, mas também deste vasto e interminável universo do vinho. Muitas vinícolas disponibilizam também hospedagem, que na grande maioria das vezes é de alto padrão e com serviço exemplar, fazendo com que os turistas que optarem por este tipo de hospedagem realmente vivam o mundo do vinho por mais tempo e de uma forma mais intensa.

 

Exemplos maravilhosos temos em todas as partes do mundo, já que o enoturismo é de fato um segmento consolidado e não vai parar de crescer. Por isso, darei três exemplos e sugestões para quem deseja desfrutar desse maravilhoso mundo do vinho:

 

QUINTA DA PACHECA – PORTUGAL / DOURO

 


Quarto Barril na Quinta da Pacheca

 

Com cerca de 75 hectares de vinhas próprias plantadas no Património Mundial da Humanidade, classificado pela UNESCO em 2001, a Quinta da Pacheca sempre esteve focada na produção de vinhos DOC do Douro e do Porto de qualidade e foi uma das primeiras na região a engarrafar Vinhos DOC sob marca própria. Foi em 1977 que se iniciou a comercialização de vinhos DOC com as marcas Quinta da Pacheca e Quinta de Vale Abraão, vinhas que ainda hoje pertencem à Quinta da Pacheca, sob a liderança do pioneiro D. Eduardo Mendia Freire de Serpa Pimen - tel que foi o primeiro em Portugal a produzir vinhos brancos de Sauvignon Blanc, Riesling e Gewurztraminer.

 

Hoje, a família Serpa Pimentel continua envolvida no projeto com a quarta geração da família. Em 1995 a Quinta da Pacheca iniciou oficialmente o seu projecto de enoturismo abrindo as portas para visitas guiadas à propriedade e venda dos seus vinhos na loja da Quinta. O conceito foi desenvolvido ao longo dos anos com outras actividades de relevante interesse enoturístico e resultou na inauguração do The Wine House Hotel Quinta da Pacheca em 2009, explorando assim mais uma forma de negócio e contribuindo para alargar a oferta turística de uma forma Região cada vez mais procurada e reconhecida como destino de excelência.
 

LUIZ ARGENTA – SERRA GAÚCHA / FLORES DA CUNHA (RS)

 


Moderna vinícola Luiz Argenta

 

Em 1999, os irmãos Deunir e Neco, filhos de Luiz Argenta, adquiriram a propriedade da antiga Granja União em Flores da Cunha-RS, onde foram plantadas as uvas viníferas que deram origem aos primeiros varietais de vinhos finos do Brasil.


Com um projeto inovador e supermoderno, no ano de 2009 a vinícola ficou pronta. Com uma estrutura moderna e arquitetura diferenciada, a vinícola LUIZ ARGENTA já recebeu alguns prêmios como uma das mais bonitas do mundo. Um dos pontos altos da visita é seu restaurante que, além de servir os vinhos da casa, tem um cardápio que atende aos mais exigentes gastrônomos.


Hoje o negócio é comandado por Deunir e sua filha Daiana, que se dedicam à produção de vinhos de excelência e ao incremento do enoturismo como um negócio importante para o grupo. Um dos destaques dessa vinícola são as garrafas inovadoras, que são verdadeiras obras de artes e encantam seus clientes.

 

UVVA – CHAPADA DIAMANTINA / MUCUGÊ (BA)

 


Foto: André Fofano / Divulgação

 

Na metade do século 19 a região agropecuária no interior da Bahia atraiu aventureiros de todos os lugares, inclusive da Europa, dispostos a desbravá-la atrás do ouro e das pedras preciosas. Seu nome: Chapada Diamantina, um lugar rico em natureza e história, que outrora foi a maior produtora de diamantes do mundo, onde a riqueza está gravada no seu próprio nome. Cerca de 150 anos depois, com a mesma perseverança dos primeiros desbravadores, uma família, também de imigrantes europeus, iniciou em 2012 um projeto audacioso: o plantio de uvas com objetivo de produzir vinhos finos, de alta gama, que somados ao enoturismo e à alta gastronomia introduziriam definitivamente o terroir da Chapada Diamantina no mapa nacional e internacional.


Este terroir é tão singular quanto a natureza e as paisagens que o cercam, uma região única onde se encontram as maiores altitudes do Nordeste brasileiro, conhecida mundialmente por sua vegetação exuberante de espécies nativas, por seus atrativos ligados ao Ecoturismo, cachoeiras, trilhas e piscinas naturais.


Os vinhedos estão a uma altitude de 1.150 metros acima do nível do mar num solo classificado como Franco-Argilo-Arenoso, que carrega de suas origens inúmeras camadas de arenitos, conglomerados e calcários, resultantes de depósitos sedimentares primitivos.

 

Sua profundidade permite uma excelente drenagem, propiciando um perfeito desenvolvimento das raízes, permitindo-as que busquem nutrientes em camadas mais profundas do solo, fator que contribui para a complexidade dos vinhos. Nada mais natural do que trazer toda esta riqueza, beleza e história para o dar forma ao nosso projeto.