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Coluna

Davidson pelo Mundo: Bahia, um espaço de eventos natural

Por Davidson Botelho - @davidsonpelomundo

Davidson pelo Mundo: Bahia, um espaço de eventos natural
Foto: Fernando Vivas / GOVBA

Que a Bahia é uma fonte inesgotável de artistas, criatividade, belezas naturais, gente alegre, muita cultura e história, todos já sabem. Mas apesar de sabermos que também somos um belo destino para eventos, ainda estamos longe de tirar todo proveito que o nosso potencial nos oferece e assim fazer deste segmento uma fonte importante de geração de riquezas, empregos e crescimento como um dos principais pilares do turismo.


Dentre os pilares que compõe a base de sustentação do turismo, EVENTO é aquele que consegue agregar todas as vertentes de forma perene durante todo o ano e atinge todas as regiões geográficas do estado. O potencial da Bahia é muito grande e precisamos quebrar determinados paradigmas e fronteiras e entender este negócio de maneira mais macro, em favor de uma economia sustentável e de baixo investimento com grandes resultados atingindo diversas camadas da sociedade.


Vejamos o mercado da música. Concentramos todas as energias no Carnaval como um grande produto turístico que é de fato, mas a Bahia é mais que o carnaval. Aliás, o São João é maior que o Carnaval, acontece em mais de 100 municípios e durante uma quantidade de dias bem maior. Porém os festejos juninos não têm a mesma atenção e não conseguem atrair a mesma quantidade de turistas de outros estados que o Carnaval, ou mesmo Campina Grande-PB e Caruaru-PE. Nosso São João ainda é para os baianos e, assim, a circulação de riquezas roda dentro do estado e não capta capital externo.


A Bahia merece um calendário mais robusto durante todo o ano e atingindo os mais diversos estilos musicais. A música já afirma isso: “O samba nasceu foi na Bahia...”. E assim merece ter um evento de porte nacional, como um festival do samba, por exemplo. O São João merece contornos de evento nacional e com grande divulgação. Fazemos divisa com inúmeros estados e isso facilita a locomoção para municípios que promovem esta festa.
No campo da arte, dança e teatro, também somos referência nacional. E, assim, se faz necessário termos aqui no mínimo um festival anual de porte nacional para estes temas.


Agora vamos falar do esporte. Somos o maior celeiro de medalhistas olímpicos no boxe e nada acontece aqui. Felizmente, agora já teremos o Centro de Boxe. Porém, já passou do tempo de termos um belo ginásio de esportes e neste acontecer uma série de eventos esportivos de outras categorias esportivas, que acabam sendo um grande atrativo para os locais e para turistas, sem falar no poder de divulgação do destino. Com o ginásio esportivo ganhamos a possibilidade de termos equipes nas ligas nacionais de Vôlei e Basquete e quem sabe até de outros esportes como Futsal e Handebol.


Precisamos ter um calendário anual com circuitos de corridas de rua (esporte que mais cresce em participação popular), contemplando várias regiões do estado e atraindo corredores de todo o Brasil; um calendário anual de encontros de motos e carros antigos também em algumas cidades do estado... Assim podemos incentivar essa movimentação desses aficionados também para o interior do estado e movimentar a cadeia turística em cidades que não teriam movimento em meses de baixa temporada. Vejam a movimentação que esses eventos trarão para os hotéis, taxis, restaurantes, lojas e tantas outras atividades da cadeia produtiva do turismo. Percebam a magnitude que essas ações podem atingir.


Agora vamos falar de um pilar que faz parte do patrimônio imortal da nossa história: a Gastronomia. Temos a gastronomia mais rica, mais antiga e mais robusta em conteúdo e não exploramos isso de maneira inteligente. As fontes são inesgotáveis, temos o maior litoral do Brasil, temos regiões montanhosas, rios e cerrado, assim a diversidade gastronômica precisa ir além dos modelos de sucesso como o FESTIVAL DE BOTECO e outros similares. Santa Catarina tem dois bons exemplos que podem nos inspirar: o FENARRECO, festival nacional do marreco; e a MAREJADA, que é um festival de produtos gastronômicos do mar. Ambos os eventos atraem milhares de pessoas para cidades do interior do estado e, além da oferta da gastronomia, tem folclore, exposição de maquinários, shows e uma série de atrativos. É a movimentação da economia através da gastronomia. Agora pensem isso na Bahia com a nossa diversidade.


Qual o estado mais laico do Brasil? Pensou? Então estamos na Bahia e precisamos promover encontros e eventos religiosos preservando e respeitando o caráter religioso, sem nos afastar das possibilidades de movimentação econômica turística até para retroalimentar a estrutura gigantesca que as religiões precisam e têm. Temos a única santa brasileira e precisamos ter uma catedral e uma estrutura à altura. Podemos realizar festivais anuais das religiões de matrizes africanas e de outras vertentes religiosas. O turismo não tem um padroeiro e está aberto a todas as linhas da fé - e eu já citei outras sugestões sobre isso aqui na coluna (leia aqui).


O assunto é amplo, vasto, mas precisa de estratégia, entendimento, planejamento e de união do trade e do poder público, cada um fazendo a sua parte e apontando para um único norte. Entidades associativas e governo nem sempre caminham de mãos dadas e para a mesma direção, muitas vezes os interesses políticos sobrepõem as decisões técnicas e, no final, o que deve ser feito fica pelo caminho ou numa folha de papel. As entidades privadas também precisam abandonar antigas práticas, vaidades e a visão unilateral de cada segmento. Precisamos ter nos empresários o sentido de mais empreendedorismo e menos dependência do estado, apesar de que este também precisa tratar e enxergar o turismo como uma importante atividade econômica num estado pobre de indústrias e muito dependente do agronegócio e dos serviços.


O Centro de Convenções chegou e é, sim, um importante equipamento para o turismo de eventos, mas esse não é nosso único palco, nossa única sala. Precisamos de mais diversidade de eventos e espalhar por todas as regiões do estado.