Desafio Ambiental: Adaptação à mudança climática exige eficácia em ações e financiamento
Analisar os resultados da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) em tom alarmista é tão pouco produtivo quanto um olhar negligente sobre essa temática. Um parâmetro mais equilibrado, então, pode ser obtido com a leitura de dados científicos, somados à realidade de um ritmo lento que distancia o histórico Acordo de Paris (2015) da prática aplicada pela maioria dos 193 países membros da ONU.
Até as vésperas do início da COP27, no Egito, menos de 30 nações atualizaram suas metas de redução da emissão de dióxido de carbono (CO2). Os estudos amplamente discutidos em Sharm el-Sheikh, durante este novembro, mostram claramente que não reduzir as emissões compromete todo o planeta.
Se ajusta muito bem a esse raciocínio, portanto, o pensamento do sociólogo alemão Ulrich Beck ao assinalar que a partir de agora, nada do que acontece é somente um evento local. Segundo Beck, "todos os perigos essenciais se tornaram perigos mundiais, a situação de cada nação, de cada etnia, de cada religião, de cada classe, de cada indivíduo em particular é também o resultado e a origem da situação da humanidade. O ponto decisivo é que, de agora em diante, a principal tarefa é a preocupação pelo todo".
A conferência da ONU chega a ser didática, neste aspecto, ao focar em caminhos de mitigação e desenvolvimento no curto e médio prazo e checar o que os países estão dispostos a fazer - em caráter de urgência. De acordo com os cientistas, as emissões mundiais devem registrar queda de 45% até 2030, na comparação com os níveis de 2010.
Contudo, os compromissos atuais levarão a um aumento de 10% das emissões durante este período. Com isso, dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo ainda ficarão expostas a ondas de calor alarmantes, escassez de alimentos e água e sucessivas inundações. Isso também representa perdas irreparáveis para a biodiversidade, o que evidentemente nos remete ao caso brasileiro.
A preservação dos nossos ecossistemas está conectada com a saúde, produção de alimentos e disponibilidade de água. Se levarmos em conta que o Brasil possui um papel central na proteção do meio ambiente e no combate às mudanças climáticas, encontraremos a dimensão do desafio ambiental que está posto. É preciso controle do desmatamento, rigor no controle do garimpo ilegal e do uso de agrotóxicos, por exemplo.
A Bahia igualmente precisa mobilizar os setores público e privado, assim como a sociedade civil, em torno de um amplo programa de desenvolvimento sustentável, ancorado em bons projetos e operações de financiamentos para fazer valer marcos regulatórios que assegurem - prioritariamente - a proteção de nascentes e conservação de água; restauração florestal; metas para redução de carbono; uso sustentável da faixa litorânea; educação socioambiental; estímulo à reciclagem e prevenção de desastres.
Para concluir, o resultado da COP27 não deve ser visto como apocalíptico, nem tampouco permite o tremendo descuido que presenciamos desde o Acordo de Paris.
