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Quarta, 22 de Junho de 2022 - 18:45

Fala, Albuca!: Glauber Rocha, hoje nos cinemas

Fala, Albuca!: Glauber Rocha, hoje nos cinemas
Foto: Copacabana Filmes/Divulgação

O único filme brasileiro no festival de Cannes de 2022: Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Depois de restaurado em 4K por iniciativa de sua filha Paloma Rocha, o longa do Cinema Novo voltou ao seu lugar de estreia para ser homenageado na mostra “Cannes Classics”, parte do festival dedicada aos filmes clássicos e à preservação do patrimônio cinematográfico mundial.

 

O cenário é contraditório: por um lado um deserto se instala pelo fato de Glauber estar sozinho no festival, e nenhum outro brasileiro se fazer  presente no que é um dos maiores festivais de cinema do mundo. No entanto, essa solidão nos permite direcionar os holofotes para nosso representante e rever o Cinema Novo. 

 

Então vamos do começo: o Cinema Novo foi o movimento inspirado pela nouvelle vague francesa com o objetivo de distanciar a produção brasileira do modelo hollywoodiano. Um cinema popular, sem recursos milionários e com a máxima: “uma camera na mão e uma idéia na cabeça”. 

 

O resultado é um cinema — brasileiro — que dispõe de uma liberdade artística para discutir os problemas da realidade nacional, traduzindo os traços culturais numa linguagem cinematográfica. Cinquenta e oito anos depois da estreia, o filme do nosso baiano Glauber Rocha ainda tem seu lugar no “panteão” da sétima arte. Perdoem o seguinte jogo de palavras, mas a pergunta é séria: por que o Novo ainda é tão atual? 

 

É um clássico, e um clássico nunca termina de dizer o que queria ter dito, ele se renova. Foi essa a minha resposta imediata diante a pergunta, e talvez seja um pouco isso sim. O legado de Glauber provou ser atemporal, uma característica fundamental dos ditos “clássicos”. E eis então a prova da sua imortalidade, eis sua viagem no tempo. 

 

Por outro lado, uma obra que falou diretamente com a realidade brasileira há quase 60 anos e que fala ainda hoje sem nada precisar adaptar em seus diálogos ou imagens, para além de reafirmar a genialidade de Glauber, é um convite a uma reflexão coletiva sobre o porquê desse filme ainda falar com o Brasil de hoje. Certa vez li em algum lugar que às vezes para viajar ao Brasil é melhor usar uma maquina do tempo do que um avião. Apesar do tom irônico do autor, concordo mas numa interpretação não tão negativa. Os artistas foram e são os melhores espelhos do seu tempo, defenderia Hamlet. Obras de excelência como essa servem de referencia histórica. Voltar no tempo não é retroceder, é entender o caminho que nos trouxe até aqui, e a melhor maquina que temos para isso é a arte.

 

“O cinema Novo é a síntese criadora do cinema brasileiro popular internacional.” Glauber Rocha

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