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Quinta, 18 de Novembro de 2021 - 17:10

Fala, Albuca!: Entenda o que é Arte Digital, nova modalidade do mercado da arte

por Beatriz Albuca - @albuquerquebeatriz

Fala, Albuca!: Entenda o que é Arte Digital, nova modalidade do mercado da arte
Foto: Reprodução de 'Purely Digital' de Beeple, vendida por US$ 69,3 milhões

Já não é novidade pra ninguém que os avanços tecnológicos e sobretudo a assimilação de um novo estilo de vida dependente de suportes eletrônicos ressignificou nossa maneira de lidar com a maioria dos objetos e suas funções. Fotos reveladas ocupam espaço e acumulamos em casa objetos fadados ao envelhecimento, mais prático talvez usar um sistema de armazenamento digital.

 

Ter uma grande coleção de DVD era massa, mas hoje com os sistemas de reprodução em streaming não temos mais problema com o prazo de devolução da locadora. Até os livros ganharam sua versão digital com a promessa de que, com pouco volume e peso, teremos todos nossos livros preferidos ao mesmo tempo e a qualquer momento do dia. Bom, sobre os livros digitais confesso não ser a leitora mais entusiasta, mas me coloco em constante processo de adaptação. Por outro lado, confesso estar escrevendo esse texto no meu notebook, e não em um caderno.

 

Apesar de constantemente atualizados sobre tudo que o mundo digital tem a nos oferecer, algo que me parece não ser do nosso domínio é o conceito de Arte Digital. Já é polêmico discutir o conceito que existe por trás das obras de Arte Contemporânea e falar de arte digital e seu mercado é ainda mais curioso. 

 

Em março de 2021 bateu-se o recorde em uma venda de arte digital: US$ 69,3 milhões. Como uma obra 100% digital vale esse preço? É “simples“: o que o artista Beeple vendeu nesse caso não foi a imagem em si, mas sim o NFT (Non Fungible Tokens, ou tokens não fungíveis em tradução livre) da obra. 

 

A tecnologia (a mesma utilizada para as criptomoedas) possibilita a associação de um selo numérico à obra. Esse selo de autenticidade funciona como uma assinatura e a obra passa a ser única, sem possibilidade de réplica.

 

Que fique claro que a arte digital não começou a ser feita agora, mas foi a sua comercialização que mudou de paradigma há pouquíssimo tempo. A grande dificuldade que os artistas digitais encontravam antes era a de validação e, consequentemente, da valorização de sua arte. 

 

Arte digital, moeda digital. A compra é por criptomoeda e qualquer conteúdo digital pode ser vendido em um leilão de NFT: de uma gravação de voz, um desenho, a um print de uma tela de algum site que hoje já está desativado. O uso do NFT permitiu ao conteúdo artístico digital vivenciar algo que já era comum à “arte física“ desde os primórdios: virar investimento.

 

Nascem então os colecionadores de arte digital.

 

Qualquer pessoa pode ter uma réplica do “Abaporu“ de Tarsila do Amaral ou de “O Beijo“ de Klint em casa, mas só o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires e a Galeria Belvedere em Viena podem dizer-se deles proprietários, e a obra digital segue a mesma lógica para seus colecionadores. Somente uma pessoa pode ter o NFT de uma obra e a tem de maneira completamente protegida por um smart-contract (contrato inteligente). Então para um colecionador, além do prazer de ter uma obra de arte, a venda desse NFT no futuro pode representar um investimento interessante à depender do crescimento do reconhecimento do artista. Outra possibilidade, dessa vez para o artista, é a criação de um sistema de royalties: no caso de uma revenda de um comprador a outro, isso iria gerar uma renda passiva ao artista. 

 

No mercado da arte digital abriram-se vários caminhos e junto com qualquer mudança vêm os questionamentos e as comparações. A arte digital vai ganhar seu espaço no mundo cultural e seria pessimista demais pensar que ele pode ser concorrente direta da arte física. O que vemos surgir é sim uma nova modalidade de expressão artística e de exposição de obras de arte, mas que existe para além dos museus e não em oposição. Para que existisse uma verdadeira ameaça a museus e galerias, os leilões de NFT teriam que vender um produto semelhante, e não é isso que é oferecido. São experiencias diferentes. E, mais ainda nos últimos dois anos, reconhecemos a importância da presença. Na arte e na vida, o virtual e o presencial devem coexistir.  

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