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Doutor Pet: Câncer em animais de estimação - quais sinais merecem atenção dos tutores?

Por Centervet

Doutor Pet: Câncer em animais de estimação - quais sinais merecem atenção dos tutores?
Foto: CenterVet

O câncer também faz parte da realidade da medicina veterinária e pode afetar cães e gatos de diferentes idades, raças e portes. Embora algumas neoplasias sejam mais frequentes em animais idosos, a doença não está restrita a essa fase da vida. Assim como acontece com os seres humanos, os tumores podem surgir em diferentes órgãos e tecidos, apresentando características e comportamentos distintos.

 

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos tutores está na identificação dos primeiros sinais. Em determinadas situações, o câncer provoca alterações visíveis, como o surgimento de caroços e feridas persistentes. Em outras, a doença pode se desenvolver de maneira silenciosa, com manifestações pouco específicas, que acabam sendo confundidas com mudanças naturais do envelhecimento ou problemas de saúde aparentemente simples.

 

Por isso, a atenção à saúde dos animais deve envolver tanto a observação da rotina quanto o acompanhamento veterinário periódico. Alterações no comportamento, no apetite, no peso e na disposição podem fornecer informações importantes sobre o estado clínico do paciente e indicar a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

 

SINAIS QUE MERECEM ATENÇÃO DOS TUTORES
O aparecimento de nódulos ou caroços é um dos sinais que mais despertam preocupação. Entretanto, nem toda alteração desse tipo representa um câncer. Cistos, processos inflamatórios e outras condições também podem provocar aumentos de volume na pele ou em diferentes regiões do corpo.

 

A distinção entre essas possibilidades depende de uma avaliação veterinária e, quando necessário, de exames complementares. O tamanho, a aparência e a localização de um nódulo, isoladamente, não são suficientes para determinar se ele é benigno ou maligno.

 

Além dos caroços, existem outras manifestações que precisam ser observadas. Perda de peso sem explicação, redução persistente do apetite, dificuldade para se alimentar, feridas que não cicatrizam, sangramentos anormais e alterações na disposição podem estar associados a diferentes doenças, incluindo determinados tipos de câncer.

 

Mudanças nos hábitos urinários ou intestinais, aumento de volume abdominal, dificuldades respiratórias e episódios de fraqueza também podem justificar investigação, dependendo da intensidade e da duração dos sintomas.

 

É importante destacar que nenhum desses sinais confirma, por si só, a presença de uma neoplasia. Muitas doenças apresentam manifestações semelhantes, e a avaliação clínica é fundamental para identificar a origem das alterações.

 

Nos gatos, a observação merece atenção especial. Os felinos podem apresentar mudanças discretas no comportamento quando estão doentes, como isolamento, redução da atividade, alterações na alimentação e menor interesse pelas atividades habituais. Essas manifestações não devem ser automaticamente atribuídas à idade ou ao temperamento do animal.

 

QUAIS TIPOS DE CÂNCER PODEM AFETAR CÃES E GATOS?
As neoplasias veterinárias podem atingir diferentes sistemas do organismo. Entre os exemplos estão os tumores mamários, os tumores cutâneos, os linfomas e as neoplasias que acometem órgãos internos. Os tumores mamários podem ocorrer em cães e gatos, especialmente em fêmeas, embora também possam afetar machos. Suas características variam conforme a espécie e o tipo de lesão, tornando necessária a investigação adequada de qualquer alteração identificada na região das mamas.

 

Já os tumores de pele podem apresentar diferentes aspectos, incluindo nódulos, alterações de coloração, feridas ou lesões que aumentam progressivamente. Algumas neoplasias cutâneas possuem comportamento menos agressivo, enquanto outras podem exigir intervenções mais complexas.

 

O linfoma, por sua vez, é uma neoplasia que envolve células do sistema linfático e pode afetar diferentes regiões do organismo. Dependendo da apresentação da doença, os sinais podem incluir aumento de linfonodos, alterações gastrointestinais, perda de peso e outras manifestações clínicas.

 

A ocorrência e o comportamento dos tumores dependem de fatores como espécie, idade, predisposição genética e características individuais. Por esse motivo, não existe uma única forma de manifestação ou tratamento aplicável a todos os pacientes.

 

O PAPEL DA ONCOLOGIA VETERINÁRIA
A oncologia veterinária é a especialidade dedicada à investigação, ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento de animais com suspeita ou confirmação de câncer. A atuação do médico-veterinário oncologista começa com a análise do histórico clínico, dos sinais apresentados pelo paciente e dos resultados de exames anteriores. A partir dessas informações, o profissional pode orientar a investigação diagnóstica e definir quais avaliações complementares são necessárias.

 

Entre os recursos utilizados estão a citologia, que permite analisar células coletadas de determinadas lesões, e a biópsia, que possibilita o estudo de fragmentos de tecido. Dependendo da situação, também podem ser indicados exames laboratoriais, ultrassonografia, radiografia e tomografia computadorizada.

 

Esses procedimentos possuem finalidades diferentes e são selecionados conforme as características de cada caso. Além de identificar a natureza da lesão, a investigação pode buscar informações sobre a extensão da doença, a presença de alterações em outros órgãos e as condições gerais de saúde do animal.

 

Esse processo, conhecido como estadiamento em diferentes tipos de câncer, contribui para o planejamento terapêutico e para a avaliação do prognóstico.

 

A oncologia veterinária também desempenha um papel importante na orientação dos tutores. Compreender o diagnóstico, as possibilidades de tratamento, os riscos e os objetivos de cada conduta permite que as decisões sejam tomadas de maneira individualizada, considerando as necessidades do paciente.

 

DIAGNÓSTICO PRECOCE E POSSIBILIDADES DE TRATAMENTO
A identificação precoce de alterações suspeitas pode ampliar as possibilidades de tratamento em determinados tipos de câncer. Em algumas situações, diagnosticar uma neoplasia antes de seu crescimento ou disseminação permite intervenções mais direcionadas e pode favorecer o prognóstico.

 

Isso não significa que todos os tumores identificados precocemente tenham o mesmo comportamento ou apresentem possibilidade de cura. Cada neoplasia possui características próprias, e fatores como localização, tipo celular, extensão da doença e condições clínicas do animal influenciam as decisões terapêuticas.

 

Entre as possibilidades de tratamento estão a cirurgia, a quimioterapia e outras modalidades indicadas conforme o diagnóstico. Em determinados casos, diferentes abordagens podem ser combinadas para alcançar os objetivos estabelecidos pela equipe veterinária.

 

A cirurgia pode ser utilizada para remover determinadas lesões, enquanto a quimioterapia atua por meio de medicamentos empregados no tratamento de neoplasias específicas. A escolha depende do tipo de tumor, de seu comportamento e da avaliação individual do paciente.

 

Um aspecto importante da oncologia veterinária é a atenção à qualidade de vida. Os protocolos são planejados considerando não apenas o controle da doença, mas também o bem-estar do animal e sua tolerância ao tratamento. Quando a cura não é possível, a especialidade também pode atuar no controle de sintomas e na definição de cuidados paliativos, buscando proporcionar conforto e preservar a qualidade de vida pelo maior tempo possível.

 

ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO FAZ PARTE DO CUIDADO
O acompanhamento oncológico não se limita ao momento do diagnóstico ou à realização de um procedimento. Dependendo da doença e do tratamento escolhido, o paciente pode precisar de reavaliações periódicas, exames de controle e ajustes nas condutas terapêuticas.

 

Essas avaliações permitem acompanhar a resposta ao tratamento, identificar possíveis efeitos adversos e observar alterações que exijam uma nova investigação. Mesmo após a conclusão de determinadas terapias, o acompanhamento pode continuar sendo necessário, de acordo com o tipo de câncer e o risco de recorrência.

 

A participação dos tutores também é importante nesse processo. Observar mudanças no comportamento, na alimentação, na disposição e nas características de lesões já identificadas contribui para que informações relevantes sejam compartilhadas com a equipe veterinária.

 

Em Salvador, a Centervet conta com atendimento especializado em oncologia veterinária, mediante agendamento, além de estrutura de apoio diagnóstico e acompanhamento clínico. A instituição possui unidades na Graça e no Costa Azul, ambas com atendimento veterinário 24 horas.

 

Diante do surgimento de caroços, feridas persistentes, perda de peso inexplicada ou outras alterações na saúde do animal, a recomendação é procurar avaliação veterinária, sem esperar necessariamente pelo agravamento dos sintomas.

 

A investigação adequada permite diferenciar condições benignas de doenças que exigem tratamento específico e, quando necessário, encaminhar o paciente para acompanhamento oncológico especializado.