BN estilo: Conheça a história da estilista baiana que abriu caminho para marcas como Dendezeiros, Irá Salles e Ateliê Mão de mãe brilharem nacionalmente
Durante anos a moda brasileira sobreviveu tendo como referência o DNA local e produção artesanal de peças.
O processo era longo até que uma tendência chegasse às ruas, mas a dinâmica era sempre a mesma: revistas de moda e pessoas que tinham acesso a outros países em viagens internacionais traziam o novo estilo e, lentamente, essas tendências eram disseminadas pelas brasileiras mais antenadas.
Umas corriam e compravam direto nas boutiques de rua; ou tecidos eram comprados com a função de se transformarem no último “must have” da estação.
Com acesso à informação, à TV em cores, filmes passaram a inspirar empresários e, juntamente com a indústria de vestuário, fizeram história até o “capítulo” chamado abertura de lojas de departamento, que chegaram quase ao mesmo tempo que os shopping centers e democratizaram a moda.
Esse fenômeno foi positivo? É claro! Com ele, porém, as shoppees de então e as importações, nós passamos a sentir falta das roupas artesanais, feitas pela “modista” da família e bordadeiras que só eram encontradas por quem entendia do assunto.
Uma dessas referências, a estilista Zarah Benzaquen, movimentou a sociedade baiana e apresentou a primeira loja de rua de grife essencialmente baiana da cidade.

Cristeriosa e refinada, Zarah sabia escolher os melhores tecidos e cores, de acordo com o perfil de cada cliente, levando em consideração a sua orientação.
A estilista e empresária é tema do recém-lançado livro “ Zarah além da Moda”, que conta a história da artista que via beleza nos detalhes e costumava trabalhar com a alta estima das mulheres. “Ninguém falava que eu tinha o corpo bonito. No fim, depois da roupa de Zarah, eu vi que tinha o corpo bonito. A roupa me valorizou”, revela Ciçone Pedral Sampaio Fiúza, uma das suas primeiras clientes e amiga de uma vida toda.

Zarah Benzaquen foi referência de moda durante décadas em Salvador. Filha de judeus marroquinos, seus pais chegaram ao Brasil no final do século XIX, num processo migratório de judeus que buscavam tempos melhores na região da Amazônia.
Zarah chegou à Bahia pelo amor ao baiano Jesse Costa, funcionário da Panair do Brasil, com quem se casou.
Ele assistiu a modista tornar-se referência de moda na cidade. Ela começou atendendo mulheres da comunidade judaica de Salvador e assim vieram indicações de outras mulheres da alta sociedade baiana durante décadas nas quais passou atendendo a alta sociedade no Corredor da Vitória. Da sua botique, a Zarah, saíram modelos para as mulheres mais elegantes da cidade para as quais desenhou vestidos de casamento de muitas noivas, cujos modelos eram pensados nos detalhes que iam do vestido à grinalda.


Todos os detalhes de criação estão na biografia escrita pela jornalista Sheila Cristina Santos, escritora e doutora em Sociologia pela PUC-SP, entitulada de “Zarah Além da Moda – uma jornada de coragem, talento e persistência”, que os amantes da moda baiana e criadores de marcas locais precisam conhecer para saber quem foi a a estilista que faleceu em 2010, aos 90 anos, e modificou o cenário da Moda em Salvador nas décadas de 70, 80 e 90.
“Certa vez comentei com a minha mãe sobre a ideia de escrever a sua biografia e ela gostou muito da ideia. Anos mais tarde, consegui concretizar o projeto. Uma justa homenagem a uma mulher que além de talentosa, me ensinou tudo", diz Fred Benzaquen Costa, filho de Zarah e CEO do Grupo Elsimar Coutinho.
A obra contempla aspectos históricos relevantes, bem como a chegada dos judeus à Amazônia, a influência dos costumes e tradições dos judeus marroquinos para a cultura local e histórias dos familiares de Zarah pela região.
Vale a leitura!
Serviço:
“Zarah (Além da Moda – uma jornada de coragem, talento e persistência)” – biografia (2024)
Editora Annablume
